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Conselhos… E quem sabe um parceiro?

Mais do que apenas um lugar para compartilhar problemas e receber aconselhamento, os grupos de apoio para seropositivos em Maputo, capital moçambicana, estão se a transformar também em lugares para conhecer novas pessoas – e quem sabe encontrar um parceiro.
Foi numa dessas reuniões que Lucinda M., 37 anos, conheceu o seu marido.
Seropositiva há cinco anos, ela começou a participar do grupo de apoio da Associação Kudumba, vinculada à organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF).

“No princípio, ele não sabia que eu era seropositiva.

Como as pessoas seronegativas também participavam das reuniões, eu lhe dizia que estava a fazer companhia à minha cunhada. Mentia. Mas depois lhe contei a verdade”, lembra.
Segundo ela, depois que o seu então pretendente, que também é seropositivo, soube de seu estado serológico, ele se sentiu mais encorajado para investir na relação.
“Acho que ele se sentiu mais livre, porque partilharia a vida com uma parceira também seropositiva. Alguns meses depois, nós casamos e hoje somos felizes”, comemora.
Em Moçambique, ainda não há serviços que ajudam os seropositivos na busca de parceiros, nem mesmo pela Internet. Com baixa conectividade e alta discriminação, os grupos de apoio têm provado ser uma forma descontraída de se encontrar a potencial cara-metade.

Semelhantes se atraem

Segundo a psicóloga social Clarice Samo Gudo, da MSF, as próprias discussões nos grupos levam os seropositivos a pensarem sobre o tema relacionamentos.
“Falamos dos relacionamentos conjugais entre seropositivos e passamos uma mensagem de esperança, que as pessoas não podem deixar de viver por estarem infectadas”, diz. “Formar uma família é possível independentemente do estado de saúde”.
Para Gudo, os seropositivos tendem a buscar parceiros do mesmo estado serológico, porque existe um maior entendimento das responsabilidades e obstáculos, como o uso do preservativo.
Sem essa compreensão, há maior probabilidade de divergências na relação.
A jovem Carla Alfredo é seropositiva há mais de três anos. Depois de muito tempo sem um namorado, ela conheceu o seu actual parceiro, em 2008, numa das reuniões de aconselhamento do programa DREAM, da ONG italiana Comunidade Santo Egídio, em Maputo.
Embora ressalte que os grupos de apoio são reuniões para aconselhamento sobre HIV e SIDA, Alfredo diz que é natural tantos casais se formarem nessas ocasiões.
“Como vai muita gente seropositiva, o convívio faz com que as pessoas troquem de se envolverem”, disse. “A facilidade é que todos sabemos que somos seropositivos e nos tratamos sem preconceitos. Aí fica fácil partir para uma relação de namoro”.

Casamenteiros

Muitos profissionais que trabalham na área de aconselhamento acabam fazendo o papel de casamenteiros – às vezes sem querer, às vezes a pedido dos próprios pacientes.
“No ano passado uma jovem seropositiva telefonou-me a pedir que eu lhe apresentasse alguém que fosse seropositivo, porque ela não conseguia ter um relacionamento com pessoas que não fossem seropositivas”, conta Francisco Viegas, coordenador do programa DREAM.
Como ela, muitos seropositivos se queixam da falta de parceiros. Quando ouve a reclamação, Viegas convida essas pessoas para as sessões de aconselhamento do programa.
“Das sessões de aconselhamento surgem casais, porque as pessoas encontram-se com aquelas que partilham dos mesmos pontos de vista e sofrem do mesmo problema”, conta. “Aquela jovem começou a namorar logo depois”.
Um rapaz que não quis se identificar também se beneficiou das habilidades casamenteiras de Viegas. Sem namorada há um bom tempo, ele não queria se envolver com pessoas seronegativas, receando que elas descobrissem o seu estado serológico.
“Eu soube que neste grupo se dava um bom aconselhamento e para além disso há casais que se formam. Isso me motivou muito”, diz. “Nunca falei que a minha intenção era encontrar parceira, mas na verdade era isso que eu queria”.
Pouco depois, passou a ir às reuniões e em um mês conheceu a sua actual namorada.
Alguns dos casais que resultaram desses encontros decidem se casar oficialmente.
“Conheço um casal de seropositivos que se conheceu nas nossas consultas e formou família”, diz Viegas. “Quando há amor tudo é possível”.

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