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Atletismo: Creve Machava em grande nos “Nacionais”

Atletismo: Creve Machava em grande nos “Nacionais”

Creve Machava, atleta do Clube Ferroviário de Maputo, foi o grande vencedor da 33ª edição dos Campeonatos Nacionais de Atletismo que teve lugar no Estádio Nacional do Zimpeto, cidade de Maputo, entre os dias 07 e 11 do mês em curso.

Machava conquistou um total de 10 medalhas, nove das quais de ouro e uma de prata. O atleta em ascensão esteve presente nos cinco dias dos “Nacionais” sendo que, apesar de ser juvenil, participou em todos os escalões, atingindo o pódio na maior parte das corridas em que competiu.

Na sua própria categoria, Creve venceu as provas dos 110 metros barreiras, dos 100 metros, dos 200 metros, e uma de salto em comprimento. Nas dos juniores, que tiveram lugar no segundo e terceiro dia do certame, ele amealhou medalhas de ouro nos 110 metros barreiras, nos 400 metros barreiras, nos 100 e 200 metros planos.

Nos seniores, aquele “locomotiva” concorreu nas corridas dos 100 metros, dos 200 metros, dos 110 e 400 metros barreiras, sagrando-se vencedor da segunda e vice-campeão nacional da primeira, superando alguns veteranos como, por exemplo, Titos Nhacila.

Natália Monteiro dá um susto a Elisa Cossa

A nova revelação do atletismo moçambicano, Natália Monteiro, cujo talento despontou na décima edição do Festival Nacional dos Jogos Desportivos Escolares, que tiveram lugar recentemente na sua província, Tete, também se destacou ao conquistar duas medalhas de ouro nas provas dos 100 e dos 200 metros, com os tempos de 12 segundos e nove centésimos, e de 25 segundos e três centésimos, respectivamente.

Natália, ainda que no escalão de juvenis, registou mais três segundos do que a veterana Elisa Cossa na corrida dos 200 metros, facto que evidencia o futuro jubiloso que ela tem pela frente.

A outra atleta que também chamou a atenção nestas competições foi Amélia Domingos, da Liga Muçulmana de Chimoio, que na prova dos 800 metros fez a sua melhor marca do ano, fixada em dois minutos, 15 segundos e nove centésimos.

Salomé Mugabe com três medalhas de ouro

Nos seniores femininos merece destaque Salomé Mugabe, atleta do Ferroviário de Maputo, que venceu duas provas de lançamento, nomeadamente de peso com 13 metros e 67 centímetros e de disco, com 35 metros e 95 centímetros. Sílvia Panguana fez o seu melhor tempo do ano, 14 segundos e quatro centésimos na corrida dos 100 metros barreiras.

Titos Nhacila, que ombreou nalgumas corridas com Creve Machava, foi o vencedor dos 110 metros barreiras com o registo de 15 segundos e três centésimos. Alberto Kudzanai, do Ferroviário da Beira, por sua vez, destacou-se na corrida dos 100 metros, reservada aos seniores, com um tempo de 12 segundos e cinco centésimos.

Elisa Cossa decisiva nas corridas de estafeta O Matchedje de Maputo dominou, uma vez mais, as duas provas de estafetas em seniores femininos, através do quarteto Naira, Novidade, Elisa e Telma Cossa nos 4×100, e pelo mesmo, já sem Telma que foi substituída por Georgina, nos 4×400. Nestes “Nacionais” foi preponderante a veterana Elisa Cossa que competiu lado a lado com a Sílvia Panguane, do Desportivo de Maputo.

Em masculinos, Jafete, Salvador, Filipe e Fernando, também do Matchedje de Maputo, venceram os 4×100 e 4×400 metros, proeza que se repete pelo segundo ano consecutivo.

Delegação de cabo Delgado envolvida num acidente de viação

A equipa de Cabo Delgado que fez parte desta 33ª edição do Campeonato Nacional de Atletismo, prova que decorreu no Estádio Nacional do Zimpeto entre os dias 07 e 11 do mês em curso, envolveu-se num acidente de viação à entrada da Vila da Manhiça. A mesma, composta por quatro membros, sendo um chefe de delegação e três atletas, encontrava-se de regresso à cidade de Pemba quando o autocarro em que se faziam transportar despistou e capotou, isto por volta das seis horas de sábado último (10).

Segundo apurou o @Verdade que se fez ao local minutos depois do acidente, acompanhado pelo vice-presidente da Federação Moçambicana de Atletismo (FMA), Abdul Zubaida, os membros da delegação, em diferentes casos, sofreram traumatismos ligeiros no corpo que os impossibilitarão de exercer a actividade desportiva durante um longo período.

“Fiquei admirado e triste com esta situação. Quando chegámos ao hospital havia muita gente estatelada no chão e os enfermeiros, bastante eficientes e competentes, a fazerem o trabalho de triagem. Houve mortes mas, da nossa parte (delegação de atletismo de Cabo Delgado), nada de grave aconteceu” afirmou a fonte, para a seguir destacar que “duas atletas foram levadas imediatamente para sala de raio X, sendo que uma teve ferimentos na zona da face e outra nas pernas; o respectivo chefe de missão provavelmente agravou o problema que tinha nas costas, visto que se queixava muito disso; e o outro atleta teve um ligeiro ferimento na perna, mas foi prontamente tratado”.

Ainda no mesmo dia, Silvano, Fátima Shafee, Ana Paula e João, nomes dos membros da delegação envolvida no acidente, foram transferidos para o Hospital Central de Maputo, a pedido da FMA, de modo a terem acompanhamento. Aliás, segundo o nosso interlocutor, a sua instituição bem como o próprio Governo moçambicano, através do Ministério da Juventude e Desportos, predispuseram- -se a dar todo o apoio necessário às vítimas do acidente, pelo que permanecerão em Maputo, concretamente na Vila Olímpica, até melhorarem o estado de saúde.

Refira-se que o sinistro que vitimou seis pessoas, cinco no local e uma a caminho do hospital, provocou ferimentos a outras 46, das quais 12 em estado grave. O mesmo foi causado por excesso de velocidade na tristemente famosa curva de Alvor, aliado à humidade do asfalto, envolvendo um autocarro da transportadora Nagi Investimentos que fazia a ligação Maputo – Pemba.

Perfil dos Vencedores

Elisa Cossa, Matchedje

Elisa Cossa é a veterana que ajudou o Matchedje de Maputo a conquistar a medalha de ouro nas duas provas de estafetas de 4×100 e de 4×400. Nasceu a 03 de Julho de 1980 na cidade de Maputo para, oito anos mais tarde, quando frequentava o ensino primário, entrar no atletismo.

Mana Elisa, como é carinhosamente tratada nos meandros desportivos, competiu pela primeira vez em 1992 durante os Jogos Escolares que tiveram lugar naquela época na cidade de Maputo. Um ano mais tarde chegou ao Desportivo da capital, clube onde teve o privilégio de passar pelos escalões de formação. Chegou ao Clube de Desportos Matchedje de Maputo em 2010, depois de uma estadia curta e para esquecer na Universidade Pedagógica.

Elisa Cossa é “dona” de um vastíssimo currículo, em que se estima ter mais de 250 medalhas conquistadas. Em 2011 conquistou uma de prata nos décimos Jogos Africanos que tiveram lugar em Maputo. Inspira-se em Maria de Lurdes Mutola e na norte-americana Marian Johnson.

O seu sonho é formar-se em psicologia. Mas o seu desejo, no presente, é cumprir o Serviço Militar Obrigatório.

Sílvia Panguane, Desportivo de Maputo

É vencedora da corrida dos 100 metros barreiras. Fez, nesta prova, a sua melhor marca do ano, fixada em 14 segundos e quatro centésimos. Nasceu a 19 de Maio de 1990 na cidade de Maputo e iniciou-se no atletismo quando tinha apenas 10 anos, pela porta do já extinto Núcleo do Parque dos Continuadores. Jogou futebol durante muito tempo, modalidade que constituiu a sua primeira paixão.

Antes de ser contratada para os escalões de formação do Desportivo de Maputo, no longínquo ano de 2003 pela mão do saudoso Lourenço Cumbana, passou pela Universidade Pedagógica. Representou o país na última edição dos Jogos Olímpicos que decorreram na cidade britânica de Londres, em 2012. Colecciona um número incalculável de medalhas que conquistou nestes 13 anos de carreira.

Ambiciona ser, diga-se, a futura “menina de ouro” de Moçambique, estando neste momento a trabalhar para alcançar os mínimos que lhe possam qualificar para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Salomé Mugabe, Ferroviário de Maputo

É tripla campeã nacional, do lançamento de peso, de disco e de dardo no escalão de seniores, com os registos de 13 metros e 67 centímetros, 35 metros e 95 centímetros, e 42 metros e 25 centímetros, respectivamente. Nunca conheceu outro clube senão o Ferroviário de Maputo, tendo chegado a convite de amigas de infância e algumas colegas de escola.

Praticava as disciplinas de corrida de velocidade e de salto em comprimento, antes de descobrir que o seu talento, afinal, residia nas provas de lançamento. Tem um palmarés de conquistas estimado em 206 medalhas de todos os pesos. Aliás, refira-se, Salomé é campeã nacional de lançamento de peso e dardo de forma consecutiva desde 2005.

O seu sonho é conseguir os mínimos que lhe possibilitem estar presente nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Alberto Kudzanai, Ferroviário da Beira

É o campeão nacional dos 100 metros planos e do salto em comprimento, com recordes provinciais fixados em 10 segundos e nove centésimos, e sete metros e 16 milímetros, respectivamente.

É do Ferroviário da Beira desde 2010, tendo chegado àquele clube aos 17 anos. É natural da cidade de Dondo, província de Sofala. A sua paixão pelo atletismo revelou-se quando tinha apenas cinco anos, influenciado pelo seu irmão mais velho que, na altura, era atleta da locomotiva da segunda maior cidade do país.

Aos oito anos foi chamado ao Núcleo Desportivo de Dondo, em representação do qual se tornou, pela primeira vez, campeão provincial no escalão de juvenis. Assim como muitos atletas, sonha atingir os mínimos para marcar presença numa prova mundial ou continental.

Arneta Boene, Desportivo de Maputo

Arneta Boene, de apenas 18 anos de idade, é campeã nacional de triplo salto e salto em altura no escalão de juvenis, e medalha de prata no triplo salto no de seniores. Nasceu na cidade de Maputo a 8 de Maio de 1995.

Despontou nos Jogos Escolares desta região do país em 2001. Chegou ao Desportivo de Maputo em 2010, três anos depois de ter participado nos torneios da Zona VI que tiveram lugar no Parque dos Continuadores. É “dona” de 24 medalhas a nível dos Campeonatos Nacionais, das quais 16 de ouro, quatro de prata e igual número de bronze.

Tem como fonte de inspiração a atleta russa Tatiana Lebedeva. No presente, o seu maior desejo é participar nas próximas “Olimpíadas” que terão lugar no Brasil.

 

 

Tondorai Afonso, província de Tete

É natural da província de Tete, distrito de Mágoe. No escalão de juniores sagrou-se campeão nacional na prova dos 5000 metros, fixando um novo recorde nacional de 15 minutos, 32 segundos e seis centésimos. É igualmente vencedor da corrida dos 1500 metros nos seniores, com o tempo de quatro minutos, nove segundos e sete centésimos.

É igualmente estudante e pastor de gado. O seu talento foi conhecido durante a oitava edição dos Jogos Escolares que teve lugar em Niassa, onde ganhou duas medalhas, sendo uma de ouro e outra de prata. Terminadas as provas e com este feito brilhante, Tondorai abraçou o profissionalismo através do Atlético de Tete.

Conta, até o momento, com um total de 11 medalhas conquistadas nas provas nacionais. O seu maior sonho é representar o país num certame internacional e inspira-se no atleta etíope Keneniza Bekele, recordista africano e mundial dos 5 000 e 10 000 metros.

Amélia Domingos, Liga Muçulmana de Chimoio

No escalão de juniores, Amélia é a campeã nacional e recordista dos 800 metros, com um tempo fixado em dois minutos, 15 segundos e nove centésimos. É natural da cidade de Chimoio e está nesta modalidade há exactos nove anos.

Nascida a 15 de Abril de 1996, é medalhista por 16 vezes a nível das competições provinciais de Manica e duas das nacionais. Lurdes Mutola é a sua fonte de inspiração e o seu maior sonho é alcançar o pódio de uma competição internacional.

 

 

 

Creve Machava, Ferroviário de Maputo

Creve Armando Machava, conhecido nos meandros desportivos por Creve, é a mais recente descoberta do atletismo moçambicano, sobretudo nos 110 metros barreiras. É, também, como se diz na gíria popular, um “craque” de salto em comprimento.

Com apenas 17 anos, este atleta alcançou o sonho de qualquer um na sua idade: representar Moçambique numa competição. Aliás, Creve foi o primeiro atleta moçambicano a conquistar uma medalha num Campeonato Africano de Atletismo, evento que teve lugar no mês de Março em Warri, Nigéria.

É o actual detentor do recorde nacional dos 110 metros barreiras. Creve Armando Machava nasceu a 08 de Fevereiro de 1996.

Foi o grande destaque dos trigésimos terceiros Campeonatos Nacionais de Atletismo, ao conquistar um total de nove medalhas, nomeadamente dos 110 metros barreiras, 100 e 200 metros planos e uma de salto em comprimento no escalão de juvenis; 110 e 400 metros barreiras, 100 e 200 metros nos juniores; e uma de prata nos 100 metros seniores.

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