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Festival da Marrabenta: passado, presente e futuro

Festival da Marrabenta: passado

Num dia em que se discutiu a evolução e o conceito da marrabenta, a Orquestra Djambo argumentou com a actuação sem precedentes e meticulosos passos de dança que lhe é característico. O terceiro dia do Festival da Marrabenta foi reservado para o debate sobre o passado, presente e futuro da marrabenta. No Domingo (30) o Centro Cultural Municipal Ntsindya, em Ximpanine, foi demasiado pequeno para acolher mais de uma centena de pessoas ávidas em ouvir o percurso histórico-musical deste ritmo. O debate foi antecedido de uma actuação de uma banda de jovens que se estreia neste estilo. Com um repertório desconhecido, o agrupamento musical conquistou a simpática do público, apesar de se ter revelado tímido.

Com um painel composto por dois músicos (Dilon Djindji e Rufas) e um académico (historiador Rui Guerra), a discussão sobre a marrabenta equiparou-se a de “quem nasceu primeiro: ovo ou a galinha?”. Ou seja, de modo geral, o debate não reuniu consenso mostrando-se inacabado. Houve opiniões diferentes e contraditórias sobre o surgimento e definição da marrabenta. O académico Rui Guerra defendia que a marrabenta é uma música urbana que se tornou popular na década de 50 com duas grandes associações, uma das quais fazia parte a Orquestra Djambo. Mas um certo grupo de pessoas defende que ela é uma dança – e não música. E há quem preferiu falar de um género e, outros, de um ritmo.

A maioria dos intervenientes afirmou que a marrabenta é um ritmo em constante evolução e também transformação. Ou seja, ela está a resistir à passagem de tempo, deixando antever que estes são apenas os primeiros anos de um ritmo que atravessou – e continua a fazê-lo – gerações e tende a impor-se num mundo marcado por influência estrangeira.

A nível nacional, a marrabenta proclama-se como a música de unidade nacional, embora tenha surgido – e seja tocada frequentemente – na região sul do país. Orquestra Djambo de sempre Depois de uma hora e meia de debate, a Orquestra Djambo provou que a marrabenta não se discute, canta-se e dança-se. Numa actuação de 40 minutos, pode-se dizer que musicalmente o grupo não apresentou nada de novo. Ouvimos as mesmas músicas de sempre com uma longevidade de mais de 30 anos.

Mas a orquestra transmitiu uma energia única com as músicas e os passos de dança invulgares. Só havia olhos e ouvidos para o grupo. O público aplaudiu euforicamente. Ouvia-se suspiro da plateia. Os espectadores pediam repetição das músicas. O sucesso “Elisa Gomara Saia” fez com que os espectadores se levantassem e dançassem. Assistiu-se a passos de danças desajustados mas pouco importava, pois o importante era juntar-se à festa.

A orquestra inovou ao cantar com o jovem músico Simba, neto do decano da Orquestra Djambo Moisés. Numa apresentação que cortava o ritmo dos passos de dança, o rapper Simba deu o seu melhor e o resultado não foi satisfatório: a marrabenta “recusava-se” à influência.

A magia, a popularidade, a criatividade aliadas aos passos de dança, à modaskavalu, e a sabedoria e conhecimento do mais velho da orquestra, os “Djambos” tiveram como resultado a total rendição do público que superlotava o centro Ntsindya.

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