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Cláudia Sumaia: a menina maravilha do ténis

Cláudia Sumaia desapontou no Campeonato Africano de Ténis de sub-20

Em quase todas as modalidades são raros os casos de atletas dos escalões inferiores que conseguem transpor etapas para singrar como seniores. Todavia, quando há essa excepção, as questões que se colocam são complexas.

A 20 de Maio de 1998, na cidade de Maputo, nascia Cláudia Sumaia. Porém, nove anos mais tarde, no Clube Ténis da mesma urbe, brotava uma tenista que, longe do pensamento dos instrutores, se tornaria um talento. A sua infância está inteiramente ligada ao bairro de Malhampsene, no município da Matola, onde reside actualmente com os seus pais e irmãos. Divertida e irrequieta, Cláudia foi sempre considerada uma pessoa próxima dos amigos. Conta, por exemplo, que a mãe queixava-se, amiúde, dela pelo facto de, inúmeras vezes, dispensar a alimentação para se divertir.

“Guardo boas recordações do tempo que era mais nova. Brincava muito. Quem me dera se o tempo voltasse atrás”, lamenta a tenista, sempre que fala do seu passado. Aos seis anos foi assolada por um misto de sentimentos quando, pela primeira vez, ingressou na escola.

Aquele era um mundo novo para uma menina que sempre gostou de brincar. O tempo de duração das aulas seria, para Cláudia, um martírio. Tinha uma enorme vontade de brincar.

“Eu via os meus irmãos mais velhos a irem à escola. Chorava bastante porque queria poder segui-los. Mas fizeram-me compreender que a minha idade impedia-me de estudar”, narra. Cláudia não soube gerir a ansiedade e, quando entrou pela primeira vez numa sala de aulas, viu que já não podia continuar a brincar com os amigos como sempre.

Os primeiros momentos da tenista

Em 2009, fruto de um programa de descoberta de novos talentos, Cláudia Sumaia foi recrutada para formação no Clube Ténis da Cidade de Maputo. A distância entre a sua residência, na Matola, e a quadra do jardim Tunduru, na capital do país, tratando- -se de uma menor na altura, por pouco pôs em causa o início da sua carreira. “O ténis é uma modalidade complexa e difícil. Muitas coisas levaram- me a pensar em desistir. Mas, graças ao apoio incondicional da família, mantive-me firme até os dias que correm”, revela.

Cláudia Sumaia não aprendeu a jogar ténis num só dia. Passou por todas as etapas de formação de um tenista, como é característica daquela modalidade. Conta que teve sérias dificuldades no domínio do raquete, mas, graças à paciência dos professores, soube ultrapassar todos os obstáculos. Um ano depois de ingressar no clube, Cláudia disputou a sua primeira partida de ténis. “Não quero falar dos primeiros jogos. Apenas posso afirmar que temia bastante as minhas adversárias e nunca consegui ganhar”, declara.

Um prodígio pentacampeão nacional

Cinco anos depois de ter disputado o seu primeiro confronto, Cláudia tinha conquistado um surpreendente número de títulos nacionais de ténis de juniores: cinco. Figura no topo do ranking desta modalidade em Moçambique, naquele escalão de formação. Mesmo júnior, Cláudia Sumaia conta com um título nacional de seniores e três medalhas de prata equivalentes à condição de finalista vencida deste mesmo escalão. Por inúmeras vezes foi campeã da cidade de Maputo. No “Open de Moçambique”, que terminou no último sábado (15) na cidade de Maputo, ela conquistou a sua primeira prova internacional.

O maior segredo de Cláudia reside nos treinos

Todo o campeão tem o seu segredo. Cláudia não foge à regra. O sucesso dentro das quadras depende unicamente dos treinos, orientados pelo treinador João Paulo Lobo. “Ele sempre ensina que, para além da preparação, é preciso ser-se humilde e concentrado. Nos treinos aprendo com ele que ninguém nasce campeão, que para isso é preciso dar o nosso máximo no combate. Só assim poderemos ser felizes. Foi desta forma que consegui qualificar-me para o Campeonato Africano de Juniores e vencer o ‘Open de Moçambique’”, conta.

Por outro lado, a tenista agradece o apoio que o treinador e a sua mãe têm prestado à sua carreira. Qual é a fonte de inspiração de Cláudia Sumaia? A nova maravilha das courts nacionais inspira-se na grande referência e tida como a melhor tenista moçambicana de todos os tempos: Laura Nhavene. Para Cláudia, “a veterana tem uma forma de jogar espectacular. Se conseguir fazer metade daquilo que ela fez, penso que terei feito muito na minha carreira”. A nível internacional, Cláudia Sumaia admira bastante a norte-americana Serena Willians, a actual “número um” do ranking mundial.

Quero trazer uma medalha do Campeonato Africano de Ténis

O grande objectivo de Cláudia Sumaia, que curiosamente vai marcar a transição de um escalão para o outro, é conquistar a medalha de ouro no Campeonato Africano de Ténis de juniores que terá lugar no próximo mês de Março em Nairobi.

“Sendo o meu último ano nos juniores, pretendo conquistar medalhas. Vou lutar até ao fim. Já conheço a forma de jogar das minhas adversárias, algumas delas jogaram comigo no africano passado. Espero que desta vez possa trazer, no mínimo, uma medalha para Moçambique, mas o meu objectivo é trazer o título africano, como fez a Laura Nhavene”.

Cláudia está ciente de que conseguir esse feito não será fácil, mas garante que presentemente está concentrada nos treinos, para poder lutar de peito aberto com as suas rivais

Em Moçambique há muito talento mas faltam-nos competições

Segundo Cláudia, Moçambique possui talentos nesta modalidade mas o calcanhar do Aquiles reside na insuficiência de competições no país. “Em Moçambique temos muitos talentos nesta modalidade, mas isso só não basta, temos que ter competições como acontece nos outros países onde um tenista, por norma, tem mais de 20 competições por ano. Por isso, quando saímos para as competições internacionais não conseguimos ombrear com os nossos adversários porque eles competem com alguma regularidade”. Continuando, Cláudia afirmou que espera que 2014 seja diferente de 2013, ano em que em termos de competições quase nada se viu.

Quero ser advogada

Cláudia, que também divide a sua vida desportiva com a escolar, estando neste momento a frequentar a 11ª classe (Ciências com Matemática) na Escola Secundária Francisco Manyanga, sonha, desde a infância, ser advogada.

“Quero ser advogada, este é o meu sonho. Vou lutar com todas as minhas forças para concretizar esse sonho, mas com os pés bem assentes no chão como tem dito a minha progenitora, a quem agradeço pelo apoio que me tem dado, sobretudo quando perco” finalizou Cláudia. “Falta de competições no país contribuiu para o fraco desempenho no “Regional” de Gaberone” Nas eliminatórias regionais de Gaberone, apontou como razões do insucesso a falta de competições no país, apesar de se ter qualificado para o campeonato africano pela terceira vez consecutiva.

“Éramos onze, mas somente eu transitei para a fase seguinte. Isso mostra que o nosso ténis não está bem, muitos dos atletas que estavam nesta selecção são campeões nacionais. Fiquei triste por não terem conseguido o apuramento, mas já estou habituada. Na primeira e segunda qualificação para o africano também fui a única moçambicana a conseguir o apuramento”.

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