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Atletas somalis treinam para olimíadas de Londres no antigo quartel rebelde

Treinar num estádio crivado de balas, com restos de uma granada de propulsão largados à beira da pista, é um progresso para o atleta somali Mohamed Hassan Mohamed.

Há um ano, o estádio Konis, em Mogadício, funcionava como quartel para militantes islâmicos, e para treinar era preciso às vezes correr pelas ruas da cidade, uma das mais perigosas do mundo, esquivando-se de tiros e morteiros.

“É mais fácil treinarmos agora”, disse Mohamed, de 22 anos, um dos quatro atletas do país que disputam as duas vagas destinadas à Somália na Olimpíada deste ano em Londres.

A milícia islâmica Al Shabaab fugiu do estádio, e da cidade toda, em Agosto, marcando um avanço das forças governistas e dos seus aliados doutros países africanos contra os militantes ligados à Al Qaeda.

Mas o progresso desportivo é apenas relativo. O programa olímpico somali funciona com orçamento mínimo, sem técnicos, fisioterapeutas ou nutricionistas especialmente dedicados.

“As nossas instalações são péssimas. Não temos um campo de treinamento moderno ou um ginásio moderno. Deveríamos trocar os nossos ténis com frequência; em vez disso, lavamos”, disse Mohamed.

Por enquanto o atleta, especialista na prova de 1.500 metros, treina em relativa segurança, excepto quando as forças de segurança isolam os arredores do estádio para permitir a passagem de alguma comitiva oficial, o que obriga os desportistas a voltarem às ruas, onde disputam espaço com patrulhas armadas, carroças a burro e montanhas de lixo.

Bombas em calçadas são um crescente risco. Em Abril, um homem-bomba cometeu um atentado durante uma cerimónia no teatro da cidade, matando o popular chefe do comité olímpico local e pelo menos cinco outras pessoas.

“A explosão no teatro foi um incidente doloroso. Foi um dia chocante”, disse Mohamed. A Somália nunca conquistou uma medalha olímpica. O seu melhor desempenho foi em Atlanta-1996, quando o seu atleta mais famoso, Abdi Bile, ficou em sexto lugar nos 1.500 metros.

A identidade dos dois atletas que representarão o país em Londres só será divulgada no final deste mês, para não colocar os escolhidos sob o risco de um atentado ou sequestro.

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