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Falta de recursos condiciona avanço de projectos energéticos

A falta de recursos financeiros e humanos constituíram os maiores constrangimentos registados pelo sector de energia em Moçambique ao longo do quinquénio que está prestes a terminar, segundo revelou o Ministro do pelouro, Salvador Namburete.

De acordo com aquele governante, a falta de recursos resultou na demora do fecho do financiamento dos projectos de geração de energia no país, uma situação que veio a deteriorar-se devido a crise económica mundial. Entretanto, Naburete garantiu que nenhum projecto, que já tinha garantia de financiamento, foi abandonado, como são os casos da Refinaria de Nacala-a-Porto, na província nortenha de Nampula.

Este projecto conheceu alguma desaceleração devido a crise financeira internacional e os investidores, que são norte-americanos, estão neste momento a procura de parceiros, bem como de formas para a sua realização. “O projecto não está abandonado. Os investidores estão a buscar novas parcerias e formas de realizar o projecto para poderem avançar. Com os sinais de reanimação da economia mundial, acreditamos que o projecto venha a ganhar um novo ímpeto”, acrescentou.

Outros projectos afectados pela escassez de recursos financeiros e não só foram a construção da segunda linha de transmissão de energia entre Moçambique- Zimbabwe, Moçambique-Tanzânia, por via de Songo. Em relação a Linha Moçambique- Malawi, decorrem as negociações entre a empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM) e o Banco Mundial, ao mesmo tempo que se espera a aprovação do Parlamento malawiano para o mesmo avançar.

Namburete, que fez estes pronunciamentos no encerramento (Quarta-feira) do V Conselho Coordenador do Ministério da Energiam, referiu que o sector registou muitos avanços nos últimos cinco anos, fazendo, desta-feita, uma avaliação positiva do desempenho do mesmo. Um dos sinais desse desempenho “positivo” é a ligação de 390 mil novos consumidores em todo o país, ao mesmo tempo que mais 36 distritos passaram a ter acesso a este recurso, um número que poderá aumentar para 42, caso sejam concluídas ainda este ano as actividades de electrificação em curso.

No que refere as energias novas e renováveis, Namburete fez menção a electrificação de 61 postos administrativos, 150 escolas e igual número de unidades sanitárias no país na base de painéis solares, a montagem da primeira turbina eólica, na província meridional de Inhambane, uma iniciativa que será replicada por todo o país. “Também avançamos na área dos biocombustiveis com adopção da sua política e estratégia, que está em divulgação nas províncias.

Temos vários projectos concretos de biocombustiveis associados a outros de produção e comercialização de jatropha e outras oleaginosas, bem como matérias-primas para os biocombustiveis”, referiu. No que refere a diversificação das fontes de produção de energia, está em preparação a produção de energia a partir do bagaço nas Açucareiras de Marromeu, em Sofala, e Xinavane, na província de Maputo, bem como ao nível do projecto Procana, localizado em Gaza, que visa a produção de cana-de-açúcar para a produção de etanol. Ainda no rol das realizações, Namburete disse que o seu sector promoveu a construção de infra-estruturas de transporte e armazenamento de produtos petrolíferos, tendo sido concluído, estando já em operação o Projecto INPETRO (International Petroleum Terminal), com uma capacidade de armazenamento de 95 mil metros cúbicos, localizado na Munhava, cidade da Beira, província central de Sofala.

Por outro lado, está em curso o Projecto PETROBEIRA (Tanques de Armazenagem de combustíveis, condensado de gás natural e possivelmente biocombustíveis), com capacidade para 17 mil metros cúbicos de combustíveis. Ainda está em curso a reabilitação e modernização dos tanques de armazenagem em Maputo (500 mil metros cúbicos), Beira (50 mil) e Nacala (100 mil). Neste momento, decorre, igualmente, a reabilitação e ampliação da armazenagem de Gaz Natural Liquefeito (GPL), na Matola, província de Maputo, tendo já sido concluída a primeira fase que consistiu na substituição do equipamento obsoleto relativo a armazenagem de GPL.

“Também decorrem acções para a implementação do Projecto PETROLINE, (Oleoduto para transporte de derivados de petróleo da Instalação Oceânica da Petromoc), na Matola, até Witbank (Africa do Sul). O oleoduto terá cerca de 500 quilómetros de comprimento e uma capacidade de transportar cerca de 5 milhões de metros cúbicos de derivados de petróleo por ano”, acrescentou.

No que refere ao aumento do acesso aos combustíveis líquidos nas zonas recônditas a um preço acessível, arrancou a construção de 21 postos de abastecimento em nove províncias do país, ao abrigo do incentivo geográfico para apoio à expansão da rede de combustíveis através da consignação de cinco (5) por cento do valor da taxa sobre combustíveis. Por outro lado, foram construídos 47 novos postos de abastecimento de combustíveis ao longo destes cinco anos, totalizando 254 postos em todo o país, o que representa um aumento na ordem de 23 por cento em relação a 2005.

Entretanto, o sector da energia não conseguiu registar muitos avanços na conversão dos motores das viaturas para passarem a utilizar o gás natural, um processo que ocorre desde 2004. A primeira experiência de utilização de gás natural comprimido nos veículos automóveis iniciou em 2007, estando licenciados dois postos para o efeito. De referir que até ao momento foram convertidas 68 viaturas, das quais 65 privadas e três autocarros dos Transportes Públicos de Maputo (TPM).

“Registamos com satisfação que foi cumprido quase na totalidade o que estava previsto no Plano Quinquenal e ainda realizamos outras actividades que estão fora do programa, como a reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa para a gestão do Estado moçambicano, e o desenvolvimento da central norte, entre outros empreendimentos hidrográficos”, defendeu. O V Conselho Coordenador do Ministério da Energia terminou Quarta-feira tendo decorrido sob o lema “Vamos fazer o uso produtivo da energia para desenvolver o país e combater a pobreza”.

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