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China o ‘atleta economico’ mais rápido dos últimos 30 anos

Se a medição do processo de desenvolvimento socioeconómico dos países fosse como no atletismo, onde ganha o mais veloz e o primeiro a cortar a meta, seguramente que a China teria conquistado todos os prémios e medalhas de ouro disputados pelos cerca de 200 países do mundo inteiro durante os últimos 30 anos.

Mesmo assim, a China é, consensualmente, considerada como sendo o único país que, pela primeira vez na história da humanidade, está a conseguir registar uma industrialização e urbanização tão dinâmicas e rápidas jamais registadas num outro país.

Este é o caso de Shenzhen, que em 1980, ou seja, há 30 anos era uma simples e pacata vila habitada apenas por 300 pescadores pobres. Contudo, hoje, é uma das megacidades mais modernas situada a sul de Hong-Kong, que conta com 10 milhões de habitantes, com um Produto Interno Bruto (PIB) superior a 120 biliões de dólares.

Para que o caro leitor tenha uma ideia da metamorfose dos chineses para se transformarem nos maiores ‘’jogadores económicos” nada melhor que apresentar dados estatísticos demonstrando a mudança radical da face do seu país. Por exemplo, devido a transformação de Xangai nos últimos oitos anos, a partir da qual escrevo este artigo, acontece que mesmo os taxeiros locais mais velhos, que conheciam esta cidade como a palma de suas mãos, vêm-se forçados a comprar mapas desta urbe em cada seis meses, para poderem levar os seus clientes aos seus destinos.

Isso porque a cada seis meses que passavam, Xangai ‘’mudava completamente’’ de face e que a transformava numa ‘’outra cidade’’ que já não podiam mais saber como circular nela. Por exemplo, Xangai conta agora com centenas de auto-estradas novas, que foram construídas ao longo dos últimos oito anos, incluindo muitas aéreas que a serpenteiam por cima de prédios de três a quatro pisos.

Tal como dizíamos no último artigo sobre a capital chinesa Beijing, Xangai também já não é a mesma Xangai, mas sim, uma outra e muito diferente daquela que era há 15 anos. A única coisa que continua a mesma, é local onde se localizava a velha Xangai. Mesmo assim, já existe uma Xangai que antes desta gigantesca operação de expansão e modernização não existia, como uma nova zona chamada Pondong.

Tudo isto e muito mais, faz com que esta cidade de Xangai tenha agora uma economia que cresce a um ritmo anual de 11,1 por cento, e um PIB calculado em 114 biliões de dólares. Actualmente, o Porto de Xangai é um dos mais movimentados do mundo inteiro, sendo daqui donde parte a maioria dos produtos acabados que são consumidos no resto do globo. O Porto de Xangai movimenta cerca de 443 milhões de toneladas de carga por ano.

O testemunho do trabalho árduo dos chineses na transformação do seu país na maior potência mundial são os valores astronómicos que têm vindo a acumular ano após ano, e o volume do investimento feito na resolução de seus problemas e modernização do seu país. Por exemplo, no último artigo que escrevi a partir da sua capital Beijing, dizia que eles foram capazes de modernizar esta sua capital em apenas 10 anos, que a transformou numa outra cidade. Para o efeito, o governo investiu mais de 34 biliões de dólares.

Deste valor, 22 milhões foram investidos na modernização da capital chinesa, um processo que compreendeu a construção de uma nova cidade, estradas, pontes e um novo aeroporto, enquanto os restantes 12 biliões foram gastos na preparação dos Jogo Olímpicos de 2008.

BEIJING GASTOU TRES TRILIOES DE DOLARES PARA MODERNIZAR XANGAI

Outro exemplo que demonstra que os chineses já estão do lado da fortuna que lhes advêm do seu trabalho árduo, tanto dentro como fora do seu país, é o investimento de três triliões para modernizar e expandir esta cidade de Xangai, e assim poder acolher, com dignidade, a edição da Expo 2010 que decorre desde Maio último a Novembro próximo.

Para se ter uma ideia sobre a transformação de Xangai, basta dizer que a expansão e modernização do seu aeroporto internacional, e as vias de acesso para escoar mais de 70 milhões de passageiros que anualmente chegam nesta cidade, custou 1,5 biliões de dólares. Este valor está muito acima dos 110 milhões de dólares investidos para a expansão e modernização do nosso Aeroporto Internacional de Maputo.

O que provoca a admiração do mundo inteiro, devido a rapidez com que os chineses têm estado a modernizar o seu país, é o facto de algumas das províncias que em tempo recorde eles transformaram em megacidades têm o tamanho de alguns países europeus. Este é o caso das províncias de Hunan, Hubei e Jianxi que têm o mesmo tamanho da França, Itália e Espanha, respectivamente.

Hubei foi uma das províncias visitada pelo primeiro-ministro Aires Aly, onde viu quanto está também sendo modernizada, incluindo a sua agricultura. Refira-se que o nosso primeiroministro, Aires Aly, encontra-se actualmente na China no quadro de uma visita de trabalho, de cinco dias, iniciada no Domingo ultimo, para o reforço da cooperação entre Beijing e Maputo.

Até aqui, Aires Aly conseguiu nesta visita assegurar acordos com os chineses perfazendo 165 milhões de dólares em donativos e créditos sem juros, que serão investidos numa série de empreendimentos em Moçambique, incluindo a construção de uma fábrica de cimento em Sofala, com uma capacidade anual para a produção de 500 mil toneladas e uma outra para o processamento de algodão em Magude, na província de Maputo.

Hubei mantém uma geminagem com a província de Gaza, no sul de Moçambique. Actualmente, está a testemunhar igualmente uma rápida modernização e urbanização, que os seus 69 milhões de habitantes jamais se atreviam a sonhar há 15 anos. Durante a sua visita, as autoridades locais prometeram continuar a cooperar com Gaza, especialmente na transferência das técnicas locais de produção de arroz para os camponeses e farmeiros daquela província moçambicana.

Por exemplo, em Hubei, cada hectare produz 12 toneladas de arroz, contra as 0,5 toneladas que os nossos compatriotas colhem no mesmo espaço. Graças as técnicas que lhes estão sendo transmitidas por uma equipa de técnicos chineses estacionados em Chokwe, esta região já consegue atingir oito toneladas por hectare. Aliás, os técnicos chineses asseveraram a Aires Aly que num futuro próximo será possível atingir as 12 tão almejadas toneladas por hectare.

Segundo os técnicos chineses, este aumento no rendimento do arroz será replicado noutras culturas tanto em Chokwe, bem como noutros pontos do pais, porque o objectivo final é transmitir esta experiência chinesa em todo o território moçambicano.

Com estes altos rendimentos na agricultura, vê-se logo que os chineses dominam todos as disciplinas económicas, e que nós os moçambicanos ainda temos muito a aprender com eles, incluindo sobre como ter boas colheitas e modernizar as nossas cidades.

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