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Falta consciência de negócio no empresariado nacional

O Ministro moçambicano da Indústria e Comércio, Armando Inroga considera que o empresariado nacional não tem consciência de que o lucro advém do volume de produtos colocados no mercado e não da inflação dos preços. Inroga fez este pronunciamento esta sexta-feira, em Maputo, num encontro de balanço da quadra festiva 2010 e das visitas de trabalho por si realizadas esta semana na capital e província de Maputo.

Para Inroga, a falta desta consciência está na origem dos constantes aumentos dos preços dos produtos durante a quadra festiva todos os anos no país, quando internacionalmente ocorre o contrário. Para a quadra festiva 2010, o Governo introduziu uma série de medidas para evitar que os preços disparassem e garantir que todos os moçambicanos conseguissem fazer as suas comprar e poupar algum dinheiro. Para o efeito, o Governo decidiu praticar preços de referência para os produtos básicos importados.

Assim, os importadores, ao invés de pagarem as taxas aduaneiras correspondentes ao valor da compra do produto, desembolsariam apenas o equivalente ao preço de referência. Em contrapartida, o Governo e os comerciantes não deveriam exceder os preços previamente estabelecidos com o Governo para os produtos  abrangidos, o que não aconteceu.

Entretanto, toda a estratégia traçada fracassou e Inroga reconhece o facto. Assim, os comerciantes “ganharam” mais, porque os preços chegaram a duplicar, e os consumidores foram os maiores prejudicados, porque nalguns casos preferiram deixar de comprar determinados produtos, com destaque para a batata que acabou por apodrecer no mercado. O Estado saiu, igualmente, a perder, porque deixou de cobrar as devidas taxas aduaneiras, que contribuiriam para “engordar” as suas receitas. “Houve dificuldades para se cumprirem as directrizes do Governo para evitar o aumento dos preços na quadra festiva.

Os privados continuaram a praticar preços altos” reconheceu. “Nós queremos que durante o mês de Dezembro, na época das festas haja saldos em Moçambique, tal como ocorrem no resto do mundo. Ensaiamos isso na quadra festiva de 2010, mas tudo falhou” disse. “Falhou a consciência da importância dos saldos. Mas tivemos situações em que alguns comerciantes baixaram os preços, por exemplo algum arroz da primeira qualidade. Outros foram baixando os preços sazonalmente” acrescentou.

Inroga salientou que quando aumenta a procura, a tendência é dos operadores aumentarem os preços. “Quando as pessoas receberam os seus salários, a procura de produtos aumentou no mercado e os operadores aumentaram os preços, mas na semana seguinte, em que a procura reduziu, os preços registaram um ligeira redução. Depois das festas a situação manteve-se, com preços baixos, mas quando o Estado pagou o 13º salário, os preços voltaram a disparar e agora estão a reduzir” explicou.

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que, no mês de Dezembro de 2010, a variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) da Cidade de Maputo foi de 3,48 por cento, superando o observado em igual período dos últimos três anos. Esta cifra supera, igualmente a taxa regista no mês de Novembro de 2010. Assim, a infracção, no mês de Dezembro situou-se em 16,62 por cento, enquanto a taxa média anual posicionou-se em 12,7, conforme as perspectivas do Governo.

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