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Caia: escola agrária é também escola de camponeses

Alguns camponeses que beneficiam de capacitação em técnicas agrícolas na Escola Agrária de Murraça, distrito de Caia, província de Sofala, Centro de Moçambique, dizem que nunca é tarde aprender algo que lhes ajude a melhorar ou a dar mais valia a sua produção. 

Basilar Lassuada, camponês de 59 anos de idade residente na localidade de Murraça, disse nunca ser tarde aprender alguma coisa na actividade que lhes sustenta, a agricultura, por isso frequenta com entusiasmo um curso sobre técnicas de produção e processamento agrícola.

Lassuada faz parte de um grupo de cinco associações de camponeses daquela localidade que beneficiam do curso em questão ministrado pela Escola Agrária de Murraça, um estabelecimento de ensino que além de formar técnicos agrários de nível básico, também possui programas de capacitação de membros da comunidade local em “boas” práticas agrícolas.

“Primeiro aprendemos a conservar a semente e a produzir conserva de tomate, para alem de produção jam com base em diversas frutas como banana e papaia”, disse a fonte, falando último Sábado a AIM, na localidade de Murraça. Ele aceitou conversar com a AIM a margem da visita que a Primeira-Dama da Republica, Maria da Luz Guebuza, efectuou a Escola Agrária de Murraça.

Lassuada revelou também que já sabe usar técnicas locais para evitar a podridão de milho, bem como fazer conservas de batata-doce e repolho. “Antes, estes produtos apodreciam porque não sabíamos como os conservar”, disse ele, quando questionado pela AIM para se pronunciar sobre as vantagens de frequentar cursos do género. Apesar da sua idade avançada, o sonho de Lassuada é de continuar a aprender outras técnicas agrícolas e difundi-las nas outras comunidades. Outro grande sonho do interlocutor da AIM é ver as comunidades dotadas de equipamento necessário para o processamento de fruta e tomate.

“Vamos contribuir, pouco a pouco, até termos dinheiro suficiente para comprar essa maquinaria”, prometeu a fonte. As cinco associações de camponeses de Murraça, de que Basilar Lassuada faz parte, são as primeiras a beneficiar de cursos sobre técnicas de produção e processamento agrícola desde o início do funcionamento da Escola Agrária local, no passado ano de 2008.

Segundo a Coordenadora do projecto, Francesca Luchi, esta iniciativa foi concebida em 2004 pelo “Consórcio Moçambique” (entidade responsável por questões da cooperação bilateral entre a província de Sofala e a província autónoma de Trento (Itália) com o objectivo de melhorar as condições de vida dos idosos e jovens. “Pensou-se em ministrar aulas de agro-pecuária e gestão empresarial e desenvolver-se uma empresa agrícola modelo ao lado da escola”, explicou ela, num breve contacto com a imprensa, referindo que, para a materialização da iniciativa, a província autónoma de Trento e outros parceiros italianos desembolsaram 1,2 milhão de euros, valor com que foi construída a escola.

Em entrevista a AIM, Alface Jogimo, Chefe do Departamento de Produção da Escola Agrária de Marruça, explicou que a implementação do projecto de capacitação de camponeses conta com um financiamento de 25 mil dólares desembolsados pelo Fundo para o Desenvolvimento de Competências, do Programa Integrado da Reforma do Ensino Técnico Profissional em Moçambique. Segundo Jogimo, que também é professor da disciplina de Práticas de Produção e Mecanização Agrícola, além da sua capacitação, a escola, através dos seus técnicos, presta assistência técnica as comunidades locais, directamente nas machambas.

“Implementamos este projecto com o objectivo de dotar os camponeses de técnicas de gestão de produção, particularmente nas componentes de manuseamento da produção e comercialização”, explicou ele, acrescentando que, geralmente, os camponeses vendem toda a produção sem se recordar das suas próprias necessidades. A Escola Agrária de Murraça ocupa uma área de 106 hectares, dos quais cem são destinados a actividade agrícola. Neste momento, este estabelecimento de ensino está apenas a explorar quatro hectares para desenvolver actividades agrícolas. Além de campos destinados a aulas práticas, a escola possui fruteiras e campos com plantação de milho, hortícolas e leguminosas.

“Vamos conservar a nossa escola”

Durante a sua visita aquela instituição de ensino, a Primeira-Dama da República, Maria da Luz Guebuza, apelou aos estudantes e a comunidade no geral para tudo fazerem de forma a se conservar devidamente aquela infra-estrutura, para que poça funcionar por mais tempo. “Cada um de nós tem de ser vigilante com vista a manter a escola bem conservada”, disse a esposa do Presidente moçambicano, Armando Guebuza, falando durante um encontro com a população local momentos após a inauguração do bloco administrativo da Escola Agrária de Murraça.

“Não queremos vir aqui amanhã e encontrarmos vidros partidos ou que a escola foi vandalisada”, apelou ela, salientando que “cada um de nós deve tratar deste património como se fosse seu”.

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