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Deputados da Renamo estiveram detidos ilegalmente na Gorongosa

Seis cidadãos moçambicanos, simpatizantes do maior partido da oposição, a Renamo, foram detidos durante cerca de três horas, nesta Quinta-feira (18) na esquadra da vila da Gorongosa, no centro de Moçambique. Dois deles são deputados do Parlamento moçambicano e apesar da imunidade que gozam, ao abrigo da Lei, foram levados contra vontade para esquadra e acusados de desobediência, todos acabaram por ser soltos sem que nenhum auto tivesse sido levantado.

Ouvido telefonicamente pela @Verdade, a partir da vila de Gorongosa, o deputado Armindo Milaco relatou que os seis cidadãos seguiam na viatura do seu partido, em direcção a vila para procederem a moagem de milho para consumo próprio, quando tiveram que parar num controle, a cerca de 4 quilómetros da vila, onde estavam posicionados agentes da Força de Intervenção Rápida (FIR). Este controle, com cancela, foi ali colocado recentemente, desde que o líder da Renamo, Afonso Dlhakama, instalou-se na sua antiga base em Satungira.

Depois de alguma espera, sem que a cancela fosse aberta, os agentes da FIR dirigiram-se à viatura procurando cerca-la e manejando as armas de guerra que possuíam e quando reconheceram um dos ocupantes da viatura como sendo o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, contactaram o comando que enviou duas viaturas com outros agentes armados “o comandante que chegou deu ordens a polícia para atirar contra nós, dizia que tinha ordens expressas para isso” afirmou Armindo Milaco.

Segundo o deputado nenhum dos agentes no local disparou. Vendo que não era obedecido o comandante, que a fonte não conseguiu identificar, deu ordens para que os cidadãos fossem retirados da viatura e amarrados para serem levados ao comando. “Nós resistimos, houve de facto uma luta mas eles eram mais de 30 agentes bem armados e nós éramos apenas seis e não tínhamos nenhuma arma, acabamos por acompanha-los até ao comando (…) ficamos ligeiramente feridos”.

Entretanto a viatura foi revistada e nada de anormal foi detectado. Eram quase 14 horas quando os seis cidadãos deram entrada na esquadra da Gorongosa. Todos tiveram que apresentar os seus documentos de identificação e, mesmo sabendo que dois dos detidos são deputados do Parlamento a polícia manteve-os na esquadra sem contudo formalizar a detenção.

Cerca das 17 horas os seis cidadãos foram informados que podiam seguir viagem. Segundo Armindo Milaco “exigimos um documento relativo a detenção que não nos foi fornecido, apesar dos repetidos pedidos”.

Refira-se que esta detenção ilegal aconteceu no mesmo dia em que o Governo respondeu à solicitação da Renamo para a continuação das rondas de diálogo com vista a encontrar uma solução para as reivindicações do partido de Afonso Dlhakama.

Questionado se iriam fazer algo em resposta a detenção ilegal o deputado do Parlamento moçambicano afirmou “ainda não demos o rescaldo ao nosso líder se houver qualquer coisa que tiver que acontecer será depois de falarmos com o nosso líder”.

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