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Fabriquetas caseiras inquietam indústria química

O surgimento de pequenas indústrias caseiras, maioritariamente ilegais, preocupa o sindicato e os industriais do sector químico e afins. Esta tendência, segundo o sindicato, está a promover a concorrência desleal que já levou várias empresas de renome a falência, colocando milhares de trabalhadores no desemprego.

O Secretário-Geral Adjunto do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Industria Química e Afins (SITIQUIAF), Mário Sitoe, disse que este sector, que ainda se recente do drama das privatizações, que levou mais de Dez mil trabalhadores ao desemprego, enfrenta dificuldades para a sua reanimação. Sitoe falava a AIM, a margem do encontro de reflexão sobre a situação deste sector de actividade, que decorreu desde segunda-feira, e teve o termino previsto para quinta-feira, na cidade industrial da Matola.

Segundo ele, estas fabriquetas, que já são pouco mais de 200, nalgumas das vezes empregando de forma sazonal, fogem ao controlo do Governo e dos próprios sindicatos. “Porque são ilegais e fogem ao fisco, o que torna os seus produtos baratos em relação aos produzidos nas indústrias legais, promovendo a concorrência desleal, só são descobertas, na maioria dos casos, por causa dos reclames que colocam em locais públicos”, explicou Sitoe. O sindicalista anotou que “estas pequenas indústrias, favorecidas pela lei que autoriza a contratação de trabalhadores por tempo determinado, funcionam, na maioria dos casos, com encomendas, o que lhes leva a recrutar trabalhadores ocasionais”.

Para a fonte, isto acontece porque “terminada a encomenda, estes retornam ao desemprego até que apareça a próxima (encomenda)”. Em face deste fenómeno, segundo a mesma, conjugado com a falta de apoio do Governo aos industriais nacionais, só no sector gráfico e papel, nove empresas fecharam, colocando no desemprego 572 trabalhadores. Sitoe apontou, como exemplo, o encerramento da empresa Moderna, outrora conhecida a nível interno e internacional devido a qualidade de serviços que prestava as instituições nacionais e estrangeiras. Aliado a este constrangimento, Sitoe frisou que este sector de actividade regista poucos avanços devido a falta de apoio e a concorrência desleal.

A eliminação da pobreza passa necessariamente pela criação de novos postos de trabalho o que só se pode efectivar apoiando o empresariado nacional, realçou a mesma fonte. Sitoe apelou ao Governo no sentido de apoiar a reabertura das empresas produtoras de bens de exportação, incentivando, também, o consumo do produto nacional. Estes e outros problemas, segundo Sitoe, levaram o sindicato a organizar o encontro de reflexão que reúne o movimento sindical, empresários do sector e representantes de instituições do Governo e vários convidados nacionais e estrangeiros, para uma reflexão conjunta sobre como proceder para o relançamento da indústria nacional que conta actualmente com 263 empresas no activo, empregando 12.372 trabalhadores.

No encontro participam também convidados estrangeiros como é o caso da Federação Internacional da Industria Têxtil, Vestuário, Couro e Calcado de Africa, O Sindicato dos Químicos e Gráficos da Africa do Sul, e o Sindicato dos mineiros também da terra do rand.

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