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Banco Central adverte contra empréstimos em divisas

O governador do Banco de Moçambique (BM), Ernesto Gove, advertiu, na quarta-feira, em Maputo, que os bancos comerciais que concedem empréstimos em moeda estrangeira a clientes que não sejam exportadores estão a contribuir para a depreciação da moeda moçambicana, o Metical.

Gove fez este pronunciamento durante o lançamento da pesquisa anual sobre o Estado do sector bancário em Moçambique levado a cabo pela empresa de consultoria KPMG. As conclusões da KPMG, relativamente à 2008, mostram que o sector bancário é altamente rentável e que o problema do crédito mal-parado, que levou os dois principais bancos ao colapso no final da década de 90, está agora sob controlo.

“Nós temos uma taxa muito baixa de crédito mal-parado, menos de três por cento da carteira”, disse Gove, acrescentando que “em alguns países, é 20 por cento”. Contudo, Gove continua preocupado com o facto de alguns bancos comerciais continuarem a conceder créditos em moeda estrangeira, ao invés de meticais, para clientes não exportadores, apesar dos inúmeros apelos lançados pelo Banco Central.

Em princípio, os exportadores não terão problemas de reembolsar os empréstimos em dólares ou Euros, uma vez que os mesmos são pagos em moeda estrangeira. Por isso, Gove considera que é um risco muito grave conceder empréstimos em moeda estrangeira para clientes do banco que não são exportadores”.

O problema de conceder créditos em dólares reside no facto de que quando chegar o momento de reembolsar o empréstimo, os clientes não exportadores tentariam converter os seus meticais em dólares, “o que coloca pressão sobre o mercado cambial e conduz à depreciação do metical”, explicou o governador do BM. Gove sublinhou que a vantagem dos empréstimos em meticais é que o cliente “pode prever exactamente quanto ele terá de pagar de volta ao banco”.

Por isso, sugeriu aos bancos comerciais a reduzir as taxas de juros, pelo menos para clientes fiáveis. Em 2009, a inflação anual caiu para 3.3 por cento, a taxa mais baixa regista desde que Moçambique iniciou a transição de uma economia centralmente planificada para uma economia de mercado em 1987. No país, as taxas de juro permanecem ainda proibitivamente altas. A taxa de juro média actual sobre um empréstimo bancário é de 16 por cento. Gove sugeriu a redução desta taxa para empréstimos em meticais concedida a clientes que inspiram confiança ao banco dada a sua capacidade de reembolso.

Por outro lado, o Governador do BM exortou os bancos comerciais a cooperar mutuamente na partilha de infra-estruturas, tais como ATM (caixas-automáticas). Actualmente, os clientes são fortemente penalizados ao retirar dinheiro num ATM de um banco diferente daquele onde têm a sua conta. Se os bancos colaborem e partilharem as suas instalações, isso ajudaria a expandir os serviços bancários nas zonas rurais.

Actualmente, a maioria das sucursais bancárias, caixas electrónicos e estabelecimentos que aceitam pagamentos por cartão de crédito ou de débito está localizada nas principais cidades. Segundo dados do Banco Central, apenas 51 dos 128 distritos rurais do país têm pelo menos uma agência bancária. Há três anos, apenas 28 distritos dos 128 existentes no país tinham bancos. Ademais, a colaboração entre os bancos ajudaria a reduzir os encargos “extorsionários” que os clientes dos bancos estão sujeitos na procura de serviços. No ano passado, o Banco de Moçambique tentou travar o pior desses abusos, por via de uma ordem formal emitida em Setembro do ano passado.

A nova ordem do Banco de Moçambique eliminou encargos para um extracto bancário mensal completo, ou uma consulta diária do saldo da conta, obtidas quer a uma sucursal bancária ou uma ATM, entre outras. Contudo, em Outubro último, os principais bancos comerciais voltaram a aumentar as suas taxas. O Millennium BIM, maior banco comercial passou a cobrar cinco meticais contra os anteriores quatro em cada levantamento no ATM (um aumento de 20 por cento).

A maioria dos bancos não excedeu a taxa de cinco meticais, à excepção do Barclays Moçambique que aumentou para seis meticais. É estranho, pois na Grã-Bretanha, onde o Barclays, possui a sua sede, não há custos pelo uso das suas caixas electrónicos, mesmo que a conta do cliente esteja num outro banco.

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