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Ataque do Taliban mata autoridades do FMI e da ONU no Afeganistão

Um homem-bomba e atiradores do Taliban atacaram um restaurante frequentado por estrangeiros na capital do Afeganistão na noite da sexta-feira, matando cerca de 21 pessoas, incluindo quatro funcionários da Organização das Nações Unidas e o alto representante do Fundo Monetário Internacional no Afeganistão.

Homens armados invadiram o restaurante e dispararam contra os comensais depois de o homem-bomba explodir perto da entrada por volta das 19h30 de sexta-feira. Treze estrangeiros estão entre os mortos, segundo a polícia.

Neste sábado, a embaixada dos EUA disse num post no Twitter que pelo menos dois cidadãos norte-americanos foram mortos, enquanto a Grã-Bretanha e Canadá também confirmou a morte de dois cidadãos cada.

Rajadas esporádicas de tiros continuaram por cerca de uma hora depois da explosão inicial, e os dois homens armados dentro do restaurante libanês foram mortos a tiros por policiais, disse uma autoridade afegã.

A maioria das forças estrangeiras estão a preparar-se para deixar o Afeganistão neste ano, depois de mais de uma década de guerra. Há temores de que o Taliban vai intensificar ataques até as eleições em Abril, quando o país escolherá o sucessor do presidente Hamid Karzai.

O Taliban reivindicou a responsabilidade pelo ataque e classificou-o de vingança por um ataque aéreo dos EUA no início desta semana. A acção norte-americana também foi condenada por Karzai por ter resultado na morte de oito civis. Tiros podiam ser ouvidos em toda zona diplomática da capital por alguns minutos depois de a primeira explosão.

Vários funcionários da cozinha do restaurante sobreviveram fugindo para o telhado, onde eles esconderam-se até que foram resgatados pela polícia. “Quando eu estava na cozinha, ouvi uma explosão do lado de fora. Então todos os homens fugiram e eu fui para o telhado. Fiquei de costas para a chaminé por duas ou três horas”, disse Suleiman, um cozinheiro no restaurante libanês.

À meia-noite, uma operação ainda estava em andamento, com policiais nervosamente piscando lasers na passagem de carros e pessoas nas ruas escuras e empoeiradas. O restaurante funcionava no local há vários anos. Era um dos locais prediletos dos estrangeiros, incluindo diplomatas, empreiteiros, jornalistas e trabalhadores humanitários.

Os guardas armados ficavam geralmente de plantão na entrada da frente. “O alvo do ataque era um restaurante frequentado por estrangeiros de alta patente… onde os invasores jantavam e tomavam muitas bebidas”, disse o porta-voz do Taliban Zabihullah Mujahid num comunicado enviado por email, escrito em inglês.

Crítica aos EUA

Karzai divulgou um comunicado no sábado condenando o ataque e aproveitou para criticar os Estados Unidos por não ter feito o suficiente para combater o “terrorismo”. “Se as forças da NATO lideradas pelos Estados Unidos da América querem estar unidos e se os parceiros do povo afegão, eles têm que atingir o terrorismo”, disse o presidente em comunicado.

Karzai é crítico à postura do governo norte-americano que ele considera que não contribui para fazer com que o Taliban inicie negociações de paz. O representante do Fundo Monetário Internacional no Afeganistão, o libanês Wabel Abdallah, de 60 anos, foi um dos mortos. Ele estava em Cabul desde 2008. “Esta é uma notícia trágica. E, nós no Fundo, estamos todos devastados”, afirmou a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, num comunicado.

“Os nossos corações estão com a família e amigos de Wabel, assim como as outras vítimas deste ataque”. A ONU disse que quatro membros da equipe haviam sido mortos, mas não divulgou as suas nacionalidades.

“Você pode imaginar o efeito que teve sobre os membros do pessoal aqui”, afirmou o porta-voz da ONU Ari Gaitanis à Reuters. A Missão de Polícia da União Europeia no Afeganistão também perdeu um dinamarquês e um membro britânico do pessoal.

Uma porta-voz da chancelaria britânica disse que dois britânicos foram mortos no ataque. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Canadá, John Baird, disse que dois canadenses morreram, mas não ficou claro em que organização trabalhavam.

O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano Jen Psaki disse que nenhum dos mortos é funcionário da embaixada dos EUA no país. Os outros estrangeiros feridos foram levados para uma base militar em Cabul.

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