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ISTO É: Estive na Govelândia!

…e ninguém promove(rá) derrotas nacionais para extrair benefícios egotistas.

Ouri Pota Chapata Pacamutondo – assim, começo esta opinião porque sinto que, neste momento, é este o jornalista cultural que, em Maputo, assiste jovens-recém formados na área, dentre os quais eu que, na Govelândia, testemunhei o facto quando – perguntou a Carlos Gove o seguinte: “Se nesta noite em que lançou o seu projecto Massone fosse convidado para um cargo político, depois do sucesso que teve, trocaria a arte?” Entre a resposta de Carlos Gove à pergunta de Ouri Pota e esta brincadeira que fiz em relação ao seu nome, criando a Govelândia, ou simplesmente, a terra dos Gove, há muitos aspectos envolvidos.

Admito que a ideia de existir um país que se chame Govelândia pode parecer forçada da minha parte. Mas havendo, pela experiência que tive na sexta-feira passada, penso que muitos moçambicanos iriam querer viver lá. Mudariam de nacionalidade e seriam govelândios.

Em jeito de quem quase rejeita a petição, que corporiza na pergunta de Pota, Gove explicou que “os poucos artistas que conheci, que trocaram a arte por cargos políticos, acabaram arruinados e reduzidos a algo muito inferior do que são ou podiam ser na actividade artística”.

Para consubstanciar o pensamento de Gove, em Moçambique, recordo-me de que o dramaturgo e actor Dadivo José, na sua peça Lá na Morgue, em que contracena com a minha amiga Milsa Ussene, actriz emergente dos nossos tempos – haja muita atenção para com ela – sob a encenação de Maria Atá- lia, fala sobre um Joaquim da Silva que aliciado pelo Poder Político, acabou Lá na Morgue, frustrado, a cometer as mais horrendas atrocidades contra cadáveres. Por vezes – dizem – profanava-os!

Mas esse exemplo, mau, não deve ser sublimado, sob pena de se frear no país a existência de governantes que sejam artistas. Aliás, no início da República Popular de Moçambique, já tivemos o escritor Luís Bernardo Honwana, como ministro da Cultura. Nesse tempo, pelo que se reporta, a vida era uma maravilha.

Os criadores não minguavam como acontece hoje. Diferentemente do sistema – esclareça-se que – esse escritor não se deixou corromper pelo regime. No Brasil, o pai da cantora e actriz Preta Gil foi governante da época do Presidente Lula da Silva – não sei o que se passa com ele agora, porque não tenho acompanhado muito a Política – mas essa personalidade é um dos músicos célebres que se tem naquele imenso torrão da América Latina. Nesta época de Dilma Rousseff, um dos melhores humoristas que esse mundo conhece, Tiririca, encontra-se no Parlamento Brasileiro e continua ARTISTA, intacto e incorruptível, defendendo quem o colocou no Poder – o Povo Brasileiro.

Sei também que o actor austríaco, Arnold Schwarzenegger, ou simplesmente Comando (cujos filmes, um dos quais O Exterminador Implacável, o qual apesar de que eu não prezo a violência não tinha como crescer sem ver) também foi um governante nos Estados Unidos da América, na Califórnia.

É verdade que trabalhou num regime que a humanidade não fez muito esforço para esquecer – o de George H. W. Bush. Mas em Angola, ainda se tem em mente o nome do Poeta Agostinho Neto, o fundador daquela nação. Acredito que, se fosse vivo, Neto continuaria a lutar pelo Povo Angolano como fez durante o colonialismo. Não sei o que é que se passa com o Poeta Armando Artur. É muito esforçado. Trabalha muito.

Mas, contra os problemas principais da classe artística, não há soluções concretas, encontradas e materializadas. Talvez, o tempo seja miúdo. Por isso, escuso-me de comentar. Eu estive na Govelândia – um Estado cujo líder é o baixista moçambicano, Carlos Gove – por isso, estimados leitores, posso-vos assegurar de que lá a vida é muito melhor.

Os jovens, todos, são incluídos nos programas de governação, têm oportunidades de trabalho, vão à escola e têm norte na vida. Lá a criminalidade e a prostituição não são um recurso, porque as pessoas, todas, estimam o seu Presidente que é um líder.

Respeitam-no, honram-no e têm medo de decepcioná-lo porque ele – com acções objectivas – deposita toda a sua confiança nos jovens mais do que eles confiam em si próprios. Não faz de uns filhos e de outros enteados – e isso inspira-lhes.

O Presidente da Govelândia – com as suas políticas concebidas com o envolvimento e o consentimento do Povo – ensina as pessoas a trabalhar, a olhar para frente e a materializar os seus sonhos. Na Govelândia vivem homens perfectíveis.

Por isso também há dificuldades, há erros, mas os mesmos não são sublimados. Não são repetidos, sistematicamente como acontece aqui, porque há sentido de comunidade. Há partilha de vitórias e derrotas e ninguém promove(rá) derrotas nacionais para extrair benefícios egotistas. Infeliz- mente, a Govelândia é um sonho, uma utopia, mas, ainda assim, pode ser materializada. Construamos a Govelândia que há em cada um de nós – já temos referências. Inspiremo-nos e sigamos em frente!

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