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Carência de Pediatras e Cirurgiões

As províncias de Maputo, Sul de Moçambique, e Manica, no Centro, carecem de médico pediatra e de cirurgião, segundo constatou o mais recente estudo de avaliação das necessidades em saúde materna e neonatal no país.

O estudo, designado “Avaliação de Necessidades em Saúde Materna e Neonatal em Moçambique” realizado de Novembro de 2006 a Outubro de 2007 pela Direcção Nacional de Saúde Pública do Ministério da Saúde (MISAU), indica que o país conta apenas com um total de 46 médicos pediatras. “Com 20 profissionais do género, a cidade de Maputo é a que possui mais pediatras enquanto que as províncias de Maputo e Manica não têm um único”, afirma o estudo lançado esta semana em Maputo, acrescentando que “este facto demonstra uma grande desigualdade na repartição dos recursos existentes no país”.

Estas duas províncias não possuem um único cirurgião, embora o país tenha um total de 28 cirurgiões. De novo, a cidade de Maputo é a que conta com maior número de profissionais do género, num total de quatro, sem contar com os que trabalham no Hospital Central de Maputo (HCM), que não foram contabilizados. As outras províncias têm entre dois a quatro cirurgiões. Durante o período da realização deste estudo, o Sistema Nacional da Saúde (SNS) tinha um total de 12.689 trabalhadores nas 415 unidades sanitárias analisadas.

A maior parte deste pessoal estava concentrada nas capitais provinciais, onde existem hospitais centrais. Assim, a cidade de Maputo contabilizou 2.762 trabalhadores, Beira (1.871) e Nampula (2.017). A semelhança do que acontece em relação aos médicos pediatras, a distribuição geográfica do pessoal especializado em cesarianas é muito desigual, sendo os hospitais centrais os mais privilegiados. Com efeito, com 41 profissionais, a cidade de Maputo é a que possui o maior número de gineco-obstetras, cirurgiões, técnicos de cirurgia e de obstetrícia existentes no país, sendo que Nampula e Beira contam com 17 e 16, respectivamente.

Os locais mais desfavorecidos são as províncias de Maputo (com dois), Manica (três) e Niassa (com seis profissionais). O relatório sobre este estudo indica que a disponibilidade de recursos humanos capacitados para a provisão dos serviços de saúde materno infantil representa um dos maiores constrangimentos para o alcance dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio nas componentes de redução da mortalidade infantil.

O documento explica que, para assegurar os cuidados obstétricos de emergência completos “além de pessoal habilitado a realizar cesarianas, a presença de médicos ou técnicos de anestesia, técnicos ou enfermeiros instrumentistas, bem como do pessoal do laboratório é indispensável”. Assim, o SNS continua a depender de muitas parteiras e enfermeiros elementares, sendo as províncias de Nampula e Inhambane as que possuem maior número de profissionais do género.

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