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Basquetebol: Falta de calendarização atrasa início das competições

A temporada basquetebolista no país, segundo um comunicado oficial da Federação Moçambicana de Basquetebol (FMB), arranca geralmente no mês de Março com término previsto para Dezembro. No entanto, este organismo não tem nenhuma responsabilidade no que diz respeito à organização das competições, cabendo à Liga Moçambicana de Basquetebol (LMB) e as respectivas associações provinciais organizarem as provas.

Contudo, o Campeonato Nacional de Basquetebol, em seniores, em ambos os sexos, organizado pela LMB, só pode ter lugar depois de encontrados os representantes provinciais, que, por sua vez, participam nas competições internas tuteladas pelas associações.

Neste encadeamento, se houver algum atraso na calendarização das competições, as culpas imputam-se às associações provinciais. E foi nesta lógica que o @Verdade desta semana visitou a Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo de modo a perceber o que estará por detrás da demora no arranque da época 2013 do basquetebol moçambicano.

@Verdade – Porque é que até hoje ainda não arrancaram as provas de basquetebol na categoria de seniores na cidade de Maputo?

Anastácio Monteiro – Depois do comunicado da Federação Moçambicana de Basquetebol (FMB) relativo à abertura da época desportiva 2013, a Associação de Basquetebol da Cidade de Maputo (ABCM) decidiu, nos princípios de Março, reunir-se com os clubes deste ponto do país para discutir como seria feito o nosso calendário. Infelizmente, na referida reunião não compareceram os clubes Desportivo e Ferroviário de Maputo, que são os únicos com pavilhões, ou seja, de quem dependemos para realizar as provas de seniores.

Portanto, mesmo sem a presença deles, nós decidimos de forma unânime que os campeonatos da cidade iriam começar a 29 de Março passado, antecedidos pela inscrição dos clubes. Mas, para além daquele dia (29) ter coincidido com a sexta-feira Santa, estes dois clubes avisaram-nos, dias depois da reunião, que o pavilhão do Desportivo estaria em obras e que no do Ferroviário só podia jogar a equipa da Universidade Pedagógica (UP) visto que entre eles existe um acordo de uso das instalações.

@V – Mas o Ferroviário de Maputo não vai disputar o campeonato da cidade?

AM – Obviamente que sim. Nós tentámos persuadi-los a cederem-nos o pavilhão, porém, para além de nos terem falado do acordo com a UP, soubemos, informalmente, que eles achavam injusto concederem uma infra- estrutura para depois pagar as mesmas taxas com os clubes que não tenham.

@V – Quais taxas?

AM – Existe uma taxa de arbitragem calculada em 3 500 meticais mensais. O Clube Ferroviário de Maputo entendeu que devia haver uma forma de compensação pelo uso do seu campo, cortando na taxa. O mais estranho nisto é que o Ferroviário de Maputo não colocou esta questão de forma institucional para o devido tratamento por parte da ABCM. E porque não houve esta comunicação oficial, voltámos ao Desportivo de Maputo na esperança de ver as obras terminadas para arrancar com os campeonatos, porém, debalde. O processo só se arrastou.

@V – E a associação desistiu?

AM – Não. Nós existimos para promover a prática do basquetebol no país. De forma urgente solicitámos a intervenção da FMB que nessa altura estava a organizar o Afrobasket da zona VI, no pavilhão do Desportivo de Maputo.

@V – E qual foi a posição da federação?

AM – A federação marcou um encontro com associação solicitando a presença do Desportivo, do Ferroviário e da Liga Moçambicana de Basquetebol. Questionados sobre os motivos da não cedência do pavilhão, o representante do Ferroviário de Maputo, para além da questão de despesas da utilização do pavilhão e do pagamento das taxas, disse abertamente que não entregava por mera teimosia.

@V – Teimosia em relação a quê?

AM – Em relação aos outros clubes que não têm pavilhões de basquetebol. Explicou que a renitência servia de pressão para que os outros clubes pudessem preocupar-se em ter infra-estruturas do género, sobretudo o Maxaquene que tem uma, mas que não está disponível e a Universidade Politécnica que usa somente para treinos da sua equipa.

@V – E encontrou-se alguma solução?

AM – Depois de um intenso debate, concordámos que todos os clubes participantes nas competições iam comparticipar nas despesas para a utilização dos dois pavilhões, como, por exemplo, o pagamento de funcionários, dos técnicos, da água e da luz. Os clubes disseram também que precisavam de 15 dias para ceder os campos, a partir do dia 13 do mês em curso.

@V – E no que diz respeito às taxas?

AM – Estamos ainda a articular com o Ferroviário de Maputo para encontrar uma saída. A verdade é que nós vamos atender a exigência daquele clube.

@V – Significa que teremos competições a partir da próxima semana?

AM – Com base no acordo com os clubes, é óbvio que sim. Teremos o arranque dos campeonatos seniores em ambos os sexos.

@V – Caso iniciem os campeonatos na próxima semana, como será feito o calendário olhando para o atraso e para os compromissos da selecção nacional?

AM – Estamos baralhados. Solicitámos à federação para que reprogramasse o calendário de modo a acomodar a brecha, ou seja, precisamos de uma nova época para o basquetebol moçambicano.

@V – E qual foi a resposta da federação?

AM – Tivemos a sorte de encontrar uma federação que já há muito queria alterar a temporada do basquetebol moçambicano por causa destes embaraços, passando de Março à Dezembro, para Março a Junho do outro ano.

@V – Significa então que, devido à alteração do calendário, não teremos neste ano o Campeonato Nacional de Basquetebol de seniores?

AM – Essa é uma questão da competência da FMB. Mas o que percebo é que devem ser disputados os campeonatos locais que serão estes a qualificar as equipas para as provas nacionais. Se estamos atrasados até hoje, é óbvio que se atrase tudo.

@V – Os jogadores reclamam devido ao facto de ficarem muito tempo sem jogar. O que tem a dizer sobre este assunto?

AM – Eles têm toda a razão. É preciso ter a humildade suficiente para afirmar que andamos com problemas sérios na programação. Nós abrimos a época em Março e passamos todo o mês a fazer as inscrições das equipas e dos atletas. As competições iniciam efectivamente em Abril com os torneios de abertura que, no entanto, não têm registado a participação daqueles atletas que se acham estrelas. É normal que eles digam isso mas também não podemos descurar este importante detalhe, de que só temos jogadores quando chega a vez do campeonato da cidade.

@V – Quanto tempo um jogador de basquetebol fica sem competir oficialmente?

AM – O período de defeso dos basquetebolistas moçambicanos é de Janeiro a Março. Mas, devido a compromissos das selecções nacionais, temos registado paragens no decorrer das competições. Ferroviário de Maputo cedeu o campo Na sequência deste assunto, o @Verdade dirigiu-se ao Ferroviário de Maputo para junto daquele clube procurar entender o que estava por detrás da demora no arranque das competições do basquetebol a nível da cidade de Maputo.

Contudo, uma fonte da direcção do clube envolvida neste processo, que solicitou o anonimato “por não ser a pessoa indicada”, revelou que “a partir da próxima semana o nosso pavilhão pode ser usado sem limitações. Já coordenámos com a ABCM para marcar os jogos. No entanto, solicitámos para que não fosse nesta semana pois os jogadores pediram dispensa para irem assistir ao Festival de Zouk”.

Caso do Desportivo de Maputo

Tentativas para ouvir a direcção daquele clube redundaram em fracasso. No entanto, o @Verdade apurou que o Grupo Desportivo de Maputo ficou sem a equipa de basquetebol sénior masculina. Aliás, grande parte dos jogadores daquele clube está de malas aviadas para o Soprotecção de Quelimane, facto que constitui de per si razão para aquele colosso ceder o seu pavilhão para ser utilizado somente em competições de âmbito africano.

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