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Dois anos depois da revolução Egito prepara-se para mais protestos

O Egito chega ao segundo aniversário da rebelião que derrubou o regime de Hosni Mubarak tendo muito pouco para comemorar. Profundamente dividido e a enfrentar uma crise económica, o país prepara-se para mais protestos, mas desta vez contra um líder eleito democraticamente.

Os adversários do presidente Mohamed Mursi planeiam fazer uma passeata, Sexta-feira (25), até a praça Tahrir para expressar a sua irritação com o novo líder islâmico e com os seus apoiantes da Irmandade Muçulmana, a quem acusam de trair os objectivos da chamada Revolução de 25 de Janeiro, que galvanizou os egípcios numa demonstração de unidade nacional que não se repetiu desde então.

“Não vemos como uma celebração. Será uma nova onda revolucionária que irá mostrar à Irmandade que eles não estão sozinhos, que há outras forças que podem erguer-se contra eles”, disse Ahmed Maher, fundador do grupo esquerdista 6 de Abril, que ajudou a mobilizar a rebelião por meio das redes sociais.

A Irmandade disse que não irá enviar os seus seguidores à praça Tahrir, Sexta-feira, uma decisão que pelo menos limita o risco de agravamento da tensão social, que contribui para os problemas económicos.

Mas o grupo islâmico, de olho nas próximas eleições parlamentares, está a marcar o aniversário com uma campanha de assistência. Junto com os aliados, a Irmandade promete enviar voluntários para reformar 2.000 escolas, plantar árvores, fornecer atendimento médico e abrir “mercados beneficentes” que vendam comida mais barata.

Inspirada na rebelião tunisina contra o então presidente Zine al Abidine Ben Ali, a revolução egípcia ajudou a desencadear mais revoltas na Líbia e na Síria.

Ela trouxe uma liberdade política que permitiu a impressionante ascensão ao poder da Irmandade, um grupo islâmico que passou décadas proscrito sob a autocracia de cunho militar.

Dois anos depois, o Egito ainda enfrenta uma profunda crise económica causada pelas turbulências políticas, que prosseguiram apesar da eleição de um novo presidente.

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