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Canoagem: Somos (inquestionavelmente) os campeões africanos!

Canoagem: Somos (inquestionavelmente) os campeões africanos!

Mesmo sem treinadores de canoagem, foi possível Moçambique conquistar duas medalhas de ouro e igual número de bronze na edição 2013 do Campeonato Africano de Canoagem, certame que teve lugar entre os dias 19 e 29 de Novembro últimos na Tunísia.

Para o secretário-geral da Federação Moçambicana de Vela e Canoagem (FMVC), Hélio da Rosa, igualmente chefe da delegação que viajou até Tunísia e venceu o “Africano”, os prémios conquistados pelos nossos atletas são surpreendentes na medida em que há falta de competições em Moçambique, colocando os seus praticantes com um baixo nível de rodagem.

“Nós estamos sem competir há exactos três anos. A última prova em que participámos e que se equipara a este Campeonato Africano foi a décima edição dos Jogos Africanos de Maputo. Se tivéssemos disputado mais certames internacionais, quem sabe, poderíamos trazer mais medalhas de ouro para o país”, explicou da Rosa, acrescentando que Moçambique encontrou na Tunísia adversários difíceis e devidamente preparados, sendo alguns olímpicos. Mesmo assim “nós soubemos disputar as corridas de igual para igual”.

Muito talento e pouco esforço ganham títulos

Hélio da Rosa explicou ao @Verdade que para vencer este “Africano”, na categoria de “c1” de 200 e 1000 metros, bem como para alcançar a terceira posição na corrida colectiva de “c2” de 200 metros, Moçambique não teve muito trabalho durante a preparação.

“Para além das provas de apuramento que decorreram no Clube Marítimo, nós tivemos um estágio em Chidenguele há um mês do ‘Africano’. Os nossos atletas ficaram lá por duas semanas”, avançou o nosso entrevistando assegurando, por outro lado, que estava em dúvida a presença de Moçambique na Tunísia em virtude de o seu organismo não dispor de fundos. “Contámos com o apoio do Comité Olímpico, sobretudo de Marcelino Macome, a quem devemos agradecer por tudo. Sem eles não teríamos ido ao campeonato ganhar estas medalhas”.

Segundo a nossa fonte de informação, a selecção nacional não teve a oportunidade de ser preparada por um treinador. Aliás, esta figura não existe desde 2011 depois da realização dos Jogos Africanos em Maputo. “Os meus atletas prepararam-se sozinhos. Viam regularmente vídeos de competições internacionais e inspiravam-se para melhorar a sua prestação a cada dia. Sou capaz de assumir que eles uniram o dom às técnicas que assimilaram ao longo dos meses”, completou.

As dificuldades da nossa selecção

Durante a competição que teve lugar na capital da Tunísia, entre os dias 19 e 29 de Novembro, a nossa selecção nacional enfrentou várias dificuldades. A primeira está relacionada com a alimentação, segundo relatam os próprios atletas.

“Para além da temperatura que estava muito baixa, tivemos problemas na alimentação. Por tratar-se de um país árabe, a comida não foi harmonizada, ou seja, não foi diversificada”, adiantaram os atletas, avançando que inicialmente estiveram hospedados num hotel que oferecia boas condições sendo que, mais tarde e por questões logísticas, foram conduzidos para um outro ainda na cidade de Tunis.

“Fomos a um sítio deplorável. Não havia variedade no cardápio. Reportámos a situação ao Comité Organizador Local que simplesmente nos ignorou. Comíamos pão com ovo e tomávamos sumo”, confessaram.

Por outro lado, os atletas moçambicanos queixaram-se dos barcos disponibilizados pela organização do “Africano”que, na sua óptica, não estavam em condições de serem utilizados numa competição daquela dimensão. “Havia canoas melhores. Mas neste tipo de competições há sempre filhos e enteados. Reclamámos e nada resultou. A delegação sul-africana foi a mais beneficiada e mesmo assim nós conquistámos duas medalhas de ouro”.

Os amantes da canoagem contam que Moçambique, apesar das suas limitações financeiras, tem embarcações que obedecem ao padrão internacional das competições, diferentemente do que se encontrou na Tunísia. “Fomos obrigados a pedir emprestado barcos modernos aos adversários que foram prematuramente eliminados”, declararam.

Mussá, medalha de bronze

Foi o vencedor da medalha de bronze na corrida “c2” de 200 metros. Iniciou a sua carreira em 2009 e foi o pioneiro da canoagem desportiva no Clube Marítimo de Maputo. Tem 21 de anos e nasceu na cidade de Maputo a 19 de A. Para Mussá, “a prova foi boa e até estivemos a liderar durante muito tempo. Mas a condição da pista atrapalhou-nos e não foi possível conquistar a medalha de ouro”.

Explicou que a organização não colocou as bóias de sinalização e “nós fomos obrigados a parar antes da chegada, o que nos retirou a primeira posição. Não soubemos onde terminava a corrida e quando nos apercebemos de que estávamos no lugar errado, já era tarde. Havia dois adversários à nossa frente”.

O atleta lamentou, igualmente, a falta de um treinador e de estágios pré-competitivos que, na sua óptica, seriam benéficos para Moçambique de modo a colocar os seus atletas no topo das provas internacionais. “Só ver os vídeos não é suficiente. Precisamos de um técnico e de oportunidades de competir com adversários que têm uma larga experiência na canoagem”.

Joaquim Lobo, duas medalhas de ouro e um de bronze

Joaquim Lobo é o novo número um da canoagem em África. Nasceu na cidade de Maputo a 06 de Janeiro de 1995. Entrou nesta modalidade através da Escola de Formação do Clube Marítimo de Maputo em 2010.

Venceu as duas provas individuais em que participou, nomeadamente de 200 e 1000 metros. Na competição colectiva conquistou a medalha de bronze ao lado de Mussá. “Sinto-me muito feliz. Vencer esta competição foi a concretização de um sonho de infância. Não foi fácil e saí da Tunísia com a sensação de missão cumprida. Agora tenho de pensar no futuro e nas próximas provas internacionais”, revelou ao @Verdade.

Como segredo, Joaquim revelou que foram indispensáveis a força, a garra e a dedicação. Sobre a falta de treinador, o campeão africano destacou que “todo o atleta necessita de um técnico. Em todo o lado é necessária uma pessoa que nos indique o caminho certo, que nos mostre os erros e que nos ajude a entender algumas coisas. Não somos perfeitos”. “Como disse anteriormente, preciso de um treinador, de um bom remo e de um estágio internacional para manter os meus actuais níveis”, alertou Joaquim Lobo.

Sobre a falta de treinador

A Federação Moçambicana de Vela e Canoagem disse ao @Verdade que Moçambique não precisa, neste momento, de um treinador de canoagem. No entanto, Hélio da Rosa começa por esclarecer o sucedido durante a preparação para o “Africano” da Tunísia. “Nós entrámos em contacto com o técnico que orientou esta selecção em 2011. Só que ele se encontra no Brasil a fazer um curso e mostrou-se indisponível para voltar a trabalhar em Moçambique, apesar da sua vontade de ir a Tunísia orientar os atletas”, e esclareceu que “alguns destes estão em idade de ser treinadores dos mais novos”.

Ainda segundo da Rosa, a canoagem não impede que os atletas sejam treinadores simultaneamente. “Sucede que eles não querem parar de competir. E nós não podemos impedi- los até porque conseguem orgulhar o país nesta condição”, rematou. No próximo ano, soube o @Verdade, dois destes cinco atletas que participaram no Campeonato Africano de Canoagem vão ao Brasil capacitar-se em matérias de formação de novos talentos.

David Nhassengo

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