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Bancos moçambicanos de capitais portugueses resistem à crise da Zona Euro

Os bancos moçambicanos com capitais portugueses têm vindo a resistir à crise da dívida soberana e bancária que Portugal atravessa, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), realçando que, em geral, o sector bancário nacional manteve-se resistente à crise mundial.

A situação fica a dever-se ao facto de a maioria dos bancos moçambicanos de capital estrangeiro ter beneficiado de considerável aumento de capital no início de 2011, aliado à redução da actividade creditícia que aumentou “drasticamente” o rácio de adequação de capital de todo o sistema para 18,7%, em fins de Junho de 2011.

“As subsidiárias moçambicanas continuam a ser uma fonte de receitas operacionais para as suas instituições- mãe portuguesas”, destaca aquela instituição financeira internacional, realçando que a valorização do Metical em relação ao Rand aumentou, no período em análise, a rentabilidade das subsidiárias sul-africanas dentro dos seus grupos.

O documento do FMI, cuja cópia está em poder do Correio da manhã, revela que dois maiores bancos moçambicanos, cujos nomes não menciona, que detêm 60% dos activos do sistema bancário, pertencem às três principais instituições financeiras portuguesas que sofreram pressões de financiamento devido à sua exposição aos riscos soberanos europeus.

Millennium bim, Banco Comercial e de Investimento (BCI) e Moza Banco são três instituições bancárias moçambicanas com capital maioritário de origem portuguesa, investido, particularmente, pela Caixa Geral de Depósito de Portugal e pelo Banco Espírito Santo.

Medidas correctivas

Fazendo, entretanto, análise dos fluxos totais intragrupo transfronteiriço, o FMI indica no seu documento que grandes bancos moçambicanos que tradicionalmente mantêm depósitos avultados nas suas instituições-mãe (portuguesas) reduziram a sua exposição intra-grupo nos últimos meses de 2011, “e, consequentemente, a sua vulnerabilidade”.

Apesar, entretanto, de a banca moçambicana não estar exposta directamente à crise, já estão em implementação em Moçambique medidas correctivas em caso de a mesma vir a afectar a banca nacional e acções de coordenação com supervisores estrangeiros.

A implementação destas medidas surge na sequência da conclusão de um plano de contingência abrangente para o sector financeiro visando fazer face a um cenário mais desfavorável resultante da crise da dívida soberana e bancária que afecta Portugal, Grécia, Espanha, particularmente.

Salienta, por outro lado, o documento do FMI ser necessário monitorar atentamente as repercussões da evolução da economia sul-africana, por ser sabido que as importações a partir da África do Sul representam um terço do total das mesmas, o que requer monitoria permanente sobre a taxa de câmbio bilateral por ser factor determinante para a evolução dos preços no país, enquanto nas exportações a taxa de câmbio afecta as receitas da exportação de electricidade para a África do Sul que representam 12% do total das mesmas, uma vez que os contratos são expressos em Rand.

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