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Esquerda tem pouca chance de governar a Grécia

O partido grego Coligação de Esquerda terá, esta Terça-feira, uma histórica chance de formar um governo contrário ao plano de resgate da União Europeia e FMI, uma vez que os conservadores foram incapazes de montar uma coligação depois das inconclusivas eleições de Domingo no país.

Mas tudo conspira contra a formação dum governo de esquerda, o que abre a perspectiva de novas eleições.

O líder esquerdista Alexis Tsipras, de 37 anos, cujo partido foi alçado à segunda colocação por um eleitorado irritado com as recentes medidas de austeridade, terá a tarefa de tentar seduzir pequenos grupos para formar o primeiro governo totalmente de esquerda na história moderna da Grécia.

Ao rejeitarem os dois partidos mais tradicionais, o conservador Nova Democracia e o socialista Pasok, os gregos deram de ombros para o risco duma falência do Estado e para a ameaça de exclusão do país da zona do euro, embora o governo tenha advertido que o caixa está a esvaziar-se rapidamente.

Se os líderes políticos não forem capazes de formar uma coligação, a Grécia pode ter umas novas eleições já próximo mês, causando mais incertezas.

“O país está a encaminhar-se a alta velocidade rumo à catástrofe”, disse o jornal Kathimerini em editorial.

“Se um governo de salvação nacional não for formado nos próximos dias, novas eleições tornar-se-ão inevitáveis.”

Segunda-feira, o presidente Karolos Papoulias deu prazo de três dias para a formação dum gabinete sob o comando de Antonis Samaras, cujo partido Nova Democracia teve a maior votação, Domingo.

Mas Samaras admitiu o fracasso no mesmo dia, depois de ser rejeitado por vários líderes partidários.

Tsipras, para quem o pacote internacional está a afundar a Grécia ao invés de salvá-la, é o próximo da fila, e irá receber, Terça-feira, o aval presidencial para tentar formar a coligação com os fragmentados grupos de esquerda.

A Coligação de Esquerda, dissidência do tradicional Partido Comunista, quer que a Grécia permaneça no euro, mas rejeite o pacote de 130 biliões de euros de ajuda internacional.

Os comunistas já rejeitaram a hipótese de participar do governo, e outros partidos contrários ao pacote não têm bancadas suficientes para formarem uma maioria junto com a Coligação de Esquerda.

Por isso Tsipras terá pouquíssimas chances de sucesso se não atrair o apoio dum grande partido.

A Grécia tem até o próximo mês para definir mais 11 biliões de euros em cortes orçamentários para 2013 e 2014 em troca de mais ajuda.

As autoridades disseram à Reuters que o governo pode ficar sem dinheiro até o final de Junho se não houver um governo formado para negociar uma nova parcela da ajuda com a UE e o FMI.

Se Tsipras não conseguir formar a coligação, o Pasok será o próximo da fila para tentar. O Nova Democracia e o Pasok, que há décadas alternam-se no governo, conseguiram apenas 32 por cento dos votos e 149 das 300 cadeiras parlamentares

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