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Diplomacia moçambicana possui características próprias: Narciso Matos

O antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Narciso Matos considera que os trinta e cinco anos de prática diplomática no país criaram uma escola de diplomacia moçambicana com características próprias e bem definidas. 

Matos falava esta quarta-feira, em Maputo, no Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI) durante a cerimónia de abertura formal do ano lectivo 2010, onde proferiu uma Oração de Sapiência subordinada ao tema “Ensino Superior e Promoção do Desenvolvimento em Moçambique: Desafios e Perspectivas”, e que contou com a presença de cerca de duas centenas de pessoas, entre docentes e alunos daquela instituição.

Segundo o orador, a evolução do país e a abertura de espaços para um sector empresarial público e privado, bem como a existência e actuação de um grupo vasto e variado de associações e organizações da sociedade civil “colocam novos horizontes para a diplomacia”. Para Matos, a diplomacia é chamada a estender-se para além da representação e defesa do Estado e Governo. “Agora, ela tem que articular os interesses e objectivos específicos de outros sectores de actividade”, explicou.

Matos indicou, a título de exemplo, o dossier “energia” onde existem interesses e perspectivas nacionais específicos que há que representar, projectar e promover o domínio da energia, os quais requerem diplomacia especializada. “Daqui decorre a necessidade de treinar diplomatas e agentes de relações internacionais, não somente vocacionados para trabalhar em diplomacia governamental, mas também capazes de exercer as suas actividades no sector empresarial e na arena não governamental”, reiterou.

Matos referiu, igualmente, que a diplomacia nacional precisa cada vez mais de alicerçar os posicionamentos em estudos e investigação realizados a longo e médio prazo dado o crescente número de problemas que poderão vir a exigir estudos por vezes demorados. “Pensa-se que, por exemplo, na gestão e utilização dos recursos hídricos há indicações, embora ainda vagas, mas cada vez mais claras de que o acesso à água poderá tornar-se nas próximas décadas na razão principal de conflitos entre nações, à semelhança do que acontece entre os países e culturas desenvolvidas ao longo do rio Nilo”, disse.

O ISRI, que segundo a fonte é tido como escola-mãe da Diplomacia Moçambicana, precisa também de promover a informação e o debate público de assuntos candentes da diplomacia nacional e internacional com vista a educar o público e desmistificar a profissão, tornando a diplomacia coisa do interesse nacional. O ISR foi criado pelo Decreto N 1/ 86, de 5 de Fevereiro, pelo Conselho de Ministros da República de Moçambique com a missão de formar Diplomatas e peritos e em Relações Internacionais, tendo-se tornado dentro do país e da região como a Instituição líder no campo das relações internacionais e diplomacia (estudos globais, estudos regionais, política internacional, política externa e diplomacia).

No presente ano lectivo, a instituição vai contar com mil e trezentos estudantes dos quais 400 são novos ingressos. Refira-se que o ISRI ministra cursos de graduação superior em Relações Internacionais e Diplomacia desde 1986 e de Administração Pública desde 2003 para os níveis de Bacharelato e Licenciatura e realiza acções e cursos pós-graduação para níveis de Mestrado e Doutoramento.

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