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Festival da Marrabenta – Uma tarde acústica sem vibração

Festival da Marrabenta - Uma tarde acústica sem vibração

A tarde de Sábado, 29 de Janeiro – o segundo dia do Festival da Marrabenta -, foi até aqui o pior momento da festa, pois houve fraca adesão do público da cidade da Matola ao concerto. Previsto para iniciar às 15h30, o espectáculo só começou duas horas mais tarde (17h38). O recinto do Jardim Municipal da Matola esteve, por assim dizer, às moscas, embora se tratasse de um concerto de entrada livre.

 

 

Uns acreditavam que uma das razões da fraca audiência era a pouca divulgação do evento naquele município, e outros falavam do estilo musical, afinal, poucas são as pessoas que apreciam o Jazz e a marrabenta acusticamente tocada. Mas a pouca adesão do público não foi argumento suficiente para estragar a festa.

Os músicos de cartaz subiram ao palco e revelaram domínio absoluto da arte, realizando um espectáculo assaz equilibrado, ainda que não entusiasmante. Os seus repertórios mostraram-se adequados para o ambiente. O concerto iniciou com a actuação acústica de um quarteto de veteranos, Golden Boys, que ainda não desistiram de oferecer – além de fazer – a verdadeira marrabenta aos apreciadores desta dança/música.

Para animar a festa, os decanos da marrabenta, nomeadamente Orlando da Conceição, Ernesto Ximaganine, Américo Mavui e Pedro Chau, apresentaram um repertório empolgante, constituída na sua maioria por composições originais. Começaram por tocar a composição de Fanny Nfumo que aborda as situações caóticas provocadas pelas chuvas no mítico bairro da Mafalala, em homenagem a este que é considerado “pai da marrabenta”, e em solidariedade com as vítimas das inundações que ocorrem em quase todo o país. Mas quando os Golden Boys apresentaram o tema que fala de que “todos somos diferentes e cada um deve ocupar o seu lugar”, receberam aplausos animados de um pouco mais de cinco dezenas de pessoas que ali se encontravam.

O professor Orlando, vocalista deste grupo que também chama de “geração de ouro e mais equilibrada”, diz que se sentiu a ocupar o seu lugar neste Festival porque “toquei marrabenta”. Para os veteranos, o Festival da Marrabenta significa o “ressuscitar da marrabenta”. O quarteto mostrou sentimento e sabedoria na sua actuação, até porque já não tem mais nada a provar nesta arte. As suas músicas, inspiradas na cultura africana e no gosto pelo contraste, retratam o amor à vida e encheram o espaço vazio deixado pelo público matolense naquele recinto. Foram trinta minutos de profundas notas de marrabenta. \

Depois subiu ao palco o agrupamento Zambeze Project. A formação rítmica de jovens músicos, constituída por Samito na precursão, Almeida (Bateria), Larseu (Teclado), Joãos (sopro) e Sacatho (baixo), fizeram um excelente show de Jazz para encantar um público monótono. Como convidado da banda, o músico Alfa entrou em “cena”para emprestar a sua voz. A sintonia com o público foi imediata e viu-se os espectadores a descontraírem-se.

Para fechar o espectáculo, coube a banda Nanando. Composto por Zito (bateria), Shati (baixo), Macaco (teclado) e Max (guitarra), o agrupamento revelou o seu sincero progresso. Os jovens músicos confirmaram a sua classe na matéria de Jazz.

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