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Embaixador Americano em Angola Dan Mozena fala acerca de fazer negócios em Angola

Investidores, empresários e executivos dos Estados Unidos e de Angola estão a “descobrir-se mutuamente” e a concluir que “são parceiros naturais nos negócios”, disse o Embaixador Americano em Angola, Dan Mozena ao America.gov, a 29 de Setembro. Mozena fez estes comentários na conclusão duma sessão de abertura da Sétima Cimeira Empresarial Bienal EUA-África, que incidiu em fazer negócios em Angola. Olhando para a sala cheia num hotel na baixa de Washington, Mozena disse, “Esta conferência é extraordinária; olhem para esta sala cheia de gente que está a tentar desenvolver relações empresariais com os Estados Unidos. Devo dizer, antes de mais, que estou totalmente surpreendido com a assistência”.

“Esta conferência é importante porque penso que a América e Angola se descobriram mutuamente. Somos parceiros naturais em negócios. Os importadores angolanos precisam de produtos americanos. Os exportadores americanos estão desejosos de exportar e o Export-Import Bank [dos EUA] está a conceder financiamento para que isso se torne possível”, disse ele. Para ajudar a desenvolver ainda mais esta relação, Mozena está a trabalhar no sentido de garantir a representação do Departamento Americano do Comércio em Luanda “para juntar exportadores americanos a importadores angolanos”. Mozena previu com confiança “Vamos fazer grandes negócios”.

Questionado sobre em que deviam investir os americanos, Mozena respondeu que na agricultura. “Venho duma fazenda de criação de gado leiteiro no Iowa [estado americano do Midwest]. Adoro a agricultura e, deixem-me que vos diga, têm 35 milhões de hectares, ou seja 65 milhões de acres, de terra arável, vazia, à espera de ser cultivada em Angola. Além disso, existe um grande potencial de processamento agrícola de sumos e frutas e coisas desse género. Continua cada vez mais”, disse. Segundo Mozena, outras áreas de investimento abrangem equipamento agrícola, em que os produtores americanos desse equipamento têm procura; pescas em que “devíamos estar a vender barcos de pesca e a ajudar a indústria de processamento; e madeira, em especial madeira tropical porque o país possui recursos enormes em florestas tropicais.

“O mercado crescerá à medida que a economia reviver”, previu com confiança. Inquirido sobre o estado actual do comércio EUA-Angola, Mozena disse: “No ano passado os Estados Unidos gastaram cerca de $18 mil milhões, principalmente na importação de petróleo e de alguns diamantes. Exportámos para Angola cerca de $2 mil milhões. Essa é uma diferença de cerca de $16 mil milhões, o que significa que mais alguém está a juntar $16 mil milhões dos nossos petrodólares e eu estou a reagir; quero fazer com que mais desses petrodólares regressem à América”. A sessão “Fazer Negócios em Angola” contou com apresentações de Connie Hamilton, assistente adjunta do Representante Comercial Americano para África e Tiago Gomes, secretário geral da Câmara de Comércio e Indústria de Angola.

Maria Luísa Abrantes, representante comercial de Angola nos Estados Unidos, também falou ao grupo. Nos seus comentários, Hamilton incidiu em dois pontos positivos na relação comercial EUA-Angola: a Lei para o Crescimento e a Oportunidade de África (AGOA), para a qual Angola se tornou elegível em 2003, e o Acordo Quadro de Comércio e Investimento EUA-Angola (TIFA). A AGOA foi um passo importante, disse ela, de acordo com o objectivo do governo angolano de diversificar a economia do país para além de petróleo e gás. “No ano passado, Angola foi o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos na África Subsariana e o nosso 31º maior parceiro comercial em geral, tendo o petróleo e o gás contribuído para a grande maioria desse comércio”, disse ela.

Embora o comércio EUA-Angola esteja “a aumentar”, Angola ainda não “encontrou o seu nicho” no seio da AGOA “em parte porque ainda estamos a descobrir o potencial dos nossos respectivos mercados”. Há, contudo, algo que Angola pode fazer já para aproveitar mais a AGOA como a implementação duma estratégia nacional AGOA a fim de determinar a vantagem comparativa do país, para além do petróleo e do gás. Segundo ela, Angola tem algumas das terras mais férteis do mundo, mas está a cultivar apenas 5% dessas terras. “Se esta situação for resolvida, Angola poderá satisfazer todas as suas necessidades alimentares e também de parte da sub-região”.

Ela também sugeriu que Angola procure produzir mais produtos de “valor acrescentado” ou acabados, particularmente no sector agrícola. Outros países africanos estão a exportar automóveis, produtos de ferro e aço, amendoins, insecticida, citrinos, vinho, peixe, flores frescas e outros produtos para os Estados Unidos. “Os angolanos sabem o que podem produzir melhor” e quando esses produtos forem identificados, os angolanos poderão procurar parceiros comerciais na América, que sabem melhor como importar esses produtos para os Estados Unidos. O centro de comércio de Competitividade Mundial da África Austral em Gaborone, Botswana, seria de grande ajuda neste esforço, declarou ela.

No recém-publicado relatório do Banco Mundial Doing Business 2010 Angola ficou classificada em 169º lugar em 183 países quanto à facilidade em fazer negócios. “Isto não é bom”, declarou ela. Melhorar esta classificação mostrará aos investidores que o governo de Angola está decidido a melhorar o seu clima de negócios. Angola está agora a competir com os principais reformadores como Maurícias, Botsuana, Gana e Ruanda, que foram considerados principais reformadores em todo o mundo por Doing Business 2010. “Os angolanos podem fazer o mesmo”, disse ao grupo. Relativamente ao TIFA, ela afirmou que o documento, que foi assinado a 19 de Maio de 2009, faculta um processo formal numa série de questões acerca de relações comerciais. Ela exprimiu que a assinatura do TIFA é “apenas o começo”. Lembrou a todos que há muito trabalho pela frente, estando prevista a primeira reunião do TIFA em Luanda em 2010.

Falando em nome dos angolanos, Tiago Gomes, da Câmara de Comércio e Indústria de Angola, disse que mais de 50 empresários angolanos viajaram para participar na cimeira em busca de acordos comerciais. A dimensão dessa delegação, disse ele em português, é um verdadeiro sinal do empenhamento de Angola em fazer negócios com os Estados Unidos.

O governo angolano pretende construir um milhão de casas novas em Angola, o que podia representar uma oportunidade de investimento importante para as empresas americanas, disse ele. O governo angolano também está a criar novas zonas económicas a fim de promover o investimento e quer aumentar a produção industrial em 40%. Resumindo, ele disse à sua audiência: “Este é o momento de visitar Angola”. A cimeira, que vai de 29 de Setembro a 1 de Outubro, é patrocinada pelo Corporate Council on Africa.

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