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EDITORIAL: Diferentes para melhor

Num mundo globalizado como o de hoje as notícias correm céleres. O que se está a passar no Norte de África, rapidamente atravessa todo o continente – para mais dizem que para baixo todos os santos ajudam – fazendo com que os milhares de quilómetros que separam Tripoli ou o Cairo de Luanda, de Harare, do Cabo ou de Maputo pareçam uns meros centímetros.

Nisso, a cadeia televisiva Al-Jazeera, com sede no Qatar, tem tido um papel fulcral e incansável – que grande trabalho! –, colocando-nos ao corrente de tudo o que tem vindo a ocorrer nesses países, e tornando a revolução de cada país um acontecimento global.

Esta, perdoem-me o termo, ‘aldeialização’ não agrada aos regimes mais férreos em relação à liberdade de imprensa. Em Luanda e em Mbabane parece que os senhores do poder – o primeiro está desde 1979, o segundo herdou do pai – face à convocação de manifestações anti-governamentais para os dias 6 e 12 deste mês respectivamente, têm vindo a filtrar e bem o que se está a passar nos países do Norte de África e do Médio Oriente.

 

Detenhamo-nos no caso angolano. Aqui a imprensa oficial tem procurado associar as manifestações a mortes, caos e instabilidade. Hosni Mubarak nunca foi citado como um ditador e quando foi obrigado a deixar o poder os jornais preferiam chamar-lhe renúncia como se tivesse saído de moto próprio. Os números da sua fortuna – avaliada em 40 mil milhões de dólares – nunca foram citados.

Em relação aos acontecimentos na Líbia, bem mais graves sob o ponto de vista de violação dos direitos humanos, o “Jornal de Angola” procurou também associá-los a mortes, titulando: “Protestos na Líbia causam mortes.” A TPA (televisão pública) alinhou pelo mesmo diapasão.

As manifestações são sempre tratadas como “protestos violentos” e nunca como movimentos que pretendem instaurar a democracia e as liberdades cívicas. Num dos telejornais, o filho de Kadhafi aparece apelando ao povo para não se manifestar mas a ameaça de ele lutar até à última bala foi omitida.

E a nossa imprensa oficial como tem tratado os acontecimentos do Magrebe? Com um nível de controlo muito menos apertado do que os angolanos, a nossa imprensa ofi cial tem sido bem mais liberal a tratar o caso, chegando mesmo a titular “Queda de Mubarak provoca euforia no Egipto” e reproduzindo um texto de um dos jornais que eu considero mais democráticos do mundo: o português Expresso.

O diário oficial é talvez o mais contido, agitando o fantasma dos mortos, do caos e do perigo da guerra civil na Líbia. Porém, um aspecto ressalta à vista e é comum a toda a imprensa oficial: o cuidado de não divulgar números das fortunas acumuladas, preferindo omitir-se os biliões de Ben Ali, de Mubarak ou de Kadhafi .

Como se vê, graças a Deus, neste aspecto, encontramo-nos num estádio bem diferente dos nossos irmãos angolanos, mostrando que um dos principais pilares em que assenta a democracia – a liberdade de imprensa – está bem mais implantada em Moçambique do que na maioria dos países do continente.

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