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Reassentados pela Vale ameaçam endurecer a reivindicação em Moatize

O processo de negociação  entre os representantes da empresa Vale e das 1365 famílias reassentadas na região de Cateme e Unidade 6 do bairro 25 de Setembro, no distrito de Moatize, na província central de Tete, está a ser marcado por irregularidades e tentativas de manipulação, ameaças e intimidação, segundo reporta a Acção Académica para o Desenvolvimento das Comunidades Rurais (ADECRU) que acompanha de perto o desenrolar dos acontecimentos naquela zona.

Aquela agremiação refere ainda que depois do primeiro encontro realizado na última Sexta-feira (19), nas instalações do governo distrital de Moatize, entre às 15h30 e 16h30, os representantes das famílias abrangidas informaram que a tónica dominante dos representantes da Vale e do governo local foi a repreensão e culpabilização das famílias, supostamente por avultados prejuízos averbados por esta empresa durante a paralisação das suas actividades.

A Vale, uma vez mais, fez-se representar por funcionários, na sua maioria sem poder de decisão, comandados pelo chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Empresarial da Vale em Moatize. Do lado do Governo moçambicano esteve, entre outros representantes, o comandante distrital da Polícia da República de Moçambique (PRM) numa clara intimidação às famílias e identificação de “cabecilhas”, denuncia a ADECRU.

“Parece que a Policia está para servir a Vale e não o povo e o Estado moçambicano. Quando reclamamos e manifestamos somos detidos, torturados e mortos. Era melhor que não houvesse essa lei de liberdade de expressão e manifestação para que nós não reivindicássemos nossos direitos. Esses direitos funcionam para uns e não funcionam para outros”, denunciou um dos membros da comissão das famílias presentes no referido encontro.

“Nós estamos parados desde 2009 e a Vale está a operar e a produzir, exportando e ganhando lucros altíssimos com a venda do carvão que é feita à nossa custa e sofrimento. Nós temos famílias por alimentar e sustentar. Ao invés de focarem as atenções nas principais questões que nós levantamos, preferiram falar dos impactos e danos dos protestos e não propriamente das nossas preocupações”, acrescentou a fonte da ADECRU.

De acordo com a agremiação, no fim do encontro de apenas uma hora, os representantes das famílias deram um ultimato até esta Sexta-feira (26), para que a Vale responda a todas as legítimas questões colocadas em cumprimento dos acordos e compromissos assumidos durante o processo de consulta e participação pública.

Desta forma, as famílias ameaçam endurecer a luta, cujas estratégias de intervenção não foram reveladas. Para ADECRU, as graves falhas e os vícios deste processo, reflectem a excessiva influência, interferência e poder que a Vale exerce sobre o Governo moçambicano a todos os níveis. Revela também a subordinação do interesse público e da soberania nacional, aos interesses privados de uma pequena elite política em conivência com as grandes corporações transnacionais.

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