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Combates entre ‘vermelhos’ e Exército dominam Bangcoc

Combates entre 'vermelhos' e Exército dominam Bangcoc

Bangcoc foi sacudida nesta quinta-feira por violentos confrontos entre tropas do governo e os “camisas vermelhas”, militantes da oposição que resistem num bairro do centro da capital da Tailândia. Um intenso tiroteio ocorreu pela manhã em torno de um templo situado na zona ocupada pelos “vermelhos” no centro, onde na noite de quarta-feira morreram nove pessoas.

Os disparos provocaram pânico entre as centenas de pessoas que estavam no pagode, no momento em que soldados avançavam em direção ao templo, observou o fotógrafo da AFP. Na noite de quarta-feira, nove pessoas morreram no mesmo templo, em um tiroteio entre os “camisas vermelhas” e tropas do Exército que tentam “limpar” a zona ocupada pelos manifestantes.

Médicos e socorristas enviados ao templo confirmaram a morte de nove pessoas, mas os corpos não puderam ser retirados, disse à AFP Prawat Thavornsiri, porta-voz da polícia. Vários membros dos “camisas vermelhas”, incluindo mulheres e crianças, estavam refugiados no templo, situado no centro do bairro ocupado pelos manifestantes contrários ao governo, alvo de uma grande operação das forças militares. Durante o dia de quarta-feira, os confrontos já tinham deixado sete mortos em Bangcoc, incluindo um jornalista italiano.

No meio aos combates, o maior Shopping Center da Tailândia, situado no centro da capital, estava prestes a desabar, após ser devorado pelas chamas. “O incêndio do Central World está sob controle, mas um dos lados do shopping ameaça desabar”, revelou Prawut Thavornsiri. O enorme shopping, de 18 andares e situado no bairro comercial de Bangcoc, estava fechado desde a chegada dos “camisas vermelhas” à zona, no dia 3 de abril.

O governo enviou cerca de 900 soldados e policiais para garantir o trabalho dos bombeiros no shopping, segundo uma fonte militar. Desde a quarta-feira, quando o governo iniciou uma grande operação para desalojar os “vermelhos”, diversos incêndios e atos de extrema violência dominam as ruas da capital. Além do Central World, a chamas atingiram a Bolsa de Bangcoc e a sede de um canal de televisão, entre outros prédios.

O governo admitiu que perdeu o controle em certas área da cidade, mas prometeu acabar com os distúrbios. As autoridades decretaram um toque de recolher, por três noites consecutivas, para Bangcoc e outras 23 províncias do país. Uma unidade de elite da polícia recebeu autorização para abrir fogo contra os saqueadores e os agitadores, e todos os canais de televisão foram obrigados a exibir apenas programas autorizados pelo governo.

A violência também tomou conta do nordeste do país, uma região agrícola e pobre de onde vieram muitos “camisas vermelhas”. Após dois meses de manifestações, a princípio pacíficas e depois marcadas por incidentes violentos e várias sessões de negociações infrutíferas, o Exército conseguiu na quarta-feira neutralizar parte da liderança dos “camisas vermelhas” no centro de Bangcoc.

Líderes dos manifestantes, que exigem a renúncia do primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, anunciaram na tarde de quarta-feira sua rendição às autoridades. “Encerramos agora nossas manifestações”, declarou Nattawut Saikuar, um dos principais nomes dos “vermelhos”. “Vamos trocar nossa liberdade pela segurança de vocês. Fizemos tudo que era possível. Peço a todos que voltem para casa”.

Desde o início da crise, em meados de março, mais de 80 pessoas morreram e cerca de 1.700 ficaram feridas nos confrontos.

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