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O dono d´Verdade: Deveríamos procurar as soluções dentro de África

No meu caminho para o Fórum Económico Mundial (WEF) e à sessão dos Jovens Líderes Mundiais (YGL) do MENA (Médio Oriente e África do Norte) no Marrocos, questionei-me: Porque é que vais, o que esperas obter lá? Bem, devo ser honesto porque foi exactamente por essa questão que resolvi participar na reunião dos países do Médio Oriente e Norte de África. No momento em que soube que seria no Marrocos, certifiquei de que iria arranjar tempo para estar presente pois há já algum tempo queria visitar o exótico Marrocos, e esta foi a oportunidade de fazê-lo na companhia de alguns bons amigos YGL e os participantes do WEF.

Mas algo intrigava-me, ou melhor deixava-me curioso. Quão diferentes ou quão semelhantes somos? Para alguém que vai da África Subsaariana para o Norte de África esta é uma questão pertinente.

Nessa altura apercebi-me de que a rota mais rápida para chegar a Marrakech, não a mais barata, a partir de Maputo (no continente africano) é seguindo para Lisboa (na Europa) e depois fazer a ponte aérea para Marrakech. O inacreditável é que não importa o trajecto que fiz, o facto é que não há maneira de ir de Maputo ao Marrocos, por via aérea, sem sair do continente.

Quero dizer Marrocos está em África e ainda assim a melhor conexão aérea para lá chegar é saindo do continente africano, passar pelo continente europeu e depois voltar a África.

Bem, este não é um assunto novo porém para mim ainda é inacreditável que nos dias de hoje ainda seja preciso uma volta tão grande para viajar dentro do continente africano.

Existam ainda lugares em África que para os africanos chegarem até eles têm de fazer uma ponte aérea em algum lugar na Europa, onde depois é preciso fazer um transbordo sempre inconfortável – afinal a maioria dos africanos precisam de um visto de entrada para a Europa e estes não são concedidos nos aeroportos (tal como é possível obter no Dubai ou em alguns países africanos). Assim acabamos confinados em alguns espaços de trânsito durante horas antes de podermos fazer a conexão de volta ao continente africano para irmos tratar dos nossos assuntos.

Numa altura em que o mundo voltou-se novamente para África, desde os australianos aos canadianos, dos americanos aos chineses, entre outros. Todos têm melhores e mais baratas formas de chegar ao continente e de se deslocarem nele do que nós, os africanos. Quero dizer que é como ir de Nova Iorque para Seattle passando por Vancouver primeiro, ou mesmo de Zurique para Amesterdão com escala em Londres, ou mesmo ir de Melbourne a Sidney via Timor- Leste.

Este é um dos aspectos que nos separa e que nos torna também diferentes, quantos outros destes existem? Afinal somos todos irmãos e irmãs de um mesmo continente mas não nos conhecemos uns aos outros, não falamos entre nós, as ligações com o Médio Oriente são mais naturais do que as da África sub-continental.

Como podemos colaborar mais entre africanos (Norte e Sul, Este e Oeste) para fortalecermos o nosso continente? Para juntos lutarmos e tirarmos África da pobreza. Será que existe conhecimento e boas práticas que podemos partilhar e trocar entre nós?

Não deveríamos estar a olhar mais perto para a nossa casa (e aqui ‘perto’ não me refiro apenas a localização geográfica) colaborando para fazer as coisas melhor? O que nos faz sair do continente, tal como na questão das ligações aéreas, para procurarmos ajuda ao invés de procurarmos as soluções na nossa própria casa (África). Eu acredito que o facto de não sabermos o que se passa ao redor do nosso continente contribui fortemente para isto.

Como sempre, antes de um Fórum Económico Mundial, os Jovens Líderes reúnemse para lidar com os assuntos que os inquietam pessoalmente e, neste caso, quase adivinhando as inquietações que eu trazia na mente, a equipa dos Jovens Líderes Mundiais de Génova criou um programa brilhante e pediram-me para que fizesse parte da discussão sobre a aceleração do empreendedorismo.

Na verdade julgo que todo o programa dos Jovens Líderes Mundiais tem sido muito bem preparado para orientar-nos através do que é o MENA (Médio Oriente e África do Norte) e o panorama marroquino, ajudandonos a focar nas similaridades e mais importante ainda dando tempo suficiente para reflectirmos nas diferenças e nas coisas que podem nos unir e ajudar-nos a aprender um do outro (refiro-me a toda a comunidade de Jovens Líderes Mundiais) de modo a empurrar o continente e o mundo, para frente.

Paralelamente, e no futuro, eu estou também a pensar em participar nas sessões privadas do Fórum sobre os medias e indústria de entretenimento da região do MESA.

Julgo ser uma forma de dar continuidade e relevância após fechar o programa dos Jovens Líderes Mundiais.

Espero que esta reunião seja o início de algo para a região (ou pelo menos irá satisfazer parte da minha curiosidade), mas tenho a certeza de que no final irão voar faíscas pois, mais uma vez, a reunião dos Jovens Líderes Mundiais irá produzir mudanças a todos os níveis, com toda certeza!!!

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