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Banco Mundial reconhece ter sido irrealista para com Moçambique

Por ter obrigado o Governo moçambicano a exportar em bruto toda a sua castanha de caju, em detrimento de processá-la localmente, o que precipitou o encerramento de todas as fábricas e despedimentos massivos dos seus trabalhadores, o Banco Mundial (BIRD) diz reconhecer ter sido “irrealista” ao aconselhar Moçambique a liberalizar o comércio deste produto.

“Em finais de 1995, o Banco Mundial aconselhou o Governo a liberalizar o comércio de caju. Isso foi feito, mas um mercado mais competitivo, juntamente com a baixa produtividade e máquinas antiquadas, levou ao encerramento da maioria das fábricas de processamento”, aponta o BIRD num documento da sua autoria em poder do Correio da manhã.

Realça, entretanto, que a instituição evoluiu nos últimos 20 anos no diálogo com os seus clientes, o que lhe leva a concluir que em termos da liberalização do comércio da castanha de caju moçambicana “foi irrealista esperar que uma reestruturação bem sucedida do sector poderia ser feita com rapidez”.

Uma outra lição que diz ter aprendido ao longo dos últimos 20 anos é a necessidade de interagir mais de perto com o cliente, o que levou aquela instituição a proceder à descentralização das suas operações na última década, “incluindo a colocação da gestão do país em Moçambique”.

Refere a seguir o documento do BIRD que ultimamente está a ser encorajado pela recuperação da indústria de processamento da castanha de caju em Moçambique, “utilizando simples técnicas de trabalho intensivo” que se regista nas novas fábricas que estão a ser montadas nas províncias produtoras deste produto estratégico de exportação.

Até 2011 estavam operacionais 29 novas fábricas com capacidade instalada de 38.400 toneladas de processamento da castanha produzida por cerca de 95% de um milhão de pequenos produtores familiares de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Gaza e Inhambane, regiões tidas como grandes produtoras deste produto.

Em termos de investimentos feitos nos últimos três anos em obras de novas construções de fábricas, equipamento fabril e de transporte da matéria-prima, o Instituto de Fomento do Caju (INCAJU) estima em cerca de três milhões de dólares norte-americanos para unidades fabris com capacidade instalada de 2500 toneladas e mais de 243 mil dólares para fábricas de processamento de falso fruto.

O Banco Mundial reconhece, entretanto, que antes da independência, em 1975, Moçambique era o maior produtor mundial de castanha de caju e exportador de castanha de caju processada.

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