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SELO: Como devo comportar-me na estrada? – escrito por Fr. Javier

Chegaram às minhas mãos umas recomendações do Conselho Municipal de Maputo de como os peões se devem comportar na via publica. Fiquei muito satisfeito e acho que as mesmas deveriam ser difundidas nas escolas. Os professores deviam transmiti-las aos seus alunos.

A primeira recomendação diz que devemos caminhar sempre pelos passeios. Mas será possível cumprir este ensinamento quando os passeios estão cheios de carros, buracos e pessoas que ganham a vida consertando sapatos, vendendo maçarocas, amendoim ou refrescos? E não são estes os que impedem que se caminhe pelos passeios, mas sim os prepotentes e despóticos condutores de carros sem que ninguém os chame a atenção.

É necessário lembrar que estes (condutores) adquiriram conhecimentos de como se comportar na via pública. Outra recomendação refere que se deve atravessar sempre nas passadeiras reservadas aos peões. Eu, depois de vários anos nesta cidade de Maputo, ando à procura dessas passadeiras pois, com o tempo que passou desde a última pintura, agora não é possível encontrar rasto delas. E o peão atravessa a rua pelo lugar que lhe convier.

A recomendação seguinte tem a ver com a sinalização dos semáforos para se poder atravessar a estrada em segurança. Infelizmente, nem todos os semáforos funcionam correctamente, nem os condutores respeitam os sinais vermelho, laranja ou verde destes dispositivos. Talvez o município possa responder a estas questões, mas gostaria de dar o meu contributo para não ser chamado de crítico destrutivo. Quantos polícias municipais tem a Direcção Municipal de Transportes e Trânsito?

Nunca vi um sequer ao pé de um semáforo a orientar os automobilistas e peões. Nunca vi um agente da Polícia Municipal na porta de uma escola (primária, por exemplo) ajudando aos alunos a atravessar a rua ou estrada em segurança. Nunca vi um agente do trânsito na porta de um hospital ajudando os cegos, idosos e ou deficientes a atravessar a rua em segurança.

Nunca vi… Será que estes agentes municipais só foram ensinados a andar com uma caneta e um caderno de multas para preencher? Será que nas escolas de condução só ensinam as pessoas a estacionar o carro no passeio, que é reservado aos peões? Será que na cidade impera a “lei da selva”? O motorista (pensa que) é mais forte que o peão, e este último há-de arriscar a vida caminhando pela faixa onde circulam os automóveis.

O agente de trânsito transformou-se num cobrador de impostos e não naquele que faz cumprir as normas urbanísticas que protegem os peões. A preocupação com os acidentes de viação começa aqui. Devemos ensinar os peões e os automobilistas a mudar de mentalidade. Os agentes de trânsito não são cobradores de impostos, mas sim educadores.

Fr. Javier

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