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Arquitecto José Forjaz prevê “piores” inundações no futuro

O arquitecto moçambicano José Forjaz considerou que as inundações em Maputo vão piorar nos próximos anos, caso não haja uma “intervenção urgente” para o caos urbano e desaconselhou a “solução angolana de uma segunda Luanda”.

Imagens de centenas de famílias que estão a viver na água nos subúrbios de Maputo, devido às inundações provocadas pela actual época de chuva, estão a dominar os noticiários da generalidade dos órgãos de comunicação social moçambicanos.

Em entrevista sobre o cenário de cheias, o ex-director da Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico da maior universidade de Moçambique, a Universidade Eduardo Mondlane, alertou que “a situação será pior no próximo ano e daí em diante, se este ano não começarem as intervenções necessárias”.

“As medidas para conter a degradação do sistema de drenagem de águas pluviais nas cidades moçambicanas e em Maputo, em particular, já são com carácter de urgência há 30 anos, isto não é novo. Já vi pior que isto, mas pode repetir- se”, sublinhou José Forjaz.

O arquitecto reconheceu que não há soluções a curto prazo para as enchentes crónicas nos arredores de Maputo, mas defendeu a aplicação de medidas paliativas urgentes para minorar o drama.

“A limpeza e manutenção dos drenos não podem esperar. É importante que haja brigadas permanentes do governo autárquico, que expliquem à população que despejar e vandalizar o sistema de escoamento de água vai concorrer para o seu próprio desastre”, observou José Forjaz.

Para o arquitecto, ex-secretário de Estado do Planeamento Físico, o problema das cidades moçambicanas não se resolve de um ano para o outro e “em Maputo, especificamente, é extraordinariamente difícil e altamente oneroso”.

Drenar água obriga à construção de uma infra-estrutura cara e que tem de ser mantida, um esforço financeiro aquém das possibilidades do Governo central e dos executivos autárquicos moçambicanos, disse José Forjaz.

“Solução angolana”

O arquitecto rejeitou “a solução angolana de uma segunda Luanda”, porque esse projecto “é deitar areia aos olhos das pessoas”. Por outro, Moçambique não tem os recursos financeiros que Angola possui, sublinhou.

“Angola, no aspecto de tentar resolver a superlotação de Luanda, não é exemplo para ninguém. Construir 300 ou 400 casas chiques e para ricos não resolve o problema dos quatro milhões de habitantes que superlotam Luanda. Esse modelo não pode ser copiado”, afirmou.

“Para reordenar Chamanculo (bairro suburbano de Maputo), tem que se reassentar só numa célula 30 mil pessoas, seis mil famílias. No mínimo são cinco mil dólares por família e 30 milhões de dólares no total, numa conta por baixo. E os arredores de Maputo têm para aí 800 mil pessoas. Moçambique não tem atualmente recursos para isso”, explicou.

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