Para continuarmos  a fazer jornalismo independente dos políticos e da vontade dos anunciantes o @Verdade passou a ter um preço.

Escassez de recursos dita novos ataques xenófobos em Orange Farm e Sebokeng

A escassez de recursos locais para acomodação e bens para a comercialização informal está na origem de novos ataques xenófobos registados nas últimas duas semanas em Orange Farm e Sebokeng, subúrbios vizinhos, localizados a sul de Joanesburgo, que vivem a braços com índices assustadores de desemprego.

Na sexta-feira da semana passada, a marcha que teve lugar em Orange Farm contra a expropriação de casas adquiridas ilegalmente pelos residentes locais, promovida pelo recém-criado Partido Socialista e dos Trabalhadores (Wasp), culminou com actos de sabotagem e de pilhagem às lojas pertencentes a cidadãos estrangeiros.

Este evento é idêntico ao ocorrido em Fevereiro de 2010, quando estudantes do ensino primário se envolveram em saques às lojas de emigrantes em Orange Farm, como forma de protestar contra a falta de bens de primeira necessidade.

Desta vez, os protestos foram organizados pela Wasp, que desmente a autoria das pilhagens. Entretanto, o partido reconhece que os residentes de Orange Farm competem para a obtenção de bens de primeira necessidade e que estes viviam com as sequelas da xenofobia.

Os saques

O porta-voz da polícia provincial de Gauteng, Lungelo Dlamini, disse que estas ocorrências teriam iniciado, na segunda-feira da semana passada, os protestos em torno da escassez de bens de primeira necessidade em Sebokeng, o último subúrbio a sul da província de Gauteng.

As estradas de acesso ao bairro foram bloqueadas e o protesto rapidamente espalhou-se para os subúrbios vizinhos de Evaton e Orange Farm, que se localizam a menos de 20 minutos. A Polícia suspeita que a circulação pelas vias tenha sido interrompida na tentativa de inviabilizar o acesso da corporação às zonas atingidas pelos saques.

Já na quinta-feira da semana passada, a Polícia teria advertido os estrangeiros residentes naquelas áreas para que abandonassem o local, tendo ainda ajudado alguns a retirarem os seus bens das lojas e das suas residências.

A corporação recebeu ainda informações de que as escolas seriam encerradas na última sexta-feira, para que os petizes participassem nos protestos. Mais de 100 pessoas foram detidas em conexão com a pilhagem das lojas e residências de estrangeiros e compareceram perante o tribunal esta semana.

Evidências de perigo

Os proprietários das lojas passaram a noite da sexta-feira nos arredores do posto policial. Vidros quebrados nas suas lojas serviram como evidência do perigo que corriam naquele dia. Para a Wasp, o triste cenário não está directamente ligado à violência xenófoba de 2008, porém, afirma que os “ingredientes” para uma nova onda de xenofobia estão patentes.

O porta-voz da nova formação política, Mamatwe Sebei, diz que os incidentes da última semana não devem ser vistos como ataques xenófobos. Para Sebei, o actual dilema da habitação na área irá continuar a criar condições para a ocorrência de uma nova onda de violência, em particular contra o cidadão estrangeiro.

Os residentes de Orange Farm afirmam que o Governo edificou cerca de mil casas para distribuí-las pelos mais desfavorecidos, um projecto denominado RDP, mas grande parte dos edifícios teria sido ocupada ilegalmente.

Milton Maluleque

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on pinterest
Pinterest

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Posts

error: Content is protected !!