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Chefe da Assembleia da Venezuela sugere adiamento da posse de Chávez

O chefe da Assembleia da Venezuela, Diosdado Cabello, disse, esta Quarta-feira (19), que, na sua opinião, poderia ser adiada a posse do presidente Hugo Chávez, que está em Cuba a recuper de uma cirurgia complexa do cancro, porque a vontade do povo é mais importante do que uma data especificada na Constituição.

O militar aposentado de 58 anos está há mais de uma semana no hospital após uma cirurgia e, Segunda-feira, sofreu uma infecção respiratória que já foi controlada, segundo o governo, acrescentando que ele deve permanecer em repouso absoluto nos próximos dias, o que levanta dúvidas adicionais sobre sua recuperação.

Cabello disse que a data de 10 de Janeiro, que de acordo com a Constituição é o dia em que Chávez deve assumir um novo mandato de seis anos, não está escrita em pedra.

“Não podes prender a vontade de um povo a uma data. Então, se não fazes naquele dia, se não for no 10 de Janeiro, a vontade de 8 milhões de pessoas não vale?”, disse Cabello a jornalistas, que também é líder do partido governista PSUV, segundo o jornal El Nacional, esta Quarta-feira.

Ele disse que estava a expressar a sua opinião e que caberia ao Supremo Tribunal de Justiça fazer esclarecimentos. Chávez está há 14 anos à frente do poder na potência petrolífera e, nesse período, conduziu o país a um modelo socialista montado quase que exclusivamente sobre sua enorme popularidade.

Em 2011, ele foi diagnosticado com cancro na região pélvica e desde então tem estado dentro e fora da arena pública. Cabello disse que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) ainda não fez um pedido de adiamento do dia da posse, pois o cenário que se coloca neste momento é que o presidente estará de volta no início do ano.

Infecção

Chávez surpreendeu os venezuelanos na semana passada quando, antes de ir a Cuba para uma quarta cirurgia, temporariamente entregou as rédeas do governo ao vice-presidente, Nicolas Maduro, e pediu para votarem nele caso sejam convocadas eleições presidenciais.

A cirurgia, que durou seis horas e teve outras complicações, não permitiu que o mandatário venezuelano se comunicasse directamente com o povo como costumava fazer, mesmo após a vitória esmagadora do seu partido nas eleições regionais de Domingo.

Desde que Chávez anunciou uma nova recorrência do cancro a pergunta óbvia no país da América do Sul é se o presidente será capaz de tomar posse em três semanas.

A Constituição venezuelana, alterada em 2009 para permitir a reeleição contínua do presidente e governadores, diz que, se um candidato eleito não puder assumir, novas eleições devem ser realizadas num prazo de 30 dias.

Mas também determina que “se por qualquer motivo ocorrido, o presidente da República não puder tomar posse perante a Assembleia Nacional, o fará perante o Supremo Tribunal de Justiça”, o que de acordo com alguns juristas permitiria que Chávez fizesse o juramento na Embaixada da Venezuela em Havana, na presença de juízes.

Um funcionário do governo com conhecimento da saúde de Chávez disse que “o prognóstico do cancro não é bom”. “Chávez está a passar por uma situação muito degradante do ponto de vista humano… Seria um milagre conseguir jurar a 10 de Janeiro”, acrescentou o funcionário, que pediu anonimato.

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