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Entendidos consideram o estágio de cooperação luso-moçambicana “invejável”

Mais de 200 empresas portuguesas, ou moçambicanas, mas de interesses portugueses, operam actualmente em Moçambique, com o sector financeiro a liderar, seguindo-se a hotelaria e negócios.

A poucas horas do início da visita a Moçambique do Primeiro- Ministro português, José Sócrates, centrada especialmente na cooperação económica, alguns responsáveis do sector económico comentaram, sobre a posição de Portugal no país, que a mesma está a um nível “invejável”. Em Maputo basta ir a um supermercado para verificar a presença de produtos portugueses em grande quantidade, mesmo nos estabelecimentos sul-africanos, como a cadeia Shoprite. Nos supermercados as águas portuguesas rivalizam com as sul-africanas (quando não são as únicas à venda), como os vinhos, o leite ou os sumos. O azeite é português e as azeitonas também, os cafés, os produtos de pastelaria (o sabor pelo menos), algumas marcas de cervejas e enchidos.

“Cultura é tudo, incluindo a barriga. As pessoas estão habituadas a certos produtos. Mas não considero que Portugal esteja a ser privilegiado em concursos por parte do Governo de Moçambique, temos é vantagens comparativas, fazer formação com portugueses não é a mesma coisa que com sul-africanos”, disse uma fonte ligada à área dos investimentos portugueses. Sector bancário Portugal está representado em primeiro lugar na banca, através especialmente do Millennium BIM e do BCI, no lazer (hotéis), nas empresas de construção civil e nos serviços (Tv Cabo, Teledata, água…). Está também na consultadoria, na informática, nalguma indústria (tubos, cimentos…), e vai estar em breve na pasta de papel.

“O investimento da Portucel é de uma enorme dimensão e dos mais significativos. Vai tornar Moçambique um dos maiores produtores de pasta de papel e empregar 8000 pessoas”, disseram outras. Grupos portugueses (Mota Engil e Espírito Santo) ganharam recentemente o concurso para a construção da ponte de Tete e de estradas na província do Norte do país, a Galp está a construir bombas de gasolina, e há dezenas de pequenas empresa de todos os ramos com portugueses à frente. Segundo dados oficiais (os mais recentes), Portugal foi em 2009 o segundo país que mais investiu em Moçambique, logo a seguir à Noruega.

A Noruega, com dois grandes projectos, investiu 742 milhões de dólares (547 milhões de euros), seguindo-se Portugal com 45 projectos e 689 milhões (508 milhões de euros), e depois as ilhas Maurícias, com 67,7 milhões de dólares. A Índia ficou em quarto lugar, com 64 milhões e só depois a África do Sul, com 55,5 milhões de dólares. Em números de projectos, o país que liderou foi a África do Sul, com 71, mas Portugal surgiu logo a seguir com 45. Em terceiro aparece o Reino Unido com 15 projectos. Também no ano passado as exportações portuguesas para Moçambique cresceram 33,3 porcento e as moçambicanas para Portugal 26 porcento. Em números reais, Portugal vendeu a Moçambique produtos no valor aproximado de 121 milhões de euros e comprou produtos no valor de 41 milhões.

De Moçambique chega a Portugal açúcar e camarão, basicamente, e a Maputo, com origem em Lisboa, chegam máquinas e aparelhos, produtos alimentares e, sobretudo, livros, o principal produto que Moçambique compra a Portugal. Depois de se manter durante cinco anos como o 35.º cliente de Portugal, Moçambique passou no ano passado a 25.º. Como fornecedor o país tem vindo também a subir, estando agora na posição 62, uma posição acima da verificada em 2008 e sete acima de 2007.

Quinta-feira da próxima semana, no âmbito da visita de José Sócrates, empresários portugueses e moçambicanos vão reunir-se em Maputo para discutir as relações económicas entre os dois países. O tema será, sobretudo, as energias renováveis. Representantes de sete empresas do sector energético acompanham José Sócrates na visita a Moçambique.

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