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Concluída “fase 3” da expansão do Terminal de Carvão

A Companhia de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC) anunciou, terça-feira, em Maputo, a conclusão da “Fase 3” do Terminal de Carvão da Matola (TCM), cujo proprietário é a companhia sul-africana Grindrod.

Falando a imprensa, David Rennie, presidente do Conselho de Administração da MPDC e director executivo da Grindrod, explicou que a “Fase 3” vai aumentar a capacidade do TCM de quatro para seis milhões de toneladas de carvão por ano.

Actualmente, está em curso um pré-estudo de viabilidade para a “Fase 4” do projecto de expansão que deverá aumentar a capacidade do TCM de 12 para 17 milhões de toneladas por ano, com uma capacidade de armazenamento de 1,4 milhões de toneladas.

Antes da implementação da “Fase 3”, o terminal apenas conseguia manusear oito mil toneladas de carvão e 12 mil toneladas de magnetite por dia.

Contudo, agora já possui a capacidade para manusear diariamente 30 mil toneladas de carvão e 48 mil toneladas de magnetite. O carvão é proveniente da vizinha Africa do Sul, tendo como principais destinos os mercados asiáticos, sobretudo a Índia. A demanda de carvão na Índia está calculada em cerca de 100 milhões de toneladas por ano.

O carvão é um dos principais produtos manuseados pelo MPDC, que tenciona aumentar seis vezes o volume de carga até o ano de 2030. Segundo Rennie, o porto de Maputo movimentou 8,7 milhões de toneladas em 2010, tendo estabelecido a meta de 12 milhões de toneladas para o corrente ano, o que corresponde a um incremento de 25 por cento.

Na ocasião, Rennie fez questão de frisar que durante o período da colonização, mais concretamente em 1972, o porto de Maputo chegou a manusear 17 milhões de toneladas.

Infelizmente, a guerra não declarada movida contra Moçambique pelo então regime do apartheid levou ao colapso do tráfego através do porto de Maputo, tendo atingido o seu ponto mais baixo em 1986 quando passaram pelo porto apenas um milhão de toneladas.

Contudo, Rennie acredita que com um investimento adequado em infraestruturas e equipamento, será possível aumentar o tráfego para cerca de 50 milhões de toneladas até ao ano de 2030.

Aliás, os planos do MPDC indicam que deverão passar pelo porto de Maputo 26,2 milhões de toneladas até finais de 2015, para atingir 34,2 milhões de toneladas em 2020, 40,1 milhões de toneladas em 2025 e 48,6 toneladas em 2030.

Segundo o director executivo do MPDC, Jorge Ferraz, o total de investimento que deverá ser realizado pela sua companhia é de 750 milhões de dólares.

Deste montante, 323 milhões de dólares serão investidos até finais de 2015 (a este valor acresce 258 milhões de dólares investidos nos últimos 15 anos). Cerca de 200 milhões de dólares serão investidos na reabilitação dos cais existentes e construção de outros novos.

O porto consiste em dois complexos – os cais e terminais do MPDC (alguns dos quais datam desde a década 60) em Maputo e as terminais graneleiras para alumínio, carvão, cereais e combustíveis na Matola.

Entre os dois terminais existe uma área que ainda não foi explorada, onde existe espaço para acomodar os projectos de expansão e construção de novos cais. Ferraz explicou que em 2007 apenas cinco companhias de navegação escalavam Maputo.

Este número subiu para 13 actualmente, e que durante os últimos quatro anos registou-se um aumento de 95 por cento no número de navios que escalam Maputo.

Um dos aspectos chave nos planos da MPDC consiste na dragagem do canal de acesso, bacia e cais. Para o efeito, chegou a Maputo, em Setembro de 2010, o navio de dragagem “TSHD Pelletier” que concluiu no corrente mês a dragagem do canal de acesso ao porto, aumentando de 9,4 para 11 metros.

Também foi restaurada a profundidade dos cais e dos terminais de contentores e de carvão para 12 metros. Antes da dragagem o porto reunia condições para acomodar apenas navios 50.000 DWT (DWT igual a tonelagem de peso morto), que é a medida do peso que o navio está projectado para transportar. Actualmente, porém, o porto já pode receber navios “Panamax”, com 80.000 DWT.

Segundo Ferraz, isso permite reduzir os custos e tornar o porto mais competitivo. Inicialmente, o maior accionista privado no MPDC era a companhia britânica Mersey Docks and Harbour Company, que não conseguiu honrar com os termos do contracto, não tendo realizado o investimento que se havia comprometido.

Esta companhia também não pagava a licença de exploração do porto a empresa pública Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM). Em 2007, a companhia britânica vendeu as suas acções a Grindrod e a Dubai Ports World.

Assim, a estrutura accionista do MPDC é composta pelos CFM com 49 por cento, sendo os restantes 51 por cento do consórcio privado, a Portus Indico.

A Dubai Ports World, uma companhia saudita, e a Grindrod detêm 48.5 por cento das acções da Portus Indico cada uma, sendo as acções remanescentes da empresa moçambicana “Moçambique Gestores”.

A cessão de exploração da MPDC era inicialmente por um período de 15 anos, tendo sido renovada no ano passado por mais um período de 15 anos, que expira em 2033.

O MPDC encara esta decisão como sendo um voto de confiança, que vai facilitar o seu plano director para o porto e mobilização do investimento necessário.

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