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Erosão dos solos ameaça Nametil

A vila sede do distrito de Mogovolas, Nametil, na província de Nampula, encontra-se seriamente ameaçada pela erosão, fenómeno que é provocado pela falta de um sistema de drenagem das águas pluviais tendo em conta a sua localização geográfica agravada pela ocupação desordenada de terrenos para a construção de habitações como consequência de fluxo de pessoas que saem do campo para vila.

A gravidade do problema já provocou o desabamento de algumas infra-estruturas importantes, como é o caso do edifício da cadeia do distrito.

A vila de Nametil, uma das mais movimentadas da zona sul da província de Nampula, vai sendo progressivamente engolida pela erosão por nunca ter sido desencadeada nenhuma acção por parte de quem de direito visando o controlo das pequenas e grandes ravinas provocadas por este problema.

O problema é crítico no que respeita à degradação ambiental, nas zonas residenciais de Meluli, Mamacaro, no chamado quilómetro 74 e outras onde a nossa Reportagem viu “in loco” e que já deviam ter merecido há bastante tempo, a execução de actividades de contenção da força erosiva das águas pluviais.

Alguns moradores entrevistados pela nossa Reportagem são da opinião de que a solução definitiva dos problemas provocados pela erosão naquela vila, passa pela construção de um sistema de drenagem eficiente e consistente das águas pluviais, sobretudo nas zonas onde passa a estrada principal de Nametil.

“Por mais que se possa fazer obras de combate a este problema como estas que estamos a ver agora, nada resultará enquanto a vila não tiver um sistema de escoamento das águas, principalmente no tempo chuvoso em que a situação se agrava”, disse Rosa Monte, residente na vila.

Por conseguinte, a nossa entrevistada disse haver necessidade de se proceder o ordenamento da vila, pois que neste momento verifica-se uma ocupação desordenada de espaços por parte de pessoas que afluem à vila, procurando melhores condições de vida, vindas das zonas rurais do distrito que constróem casas em sítios impróprios.

António Agostinho, foi um dos que foi entrevistado pela nossa Reportagem a propósito da problemática da degradação ambiental com destaque para a erosão naquela vila, o qual depois de secundar a convicção da primeira entrevistada, culpou as autoridades governamentais locais de alegadamente não se preocuparem com esta questão séria que põe em risco a existência física da vila de Nametil.

Conforme ele, é certo que o tipo de trabalho que deve ser feito no combate a erosão naquela vila requer muito dinheiro, mas tendo em conta que está em causa a existência de infra- estruturas sociais e económicas do distrito de Mogovolas, há muito que algo já deveria ter sido feito para conte-la.

A vila por estar situada entre rios e numa zona inclinada, faz com que no tempo chuvoso fique muito complicado circular em Nametil, dado que as ravinas aumentam de diâmetro, em virtude as chuvas que caem estarem a “comer” as estradas, principalmente a que liga Nametil ás cidades de Nampula, Angoche e vila de Moma.

O director de planeamento e infraestruturas no distrito de Mogovolas, considerou de grave o actual problema da acção erosiva das águas pluviais na vila de Nametil, razão porque o executivo de Mogovolas acaba de desencadear as obras de emergência de contenção do fenómeno que está cada vez mais a alastrar-se a outras áreas residenciais e económicas da vila de Nametil.

Tais trabalhos de minimização dos efeitos de erosão, segundo Ruben Basílio, consistem essencialmente na construção de pequenos e grandes muros de contenção, valas de drenagem, barreiras e lancis particularmente nas zonas consideradas mais atingidas da vila, como são os casos do bairro onde se situa a cadeia distrital e o centro de saúde incluindo a do chamado quilómetro 74.

Segundo ele, se não fosse as limitações financeiras com que se debatem as autoridades locais, há muito que essas actividades de combate ao fenómeno já deveriam ter sido desencadeadas nesta vila, conforme vê estas ravinas que precisam de grandes obras de construção de contenção.

Na realidade não é preciso fazer grande esforço para constatar a gravidade da situação provocada pela erosão na nossa vila. Mas agradecemos o apoio financeiro da direcção provincial da coordenação da acção ambiental, que através dele só agora é que conseguimos arrancar com as obras de emergência de combate ao fenómeno, disse.

Ele lamentou também o facto de na verdade as contrições desordenadas de infra- estruturas como consequência de fluxo de pessoas àquela vila, que nos últimos tempos se regista, estar a constituir um dos principais factores para o agravamento dos problemas originados pela erosão em Nametil.

Segundo explicou, no bairro considerado como fazendo parte da zona da barragem que em tempo fornecia a água à vila de Nametil e proibida de fazer construções de qualquer tipo, actualmente invadida pela população é uma das que contribui para que os efeitos da erosão sejam nefastos.

A fonte acrescentou o agravante é que é uma zona alagada que não oferece mínimas condições para ser habitada, mas as pessoas insistem em viver lá enquanto ainda esteja a ser feito algum trabalho visando à sua retirada compulsiva.

É preciso destacar o facto de algumas infra- estruturas importantes da vila terem desabado por causa da erosão. Tal é o caso do edifício da cadeia distrital, onde fomos obrigados a fazer algum trabalho de contenção da erosão mesmo que esse edifício se encontre nessas condições.

Um outro factor que agrava os problemas de erosão na vila de Nametil, tem a ver, conforme referiu o director de planeamento e infra-estruturas de Mogovolas, com a sua situação geográfica.

É que a vila está situada entre rios e numa inclinação, o que faz com as águas pluviais corram e arrastem consigo toda areia para a zona baixa com agravante de que nunca teve um sistema de drenagem das águas pluviais.

Por constituir um problema bicudo, o governo do distrito promete continuar a trabalhar no sentido de minimizar os efeitos da erosão na vila, tanto é que espera que recebe mais apoios financeiros para o efeito, tal como o fez a direcção provincial da Coordenação da Acção Ambiental de Nampula, que conforme está dito, viabilizou o desencadeamento das obras de emergência de combate a este mal ambiental em curso na vila.

Contudo , as autoridades administrativas de Mogovolas , congratulam-se com alguns poucos residentes da vila sede distrital de Nametil que colaboram na execução de obras de combate a erosão e prometem também iniciar com as actividades de sensibilização no seio dos moradores, sobre a necessidade e importância da preservação e conservação do meio ambiente para que a vila não seja engolida ou destruídos pelos efeitos da erosão.

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