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FADM ameaçam paralisar actividades culturais da Casa Velha em Nampula

As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) em Nampula pretendem tirar, à força, os artistas da Associação Casa Velha, caso os grupos culturais não se retirem, a breve trecho, do espaço no qual funcionam os seus escritórios, alegadamente porque o local pertence à Academia Militar Marechal Samora Machel (AM).

Trata-se de um espaço que se encontra na posse da Casa Velha desde o ano de 2005. O local foi entregue àquela associação cultural de Nampula, a título de empréstimo por parte dos militares, por um período determinado, com vista ajudar os fazedores da cultura a desenvolverem as suas actividades naquele local.

Segundo a AM, ao invés de se praticar as actividade culturais, a Casa Velha votou o espaço a práticas nada recomendáveis, transformando as instalações num antro de prostituição e consumo de drogas, além de alguns indivíduos desconhecidos usarem aquele edifício para a prática de criminalidade.

Em resultado disso, a Casa Velha corre um grande risco de interromper as suas actividades culturais, uma vez que o agrupamento diz não ter outro lugar para instalar os seus escritórios no sentido de prosseguir com os trabalhos culturais. Segundo as informações da Academia Militar, a FADM apoderou-se do espaço desde 1970, onde mais tarde o edifício veio a constar da lista dos patrimónios militares daquela instituição.

Os militares afirmam terem encaminhado várias cartas para a direcção da Casa Velha, nas quais solicitavam a retirada dos escritórios daquela agremiação cultural. Mas os representantes da organização não acataram o pedido, alegadamente por eles terem feito um investimento na construção daquele edifício.

Reagindo ao assunto, o coreógrafo da Casa Velha, Lúrdio Tomo, negou as acusações que pesam sobre a associação, tendo acrescentado que existe um certo preconceito por parte dos militares, uma vez que os artistas ostentam dreadlocks e são amantes do movimento rastafári. Por outro lado, Tomo reconheceu a Academia Militar como proprietário legal do espaço em alusão, mas disse não ter outro sítio para executar as actividades culturais, caso sejam retirados daquele local.

Refira-se que esta não é a primeira vez que a colectividade da Casa Velha é obrigada a abandonar as suas instalações. Em 2005, o grupo foi expulso do Museu de Etnologia, onde funcionavam os seus escritórios.

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