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Capriles e Maduro trocam acusações em dura campanha venezuelana

Os candidatos presidenciais Nicolás Maduro e Henrique Capriles começaram a disputa eleitoral da Venezuela com contundentes ataques pessoais, mesmo com milhares de venezuelanos ainda de luto pela morte de Hugo Chávez.

Maduro, que foi empossado como presidente interino depois que Chávez perdeu a batalha conta o cancro, semana passada, é visto como o favorito para vencer as eleições de 14 de Abril. Ele tem a ajuda do aparelho do Estado, financiado pelo petróleo, e conta com uma onda de simpatia popular após a morte de Chávez.

Chávez deixou claro antes da sua quarta e última operação contra o cancro, em Dezembro, que queria Maduro como o candidato do seu Partido Socialista para sucedê-lo em caso de morte. Maduro promete continuar as políticas socialistas do governo de 14 anos de Chávez, incluindo o uso popular das vastas receitas do petróleo da Venezuela para financiar programas sociais.

Mas Capriles está a prometer uma batalha dura. “Nicolás, eu não vou lhe dar passagem livre… você não é Chávez”, disse Capriles em discurso combativo na noite de Domingo. Ele também acusou Maduro de mentir ao minimizar os problemas de saúde de Chávez, enquanto preparava a sua própria candidatura presidencial.

“Nicolás mentiu para este país durante meses”, disse Capriles. “Você está a explorar alguém que não está mais aqui, porque você não tem mais nada a oferecer ao país… Eu não jogo com a morte, eu não jogo com o sofrimento.” Minutos depois, num discurso à nação no fim da noite, Maduro disse que o seu rival estava a brincar com fogo, ofendendo a família de Chávez e arriscando ser processado.

“Você pode ver o rosto repugnante do fascista que ele é”, disse Maduro visivelmente furioso, alegando que a oposição queria provocar violência. “O seu objectivo é provocar o povo venezuelano.”

Em jogo nas eleições não está apenas o futuro da “revolução socialista” de Chávez, mas a continuação dos subsídios do petróleo venezuelano e outras ajudas essenciais a economias de aliados de esquerda ao redor da América Latina, de Cuba à Bolívia.

Maduro e Capriles devem registar formalmente as suas candidaturas junto à autoridade eleitoral da Venezuela, esta Segunda-feira. Abalados com a morte de Chávez e agora imersos na campanha eleitoral, os venezuelanos vivem de certa forma uma volta à normalidade, esta Segunda-feira, com a maioria das escolas e lojas a reabrirem depois de ficarem fechadas durante a semana passada.

Luto

O período de luto oficial de Chávez termina, esta Terça-feira. Vários milhões de venezuelanos visitaram o caixão de Chávez numa academia militar, numa manifestação dramática de sofrimento.

Apesar de criticado por muitos por suas tendências autoritárias e manipulação da economia, Chávez era amado por milhões de pessoas, especialmente os pobres, por causa da sua própria origem humilde, linguagem simples, ataques aos “imperialistas” dos EUA e à “elite” venezuelana, bem como as suas políticas de bem-estar nas favelas da Venezuela.

Ele está rapidamente a ganhar um status quase religioso entre os partidário, talvez semelhante ao do ex-governante populista da Argentina Juan Perón e sua esposa, Eva Peron. A televisão estatal vem exibindo discursos e aparições de Chávez cada vez mais, ao lado de uma faixa que diz “Chávez vive para sempre”.

Capriles, um governador de oposição de 40 anos, é do partido centrista e descreve-se como um “progressista” admirador do modelo político do Brasil. Ele disputou as últimas eleições presidenciais, em Outubro, recebendo 44 por cento dos votos, mas foi incapaz de impedir a reeleição de Chávez.

Maduro, de 50 anos, um ex-motorista de autocarro e ex-dirigente sindical que ecoa a retórica anti-imperialista de Chávez, certamente fará do seu ex-chefe a peça central da sua campanha, ao se autoretratar como o único herdeiro do chavismo.

Duas pesquisas de opinião publicadas antes da morte de Chávez deram a Maduro uma vantagem de mais de 10 pontos percentuais. A morte de Chávez e a eleição iminente ofuscaram outras questões prementes na Venezuela, incluindo um conjunto de medidas de austeridade económica que o governo deveria anunciar.

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