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Moluwene versus Naturalmente!

Olá a todos! Existem, criadas muito recentemente e a trabalharem em pareceria, duas novas produtoras vocacionadas à produção de espectáculos, arte e entretenimento com nomes bastante sugestivos: Moluwene e a Naturalmente. Sempre que estou perante a uma ideia que acho interessante gosto de fazer relação com o Jazz; quer esteja ela relacionada com um nome para identificação e ou conceptualização de qualquer coisa que seja. Mania!

Neste caso, tratando-se de nomes para identificação de produtoras, o Jazz sente-se na natureza dos próprios nomes e sente-se também naquilo que é o objecto de realização e de oferta das referidas produtoras.

Moluwene é altamente jazzistico, pois a palavra traduzida para o português equivale a Marginal que diz-se do assunto ou questão de importância escassa; ou ainda, mais contextualizado, quando se refere a um pessoa que vive a margem da sociedade.

Maningue jazz! O jazz sempre foi uma forma de expressão artística que viveu a margem; ser jazzista ou conviver em ambientes de jazz seria igual a ser Moluwene. Hoje, se calhar, consegue-se ser um Moluwene erudito.

Por sua vez o jazz no nome Naturalmente está na possibilidade dos arranjos que podem ser feitos dividindo a palavra em duas palavras, natural e mente, para exprimir um significado ou sentimento. O jazz arranja várias possibilidades, improvisa mas sempre com sentido. Naturalmente quando me deparei com esta designação o que me ocorreu pensar foi numa mente natural, ou seja num espírito simples, puro e sem dobles.

Muito jazz!

Moluwene, naturalmente, vão oferecer-me, a mim e a outros marginais, até ao mês de Dezembro, o primeiro ciclo de Jazz na cidade de Maputo. Devo dizer que esta serviu para calar a minha boca sobre algumas asneiras que tenho dito. Mas a dica é sempre esta: Quem não chora não mama! Àgua mole em pedra dura tanto bate que chega a furar!

O ponta-pé de saída do primeiro ciclo foi neste último fimde- semana do final do mês e que me chamou a atenção para um Jazz vindo do Zimbabwe.

Chamou-me, também, atenção para a cada vez maior solidificação da corrente de Jazz africano que creio designar-se, agora, African Soul Jazz caracterizada por ambientes de raiz africana sobretudo ao nível de percussão e vocal, influências de R&B, Reggae e Hip-Hop, e claro para não defraudar aos mais atentos, alusão as formas e técnicas rítmicas e sonoras do tradicional jazz através dos instrumentos ou do vocal, que foi o que mais me agradou ao “ouver” a cantora Dudu Manhenga executar de forma exímia a técnica de Scat Singing popularizada pela dupla de sempre, donos do jazz, Ella Fitzgerald e Satchmo.

E como não pode deixar de ser, este African soul jazz torna-se mais interessante quando, para além das fusões que nele são incorporados, que citei acima, os protagonistas fazem referências aos temas clássicos e imortais do Jazz tradicional, como a Zimbabueana o fez interpretando Summer Time, dos irmãos Gershwin, numa versão africana, que de certeza faria estrelas como Dee Dee Brigdewater torcer o sobrolho, de ser bem surpreendida, ao ouvir interpretação tão bem conseguida.

Vou poder “ouver”, num verão que por ora se mostra meio tímido, até Dezembro, mais jazz africano vindo da África do sul, Nigéria e Senegal. Naturalmente, será a onda; Moluwene, o espírito.

Abraços, beijos e carinhos.

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