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Empreiteiros moçambicanos e portugueses estreitam parcerias

Os empresários moçambicanos e portugueses que operam no sector de construção civil acabam de estreitar parcerias com vista a transferência de tecnologias e formação de quadros.

 

 

Nesse contexto, foram assinados, quarta-feira, em Maputo, vários acordos entre a Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME) e a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas de Portugal (AICCOPN), Centro de Formação Profissional da Indústria de Construção Civil e Obras Públicas de Portugal (CICCOPN) e o Centro de Formação Profissional da Machava.

Segundo o Presidente da FME, Agostinho Vuma, os acordos ora assinados vão permitir aos empreiteiros moçambicanos aumentarem a sua capacidade técnico-financeira.

“Nesta parceria com Portugal nós privilegiamos a transferência de tecnologias. Reconhecendo a capacidade dos empreiteiros portugueses achamos que esta é uma oportunidade para aumentarmos a nossa capacidade técnicofinanceira”, disse.

Vuma acrescentou que “com estes acordos pensamos que vamos conseguir alavancar a capacidade dos empreiteiros nacionais. Neste momento, a nossa capacidade técnica tem limitação que vão desde a gestão até ao nível micro. Portanto, a formação de quadros deverá privilegiar as áreas de gestão, administração, ‘proccurment’ e formação de operários”.

Para Vuma, a parceria com Portugal é estratégica na medida em que será fácil tirar proveito dos pacotes financiados pela União Europeia (UE).

De referir que a UE exige que as obras financiadas por si sejam executadas por europeus em parceria com os beneficiários. Uma vez que os empreiteiros moçambicanos têm fraca capacidade para executar grandes obras, as parcerias com empresas dos países europeus, como Portugal, são estratégicas.

“Pretendemos garantir que os pacotes financiados pela UE e os investimentos portugueses sejam uma mais valia para Moçambique e para o povo. Verifica-se em muitos países a exportação de divisas porque muitas vezes se negoceiam financiamentos e estes não privilegiam benefícios para os nacionais. E nós queremos ganhos para a nação”, explicou.

De referir que a UE está a apoiar o sector de estradas com 22.5 milhões de Euros para três anos, financia projectos de saneamento da cidade da Beira, no centro do país, com 40 milhões de Euros e a reabilitação do troço Milange-Mocuba, na província central da Zambézia, avaliado em 70 milhões de Euros.

Por sua vez, o Presidente da AICCOPN, Reis Campos, considera que Moçambique é um mercado de interesse estratégico para os empreiteiros portugueses.

Segundo Campos, as firmas portuguesas tem a oferecer a Moçambique tecnologias de ponta e ainda possibilidade de formar quadros no seu Centro de Formação Profissional da Indústria de Construção Civil e Obras Públicas.

Em contrapartida, os empresários portugueses querem participar em todas as obras que se pretendem desenvolver em Moçambique em parceria com empreiteiros nacionais.

“As empresas portuguesas já mostraram que são capazes em termos de engenharia e construção e tem uma qualidade reconhecida. Temos a oferecer a nossa tecnologia e esperamos participar nas obras que Moçambique pretenda desenvolver nos próximos tempos”, disse Campos, acrescentando que “temos um centro de formação profissional, com dois mil formandos, e já há interesse de formar lá técnicos moçambicanos”.

Segundo Campos, o mercado externo português de construção cresce anualmente 39.5 por cento nesta última década Moçambique e Angola contribuem com 61 por cento do volume de negócios das empresas portuguesas.

Questionado se as empresas portuguesas não estariam a se sentir ameaçadas pela entrada massiva de firmas chinesas no sector de obras públicas em Moçambique e não só, Campos respondeu que Portugal tem e sempre terá o seu espaço no país.

“As empresas portuguesas têm se afirmado em África e em Moçambique, em particular, o que leva a crer que este problema não se coloca. Portugal tem e sempre terá o seu espaço na actividade económica de Moçambique”, defendeu.

De referir que para além dos acordos assinados, os empreiteiros moçambicanos e portugueses discutiram oportunidades de investimento em cada um dos países.

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