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Daviz Simango vaticina nova onda de instabilidade em Moçambique

Daviz Simango apela união de autarcas beirenses para construção de novas sedes de bairros

A situação de instabilidade registada em Setembro em algumas cidades de Moçambique, incluindo a capital, Maputo, pode repetir-se, segundo o vaticínio do presidente do município da Beira e presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM, oposição). “Neste momento, o país vive uma situação crítica e essa situação crítica é exactamente para segurar os interesses de algum enriquecer de forma ilícita. A situação (registada em Setembro) pode repetirse”, disse Daviz Simango, ex-dirigente da RENAMO e que, entretanto, fundou o MDM, actual terceira maior força política moçambicana.

O político moçambicano falava à agência LUSA à margem de uma conferência em Lisboa promovida pela Universidade Católica Portuguesa, sobre a “Doutrina Social da Igreja, Livre Iniciativa e Pobreza”.

No início de Setembro, várias cidades de Moçambique foram palco de manifestações contra o aumento do preço de energia, água e pão, que culminaram em confrontos entre a população e a Polícia de que resultaram 18 mortos. O Governo moçambicano decretou, entretanto, o congelamento dos preços dos bens essenciais, mantendo até Dezembro a atribuição de subsídios, mas Daviz Simango desvalorizou as medidas adoptadas.

“A situação pode-se repetir. E o que é que o Governo fez? Foi dar uma chucha à população até Dezembro. E depois de Dezembro o que vai acontecer? Dezembro é época de festas, as pessoas terão gasto o pouco que tinham guardado para passar o Natal e Ano Novo, e vão precisar de recursos financeiros que não vão ter. Portanto, a política do Governo em continuar a subsidiar não é correcta”, disse.

Daí que Daviz Simango não esconda a apreensão que sente: “Neste momento, o país vive uma situação crítica e essa situação crítica é exactamente para segurar os interesses de algum enriquecer de forma ilícita”.

Governo desnorteado

A remodelação operada no passado dia 12 de Outubro no Governo moçambicano, em que o titular da Agricultura, Soares Nhaca, foi substituído pelo até então ministro do Interior, José Pacheco, representa para Daviz Simango prova da falta de uma “nova política de combate à pobreza e à fome”. “O que o país precisa são novas políticas, claras, sobre agricultura. O país apenas produz em 10 porcento da terra disponível para a agricultura”, razão por que se mantém a “grande dependência” da importação de produtos alimentares.

“A pergunta que fazemos é: a quem beneficia essa transição financeira de importação de produtos? De certeza que há uma rede interessada em continuar a importar produtos”, acusou.

Quanto à nova política que reclama, Daviz Simango socorre-se da agricultura e aponta o dedo ao Presidente da República, Armando Guebuza. “Aquela solução de remodelar o Governo é uma forma de dizer estou presente”, salientou, recordando que ao longo dos seis anos que leva no exercício das funções de Presidente da República, Guebuza já mudou quatro vezes de ministro da Agricultura.

“O problema não é a mudança dos ministros. O problema são as políticas que estão a ser implementadas”, concluiu.

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