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i@Verdade: Como o Steve mudou a minha vida

Numa igreja do bairro da Liberdade, onde cresci, tive o meu primeiro contacto com um computador. Naquela altura tinha eu 14 anos e o PC gateway onde aprendi o lotus e o word perfect era a máquina mais moderna que tinha alguma vez visto ao vivo e que aprendi a operar. Talvez por isso pensava fazer o curso de informática quando entrasse para a Universidade.

Cedo tive que começar a trabalhar e o curso superior ficou por fazer, mas os PCs sempre estiveram presentes na minha vida profissional.

Vi o Windows aparecer e evoluir, muitas vezes dava comigo a consolar-me, por não ter feito o curso que desejava, pensando que o Bill (Gates) já havia inventado os computadores e por isso eu precisava apenas de os operar.

Já adulto ouvia falar de uma máquina mais rápida que os PCs – a cada evolução o Windows demora cada vez mais tempo a iniciar – muito usada por quem trabalha com gráficos. O acaso (ou o destino) fez-me cruzar com um Mac, se bem me recordo, um G3. Era onde finalizávamos os materiais antes de enviá-los para a impressão.

A máquina, de cor verde degradé para o branco, era linda mas só a usávamos algumas horas por semana, afinal não era para brincadeiras. Recordo-me de que, pela beleza e estilo que tinha o monitor, acabámos por usá-lo como parte de um cenário de um programa televisivo que fazíamos, era perfeito, nem precisávamos de o ligar.

Entretanto os laptops tinham-se massificado em Moçambique e, para além da minha vida profissional, os computadores entraram na minha vida pessoal.

Um dia, depois de muito ouvir falar – num tempo em que o acesso à informação era limitado, e à net fazia-se por uma chamada telefónica (tão mau era o ruído que fazia para a conexão estabelecer-se) – comprei um iPod. Prateado, sem botões… tão lindo! E o melhor: tinha espaço para guardar 10 anos de ficheiros da minha vida passada, cabiam ainda todos os meus CDs de música e ainda impressionava as miúdas.

Sentia necessidade de ter um Power- Book não só porque também era lindíssimo, todo em alumínio, mas os PCs processavam muito devagar para as minhas necessidades profissionais. Quem já ficou com uma apresentação pendurada porque o Windows resolveu crachar sabe do que falo. Mas os macs na altura eram caros e o melhor que podia pagar era um pentiumzinho.

Há cinco anos quando lançámos este jornal mudei-me definitivamente e tudo ficou mais rápido e simples. Porém, no ano passado, quando falámos aqui nestas páginas do lançamento do iPad não imaginava que hoje estaria a escrever estas linhas num teclado virtual para depois enviá-lo por mail para a Redacção.

Olho para trás e ainda não consigo conectar todos os pontos – que o Steve menciona no discurso que fez em 2005, e publicamos na página de Tecnologia – mas dá-me que pensar ter nascido no mesmo ano que o Apple I foi lançado. Afinal, todos os dias faço um jornal que as pessoas não sabiam que precisavam e, apesar de todos os riscos e obstáculos, continuo apaixonado pelo que faço e cheio de fome de continuar a mudar este nosso mundo para melhor.

O meu filho, que nasceu no ano em que o iPhone foi apresentado, disputa lá em casa a vez de usar o iPad. Ele não só joga e vê livros interactivos mas também sabe fazer fotos.

Será que poderíamos viver sem estas maquinetas todas que o Steve criou? Claro que sim, mas não era a mesma vida tão boa e principalmente tão simples. Khanimambo Steve.

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