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Famílias dos mortos pelo tráfico criticam os candidatos mexicanos

Activistas e familiares reuniram-se, esta Segunda-feira, com os candidatos a presidente do México e criticaram com dureza a falta de propostas concretas contra a brutal violência do narcotráfico.

Desde que o presidente Felipe Calderón tomou posse e mobilizou as Forças Armadas para o combate ao narcotráfico, em 2006, a violência relacionada às drogas causou a morte de mais de 55.000 pessoas, incluindo crianças e outros civis mortos por balas perdidas.

Há também 5.000 a 10.000 desaparecidos, e centenas de milhares de mexicanos fugiram das suas casas por causa dos embates entre quadrilhas rivais que disputam territórios, segundo estimativas de ONGs.

“A senhora representa um partido que, depois de 12 anos, deixa como uma das suas heranças um imenso cemitério”, disse o poeta Javier Sicilia, presidente do Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade, à candidata governista Josefina Vázquez Mota.

Já Enrique Peña Nieto, favorito nas pesquisas para as eleições, “representa o regresso à origem da corrupção das instituições”, disse Sicilia.

Peña Nieto é o candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos ininterruptos até 2000.

Peña Nieto foi vaiado por alguns participantes do encontro por causa da repressão policial contra os moradores das localidades de Texcoco e San Salvador Atenco, em 2006, quando ele era governador do Estado do México.

Outro participante disse que, nos Estados governados pelo PRI, as autoridades fazem vista grossa a denúncias de pessoas desaparecidas.

Durante o encontro no histórico Castelo de Chapultepec, na capital mexicana, Vázquez pediu “perdão e desculpas por qualquer omissão que tenha ocorrido nos nossos governos (do partido direitista PAN, no poder desde 2000)”.

O grupo reuniu-se separadamente com os candidatos. Um dos depoimentos ouvidos foi o de Ignacia González, que há meses procura seus dois filhos desaparecidos, e que denunciou os maus tratos policiais contra a sua família.

“Não sabes o que é ir à delegacia da polícia e mandarem-te calar. Não sabes o que é perder um filho como todos os que estão aqui, porque perder um filho é pior do que morrer”, acrescentou a mulher.

Sicilia criou o movimento de protesto depois de um filho seu ser assassinado junto com os seus amigos em 2010 no Estado de Morelos, ao sul da capital.

Desde então, ele realiza “caravanas pela paz” que receberam a adesão de centenas de parentes dos desaparecidos ou assassinados no país inteiro.

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