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Bitonga Blues – Entrevista fictícia a Daviz Simango

– A Vox Populi diz que o senhor não vai ganhar estas eleições, mesmo que na contagem dos votos seja o eleito…

– Eu prefiro esperar para ver. As pessoas que assim afirmam, provavelmente não terão a certeza do que dizem.

– E o senhor tem a certeza de alguma coisa?

– Nunca tenho a certeza de nada, a não ser que a dignidade de um homem se constrói com trabalho e honestidade.

– Acha-se um homem digno de ser eleito presidente da República?

– Como lhe disse, a dignidade de um homem constrói-se com trabalho e honestidade e eu estou a trabalhar de forma honesta.

– O senhor é da tribo ndau, mas, por aquilo que se pode sentir na pulsação dos debates televisivos e também nos cafés, as pessoas nem se lembram disso. Porquê?

– Essa pergunta não é a mim que você deve fazer. Questione a eles. Quem não se lembra de que eu sou da tribo ndau são eles. Eu nunca me esqueci disso, porque, para além de tudo o mais, tenho muito respeito pela memória do meu pai, que era ndau.

– E tem levado a tribo ndau como estandarte na luta que está a travar?

– A tribo ndau para mim nunca será um estandarte no sentido de ter um pensamento tribalista. Eu não sou tribalista primitivo, mas respeito a minha tribo e é na minha tribo onde busco as energias que necessito para lutar. Todo o ser humano tem uma tribo. A tribo diz-nos de onde somos. E, como você sabe, só sabendo de onde vem, é que saberá para onde vai.

– Como é que se sente ao ser aclamado em todo o país, por moçambicanos de todas as etnias?

– Quem lhe disse que sou aclamado em todo o país, por todos os grupos étnicos?

 – Toda a gente sabe disso, senhor Daviz Simango!

– Menos eu (risos), mas se for verdade o que você diz, só me resta sentir-me lisonjeado. É um orgulho para mim que Moçambique, independentemente da origem étnica de cada um, esteja do meu lado. Porém, deixe que o tempo continue a ser mestre.

– O senhor disse, uma vez, que a Frelimo tinha medo de si. Não acha que é presunção, para um jovem que tem ainda muita estrada para percorrer?

– Eu não acho que seja presunção, porque se você for a prestar atenção aos atropelos que estão a ser cometidos pela CNE e pelo Tribunal Constitucional, vai notar que eles têm medo de mim.

– Mas a CNE e o Tribunal Constitucional são regidos pela Lei e não pela Frelimo!

– Qual! Procure informar-se melhor e acredito que, fazendo isso, a próxima vez que nos encontrarmos não falará da mesma maneira que o faz hoje.

– Falando do seu pai: tem algum sentimento de vingança?

– Sou uma pessoa educada para fazer o bem ao próximo. Sou forte demais para ser vingativo. Até porque já tinha afirmado, em momento oportuno, que perdoei aqueles que mataram o meu pai.

– E sabe quem é que matou o seu pai?

– Não quero falar disso agora. Deixe que seja a história a fazê-lo. Eu neste momento estou preocupado em fazer algo de positivo para o meu país. Criar condições para que todos os moçambicanos usufruam da riqueza que temos. E é isso que o meu queria.

– Acha que será por isso que o mataram?

– O importante agora não é falar da morte do meu pai, muito menos das pessoas que o assassinaram. Eu estou concentrado no futuro. Trabalhando com honestidade.

– Mas tem evocado constantemente o nome do seu progenitor, particularmente nas cerimónias tradicionais! – O meu pai é o meu amuleto. – Sente que ele o ilumina nas decisões que deve tomar?

– Ele protege-me e, através de mim, concretizará o seu sonho. Fui escolhido e tenho que levar este facho até ao fim.

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