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Bruno: O (e)terno capitão

Bruno: O (e)terno capitão

Um dos nossos heróis em San Juan, na Argentina, chama-se Bruno Pimentel. Nasceu em Junho de 1976, e é pai de dois rapazes, o Gabriel e o Bruno, a quem já passou a “bichinho” do hóquei, como há muitos anos o seu fez com ele e os irmãos. Foi o capitão da nossa selecção durante 12 anos (até ao último jogo do Mundial). Vai deixar de jogar pela selecção mas é provável que nunca abandone o hóquei. Com a experiência de quem joga há mais de duas décadas, falou sobre a selecção, do Mundial e do hóquei que temos.

Não guarda ressentimentos, apesar das inúmeras provações que tem vivido num país onde a prioridade é um desporto (o futebol) que nunca ganhou nada e, cada vez menos, arrasta multidões para os campos. Enquanto se escreve mais um capítulo na novela do treinador para a selecção de futebol, Bruno confidenciou-nos que a selecção nacional de hóquei em patins pode perder o selecionador que a guiou ao quarto lugar do Mundial porque, até hoje, “quem de direito” não garantiu a sua continuidade.

@Verdade (@V) – És capitão da nossa selecção há quantos anos?

Bruno Pimentel (Bruno) – Há 12.

@V – Participaste em quantos Mundiais?

Bruno – Dez Mundiais.

@V – Em qual deles foi mais difícil ser capitão?

Bruno – Este, estivemos muito próximo…(risos) se tivesse sido fácil tínhamos ganho.

@V – O que foi preciso para chegares a capitão desta selecção?

Bruno – Fui eleito (em 1999), por unanimidade, pelos meus colegas. Eles fizeram uma votação e escolheram aquele que eles pensaram ser o mais responsável, a pessoa que eles melhor pudessem compreender se quisessem conversar e servir de elo de ligação entre a direcção da Federação e os jogadores.

@V – Durante estes 12 anos qual foi o problema mais difícil de gerir?

Bruno – Em todos os Mundiais houve sempre problemas com a parte financeira. Cada um pensa à sua maneira, há pessoas que têm certa influência dentro do grupo (risos… mais influência que o capitão) e conseguem manipular as outras. Se eu tiver um desejo e manifestar esse desejo perante o grupo por mais que haja um chefe hierárquico nesse grupo o desejo de todos é o que prevalece.

Por exemplo, alguém diz que não pode ganhar mil tem que receber dois, por várias razões, os outros também alinham e se um ganha dois mil todos nós também queremos o mesmo. Tu, como capitão de equipa, tens de saber gerir e chamar as pessoas à razão e encontrar um meio-termo dentro das limitações da Federação e, logicamente, como o capitão também faz parte daquele grupo, mas sem prejudicar os atletas.

@V – Tem sido possível agradar os dois lados?

Bruno – Tem sido, sim.

@V – Vais continuar a jogar pela nossa selecção?

Bruno – No último jogo que fiz pela selecção, frente a Portugal, manifestei o meu desejo de deixar de jogar pela selecção nacional de Moçambique porque está a tornar-se incompatível com as minhas obrigações profissionais e familiares. Este ano eu tirei férias para ir jogar no Campeonato do Mundo, fiquei um mês fora do país e longe da família.

Essas são as férias que tinha para gozar e este ano já não vou de férias com a família, só para o ano. Ao mesmo tempo é um mês no qual atrasei o meu trabalho (Bruno é contabilista numa empresa privada de construção). Desta vez, quando pedi para sair os chefes disseram que eu tenho de ponderar melhor porque durante a minha ausência poderiam ter de substituir-me.

@V – E o que pensa a tua mulher disso?

Bruno – O hóquei para além de “fama” não me trouxe nada de benéfico, antes pelo contrário, sempre me prejudiquei com o hóquei. Ela (chama- -se Ana Karina) por várias vezes já me perguntou: “Porque não deixas, porque não paras, isso só te faz gastar dinheiro e ocupa o teu tempo”.

@V – Afinal não tens um estatuto especial? Foste jogar pelo país…

Bruno – Antes a Federação e o Ministério dos Desportos enviavam uma carta a solicitar a minha dispensa porque eu ia em nome do Estado moçambicano, quando entrei nesta empresa perdi esse estatuto, é uma empresa privada não é uma empresa do Estado.

Como tenho que optar pensei: já tenho 35 anos, dos quais joguei 18 pela selecção, preciso de descansar um bocadinho. Já não aguento com a pedalada dos jogos, senti isso no estágio pré-competitivo que fizemos (na Espanha, onde fazíamos dois três treinos por dia e ainda um jogo), o meu corpo já se ressente. Já vejo os miúdos a passarem por mim (risos…) torna-se um bocado difícil fazer um jogo de 40 minutos.

@V – Mas deixas de jogar hóquei?

Bruno – Não. Fiz um compromisso com o hóquei em patins de jogar até aos 40 anos.

@V – E onde vais jogar porque em Moçambique neste momento não há competição regular?

Bruno – Vamos voltar a ter competições regulares. Tivemos um período conturbado, um pouco antes do Mundial, primeiro ficámos sem campos, porque começaram a ser reabilitados para os Jogos Africanos. Depois não pudemos usá-los porque foram reabilitados para os Jogos e só depois de estes terminarem iríamos poder voltar a jogar neles.

Agora, há informações não oficiais de que certos pavilhões vão ser vedados à prática de hóquei porque (supostamente) os patins podem danificar os novos pisos que foram colocados. Mas, apesar de todos problemas, vou continuar a jogar hóquei moçambicano (risos), já estamos habituados a todas essas dificuldades. Neste ano ainda falta disputar o campeonato e a taça.

@V – Quando saíram de Maputo para o estágio – com as dificuldades habituais, o Mundial que podia ter sido na nossa casa…– o que te passou pela cabeça?

Bruno – Saímos com um objectivo único, que era garantir a manutenção no grupo A. Nem tínhamos em mente passar para os quartos-de-final. Com todas as dificuldades que tivemos na preparação, íamos tentar ficar entre o nono e o décimo terceiro lugar. O treinador, depois de nos ter treinado uma semana (ainda aqui em Maputo) disse-nos que com as condições que tínhamos não podíamos fazer nada. Chegámos ao estágio em Espanha com apenas 15 dias de antecedência, incluindo domingos.

@V – Qual teria sido o tempo ideal de preparação?

Bruno – No mínimo seis meses. Por exemplo, a outra selecção africana, Angola, quando acabou o Mundial em Vigo em 2009, começou logo a preparação para o Mundial deste ano, só nos seis meses finais da preparação deles investiram mais de um milhão de dólares americanos – foram a Argentina, Espanha, fizeram torneios internacionais movimentando 30 atletas – nós (Moçambique) teremos gasto em toda a preparação cerca de 300 mil dólares americanos.

Angola quando chegou lá tinha estatuto de candidata ao título, tinha participado num torneio na Suíça onde até havia empatado com Argentina no jogo de apuramento ao terceiro lugar.

@V – Achas que a nossa falta de preparação e o facto de ninguém dar a mínima hipótese à nossa selecção terá contribuído para as vitórias que vocês conquistaram?

Bruno – Não é verdade que ninguém esperava uma boa prestação. Na véspera do jogo contra a Espanha (meia-final) um dirigente espanhol, que havia vindo ter comigo para trocar camisetas, disse- me que o ambiente no hotel deles era tenso, “eles estão com medo de vocês”. Eu disse-lhe que a pressão estava do lado deles, eles eram os campeões do mundo, nós íamos para lá jogar como vínhamos fazendo (risos), fomos a única equipa que os levou ao prolongamento.

@V – A presença dos quatro moçambicanos – Igor Alves, Bruno Pinto, Carlos Saraiva e Mário Rodrigues – que vivem e jogam em Portugal foi decisiva neste Mundial?

Bruno – Foi.

@V – Como foi que eles apareceram na selecção?

Bruno – Eles são naturais de Moçambique, nasceram cá e foram viver em Portugal, mas não tinham a nacionalidade. Começaram a praticar hóquei em patins lá onde jogam em equipas de segunda linha.

O nosso conselheiro técnico (o Zé Carlos) ajuda-nos a identificar esses naturais de Moçambique que têm qualidade e vontade de integrar a nossa selecção. Depois – dentro da política que temos na Federação, de não ter mais do que quatro jogadores nessas condições na selecção – tratamos da sua integração no grupo, que aconteceu no estádio que fizemos em Espanha.

@V – E quando é que eles vêm cá?

Bruno – Em princípio deverá haver uma homenagem à equipa, organizada pelo Governo, foi prometido na Argentina, e aí eles poderão vir. Mas isso é um assunto que está a ser tratado pelas chefias da Federação. Deverá ser uma coisa bonita, está a estudar-se a hipótese de convidar uma selecção de fora que venha cá jogar contra nós num torneio amigável.

@V – Quem vos acompanhou em San Juan neste Mundial, para além do seleccionador e do presidente da Federação?

Bruno – Nós temos sempre um médico, um treinador adjunto, um homem de serviços gerais (que coordena o aspecto dos equipamentos).

@V – E na Argentina comiam o quê?

Bruno – Era todos os dias carne assada (risos… daquele bife maravilhoso que eles têm lá), bife, frango, massa e arroz. Nós até brincávamos dizendo que o cozinheiro tinha ido às primeiras aulas de culinária e nunca mais lá voltou!

@V – Qual é o próximo compromisso da nossa selecção?

Bruno – Há vários convites para torneios fora, devido á exibição e ao patamar em que estamos.

@V – Fala-nos do apoio do público argentino, uma vez que no jogo frente à Espanha estava todo o pavilhão a puxar por vocês…

Bruno – Este apoio começou em 2001, nessa altura já fomos bem recebidos. Diziam que gostavam de nós porque nós éramos simpáticos, atenciosos, diferentes das outras selecções que têm aquele espírito de vedetismo, não aceitam sequer parar para tirar uma fotografia com um fã na rua. Perto do hotel onde estivemos hospedados existem muitas universidades e muitos estudantes perguntavam sobre o nosso país, localização, como se vive, há muita gente que não faz ideia de onde fica Moçambique.

Quando nós chegámos lá, fomos recebidos pelo presidente da Câmara de San Juan, fizeram uma grande festa. Não foi uma grande surpresa ver oito mil pessoas no pavilhão a ovacionar-nos, foi muito bonito, já não me lembrava disso desde há dez anos atrás. Creio que mesmo que tivéssemos jogado contra a Argentina (a selecção anfitriã) teríamos tido o mesmo apoio do público.

@V – Vocês (na selecção) tinham algum grito de “guerra” na quadra?

Bruno – A Vitória, Moçambique Moçambique Moçambique era um deles … o outro não posso dizer!

@V – Como é teres tido oito mil adeptos a puxarem por vocês na Argentina e aqui, na tua terra, não ter havido esse apoio?

Bruno – Acredito que se o Mundial tivesse sido realizado cá eu teria tido esse apoio. Creio, inclusive, que se o Mundial tivesse sido em Maputo poderíamos ter sido campeões do mundo. Mesmo em termos de organização, teríamos feito um mundial melhor que a Argentina, em termos de qualidade de hotéis, pavilhões, logística tudo isso nós tínhamos muito melhor do que os argentinos apresentaram neste mundial.

O que está por detrás da retirada dessa organização a Moçambique… já passou. Infelizmente, não teremos outra oportunidade igual. Já perdemos a oportunidade de ser o primeiro país africano a acolher um campeonato do mundo de hóquei em patins (Angola vai organizar o próximo).

@V – Vamos imaginar que pudesses resolver, daqui para a frente, os problemas do hóquei em Moçambique. O que farias?

Bruno – Eu dava continuidade ao que já faço. Eu estou no departamento de formação da Federação Moçambicana de Patinagem e tenho estado a debruçar-me num projecto de massificação e revitalização da modalidade no país. O projecto (de quatro anos) está finalizado, estamos a fazer o cronograma de actividades. Devia ter iniciado este ano mas não sei se ainda vamos a tempo de o fazer porque uma parte da verba que tínhamos para o projecto foi usada para a selecção poder participar no Mundial.

@V – Existe trabalho de formação no hóquei?

Bruno – Havia, até nos cortarem os campos. Só no Desportivo (de Maputo) tínhamos 70 miúdos. Ainda temos que saber da direcção do clube se poderemos utilizar o pavilhão porque, se não pudermos, teremos que tomar uma decisão que pode passar por fechar o departamento (de hóquei) no clube. Tenho dito aos pais destes miúdos que trabalhavam comigo para que fiquem descansados porque mesmo que eu tenha de abrir uma escola minha e alugar um campo numa escola, nós vamos ter os miúdos a patinarem.

@V – Jogas hóquei há quantos anos?

Bruno – Jogo hóquei há 25 mas patino há 30 anos.

@V – Como é que começaste?

Bruno – Por influência dos meus irmãos (Bruno tem oito, designadamente o Armando, o Pedro, o Célio, o José, o Rui, o Walter, o David, o Bento e uma irmã, a Paula). O hóquei na família vem dos meus pais (a senhora Maria José e o senhor Pedro Pimentel) e dos tios. O meu pai lançou primeiro os meus dois irmãos mais velhos e depois eu segui- os. Inclusive o meu pai (um apaixonado pelo hóquei desde sempre) tem uma casa no bairro 25 de Junho onde construiu um mini-ringue de hóquei, foi lá que os meus cinco irmãos mais velhos aprenderam a patinar.

@V – Onde deste as primeiras stickadas?

Bruno – Comecei a jogar no Desportivo de Maputo e estou lá até hoje.

@V – Como se descobre um talento para o hóquei?

Bruno – Se o miúdo for um bom patinador facilmente vai driblar. Depois é trabalhar o controlo de bola com o stick. Temos encontrado alguns, um deles até foi jogar recentemente no Sporting de Portugal. Ao contrário dos outros países, nós temos talento natural para o hóquei. Neste momento temos núcleos de hóquei em Nampula, Quelimane e em Tete onde treinam muitos miúdos e queremos apoiá-los para não desaparecerem.

@V – É caro fazer uma equipa de hóquei em patins?

Bruno – O hóquei só é caro no investimento inicial, um par de patins custa cerca de cinco mil meticais e dura cinco a dez anos, é só fazer a manutenção de acessórios (só os travões é que se desgastam com mais frequência). Enquanto, por exemplo, para se jogar basquetebol um par de sapatilhas custa o mesmo preço de um par de patins e, talvez, numa época um basquetista precisa de dois pares pelo menos. Um par de botas de futebol também custa mais ou menos o mesmo valor e em três meses tem que ser trocado.

@V – É possível ser-se profissional de hóquei?

Bruno – Em Moçambique não, mas em alguns clubes os jogadores ganham um salário para jogarem hóquei.

@V – Financeiramente, o que já ganhaste com hóquei?

Bruno – Tirando algumas recompensas no clube e depois o prémio que em 2006 o Governo atribuiu (quando ganhámos o Mundial do grupo B) foi sempre a gastar do meu próprio bolso.

@V – É um bocado irónico o Governo ter concedido um prémio quando foi do Mundial do grupo B e agora com o 4º lugar no grupo A não há recompensa…

Bruno – Eu contra políticas não posso lutar (risos)…

@V – Podia haver uma excepção…

Bruno – Podia, mas eles (o Governo de Moçambique) dizem que não podem, senão vai haver muitas excepções.

@V – Excepções destas podíamos ter muitas, como vocês abriram uma em San Juan, e estimulava outras modalidades…

Bruno – Pois. O quarto lugar em San Juan é a melhor classificação de sempre de um país africano num campeonato do Mundo em competições colectivas… nem em futebol!

@V – Tens casa própria?

Bruno – Não, vivo em casa alugada. Tenho planos de construir, estou numa empresa de construção, comprar fica a outro nível.

@V – Em algum momento pensaste em desistir do hóquei?

Bruno – Sim, em 2006 pensei em parar. Estava revoltado com a falta de apoio ao hóquei apesar dos resultados positivos que vínhamos tendo. Tínhamos acabado de ser campeões mundiais do grupo e na campanha tínhamos tido muitos problemas – a viagem foi ridícula, tivemos que ir primeiro a Espanha, depois escala na Argentina e só depois chegámos ao Uruguai, estivemos 24 horas num aeroporto, chegámos a não ter hotel para pernoitar, passámos fome e frio e no regresso tivemos de fazer o mesmo trajecto. Depois do Mundial nem vim para Maputo, tive de ir representar o Desportivo no Mundial de clubes, onde também passámos maus bocados. Eu já vinha frustrado.

@V – O que aconteceu para não teres desistido?

Bruno – A Federação pediu-me para continuar. O vice-ministro falou comigo pediu-me para ajudar, senão a modalidade depois desaparecia. E eu ponderei e voltei.

@V – Qual foi a maior desilusão que tiveste neste anos todos com o Governo e as instituições que têm a responsabilidade de zelar pelo hóquei no país?

Bruno – São várias. O Governo tem uma política para o desporto em que define modalidades prioritárias e o hóquei em patins, em momento algum, foi indicado como uma delas. Por causa disso não tem tido apoios. Ultimamente até tem contribuído, mas podia ajudar mais internamente de modo que nas nossas saídas ou nas competições internas nós tivéssemos condições mais dignas, mais adequadas.

Até porque nas ditas modalidades prioritárias não temos visto desenvolvimento nenhum, não temos visto resultados nenhuns nem em termos de resultados de competição nem massificando as modalidades pelo país. O que temos visto são dirigentes ou direcções de clubes que têm desistido de apostar na formação, têm deixado de cuidar das próprias instalações (se não tivessem sido reabilitadas algumas infra-estruturas para os Jogos Africanos isto até metia dó) e o Governo não tem feito nada. Os clubes deixaram de formar, passaram a ser clubes profissionais de futebol e um pouquito de basquete.

Havia clubes que tinham seis a sete modalidades hoje basicamente têm duas modalidades e se tiverem uma terceira essa vai de arrasto e a custo próprio. Para além do hóquei, existem outras modalidades com bons resultados como karate e natação, entre outras (que têm resultados positivos) mas mesmo assim o Governo não as apoia. Podiam redifinir a política do desporto.

@V – O selecionador Pedro Nunes vai continuar a treinar a nossa selecção?

Bruno – Eu espero bem que sim. Para um bom resultado em Angola (no Mundial de 2013) ele deveria dar continuidade ao trabalho que começou com parte desta equipa que esteve na Argentina (parte porque devo sair eu e mais um outro jogador). Sugeria até que se injectasse já sangue novo, por exemplo o miúdo que saiu daqui para o Sporting de Lisboa e trabalhar com tempo. Só que as coisas boas não duram para sempre e estamos muito próximos de o perder. Angola já fez contactos, eles são mais poderosos. Deus queira que não.

Ele (Pedro Nunes) veio para Moçambique não só como profissional mas também como amigo e ele disse-nos que a prioridade é para o nosso país. No próximo Mundial somos cabeças de série e com os adversários que nos saíram (Itália, Colômbia e Estados Unidos da América) com algum trabalho as meias-finais estão a garantidas. Se trabalharmos um pouco mais quem sabe… fazemos a festa em casa dos angolanos.

@V – Algo mais que queiras acrescentar?

Bruno – O que eu penso mais, entre outras coisas, é que temos que atribuir responsabilidades do estágio não só do hóquei, mas também de outras modalidades, aos media (moçambicanos). Porque se nós nos sentirmos esquecidos é porque alguém não fala de nós. Uma das coisas que tenho ouvido dos empresários e das pessoas que estão interessadas em apoiar é a de que “não há divulgação da vossa modalidade, nós não vemos no jornal”.

Como é que podem apoiar uma modalidade que não lhes traz visibilidade? Por outro lado, existe a questão da formação, todos os clubes investem nos seniores e já não querem formar. Falando do meu clube (o Desportivo de Maputo), onde estou há 30 anos, vi muitos presidentes e direcções, vi o clube de bonito a transformar-se em feio.

Sempre disse que se deve investir em infra-estruturas de formação, hoje tu vais lá e queres pôr o teu filho a treinar, vês o balneário onde os miúdos tomam banho e não deixas lá o teu filho. Olhas para os equipamentos de futebol ou basquete nas condições que estão, também não queres que o teu miúdo use aquilo. É nesse tipo de coisas que as direcções dos clubes se devem preocupar e não em botas ou sapatilhas para o jogador da equipa sénior.

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