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Aung San Suu Kyi deixa Mianmar pela primeira vez em 24 anos

Aung San Suu Kyi deixa Mianmar pela primeira vez em 24 anos

A Nobel da Paz Aung San Suu Kyi deixou Mianmar pela primeira vez em 24 anos, Terça-feira, numa inequívoca demonstração de confiança na liberalização que ocorre no seu país, depois de cinco décadas do regime militar.

Vestindo uma blusa cor-de-laranja e o tradicional longhi (sarong birmanês), a activista pró-democracia desembarcou discretamente em Bangcoc, sem dar declarações, mas deixou o terminal a sorrir de forma confiante e a acenar da janela do carro para algumas dezenas de admiradores e curiosos que aplaudiam-lhe.

“Mãe Suu é uma brava mulher, uma mulher que fez muitos sacrifícios pelo seu país”, disse a imigrante birmanesa Kae Thi, de 36 anos, que foi ao aeroporto saudá-la. “Não há ninguém que possa substituir a Mãe Suu. Ninguém.”

Suu Kyi, filha dum herói da independência da ex-Birmânia, estava exilada quando foi ao seu país para o que deveria ser uma visita temporária, em 1988.

Mas ela acabou passando 15 anos em prisão domiciliar, e depois da recente abertura foi eleita deputada. Em quatro dias de visita à Tailândia, ela deve discursar numa reunião do Fórum Económico Mundial, além de visitar imigrantes e refugiados birmaneses.

Até agora, Suu Kyi recusava-se a deixar Mianmar nos seus breves períodos de liberdade, temendo que a junta militar a proibisse de voltar. A actual abertura, no entanto, resultou em reformas impensáveis há poucos anos.

Os presos políticos foram soltos, os protestos foram legalizados, a censura à imprensa foi atenuada, houve uma liberalização económica, e um diálogo com os rebeldes ligados a minorias étnicas foi estabelecido.

As mudanças convenceram Suu Kyi a apoiar a suspensão das sanções ocidentais, das quais antes ela era partidária fervorosa, com a expectativa de pressionar os militares. Ela diz que o actual presidente, o general da reserva Thein Sein, é digno de confiança.

“Depois das eleições presidenciais de 2010, ninguém acreditava que isso aconteceria, está além das nossas expectativas”, disse o exilado birmanês Kyaw Zwa Moe, que edita na Tailândia a versão em inglês da revista Irrawaddy.

“Vê-la deixar o país e participar num evento assim é enormemente significativo, mesmo para o governo de Thein Sein.

O mundo olha para ela como uma líder do nosso país, e é uma chance para que ela convença a comunidade internacional para que ajude a evitar uma pausa nessas reformas.”

Thein Sein deveria discursar no mesmo evento em Bangcoc, mas adiou a visita para os dias 4 e 5 de Junho, por motivos não revelados.

Próximo mês, Suu Kyi deve visitar a Suíça, a Noruega e a Grã-Bretanha.

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