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Assaltos e catanadas

De há uns tempos para cá surgiu uma nova modalidade de criminoso de arma branca, que indica uma evolução rumo a um sadismo e terrorismo jamais vistos. O sadismo refere-se ao uso de tão desproporcionais meios para quem assalta vítimas indefesas e o terrorismo está no generalizado pânico que gera a mera possibilidade de um cidadão ser abordado, a qualquer momento, por indivíduos munidos de tão letal arma que é a catana. O surgimento de quadrilhas de malfeitores que usam a catana nos seus assaltos já não é um fenómeno disperso, que se possa chamar de algo que aconteceu apenas numa certa zona, onde é usual trabalhar com este tipo de instrumento.

Os primeiros sinais foram notificados na zona da Matola Rio, tendo a população chegado ao ponto de tentar linchar um grupo de jovens acusados de perpetrar assaltos, que tornavam a circulação nocturna da população insegura. Em pouco tempo e como se de praga se tratasse, chegavam relatos sobre existência de grupos de jovens que catanavam pessoas indefesas em algumas zonas periféricas da cidade de Maputo. Foram os casos dos bairros T3 e Zona Verde, que trouxeram informações segundo as quais grupos de jovens atacavam pessoas com catanas, em muitas ocasiões sem um claro propósito de assalto.

De Singatela e S. Damasio, circulavam informações que davam conta da extensão do problema, tanto assim que, há menos de quinze dias, a população esteve próxima de queimar vivos dois jovens acusados de aterrorizar a população com catanadas. Não fosse a pronta intervenção das autoridades, ter-se-ia consumado esta tragédia. Que dizer daquele grupo de jovens que, recorrendo ao uso de catanas, foram vandalizar uma padaria? De acordo com o depoimento que prestaram às câmaras da televisão, o objectivo era falar com uma menina que trabalha no estabelecimento.

Duas horas da madrugada é hora imprópria para visitar uma amiga num local de trabalho. O uso de catanas para destruir montras está bem longe de enquadrar uma visita de amizade. Ainda que os jovens tenham afirmado, na altura, terem actuado sob efeito de álcool e induzidos por outros, o certo é que a arma usada, catana, reflecte a perigosidade dos delinquentes. A última informação tornada pública sobre esta matéria vem da cidade da Beira. Nesta urbe, um casal viajando na sua viatura, foi catanado por jovens agressores, tendo sido despojados dos seus bens.

O relato das vitimas dava conta que o acto perpetrado pelos agressores era de tal forma apto a produzir a morte, que se não pode olhar para este problema como mero assalto de caça ao dinheiro e ou telemóveis. Trata-se de uma actuação de um terrorismo sem precedentes. Pelas dimensões que o problema está a atingir, que já não pode ser considerado apenas de localização especifica, impõe-se uma intervenção séria das autoridades, tanto no sentido de entender os contornos do fenómeno, quanto nos esforços de cortar o mal pela raiz.

Com efeito e pelo que nos é dado a observar, estamos perante um tipo de criminosos maníacos, que encontram mais prazer e satisfação na mutilação das vitimas do que nos despojos dos assaltos que praticam. E para que a extensão do fenómeno não venha a gerar linchamentos, sob pretexto de que as autoridades competentes não estão a ter um sentido de oportunidade na luta contra este novo tipo de criminalidade, é premente olhar para a situação com frontalidade.

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