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Armadores paralisam pesca por receio de ataques piratas

O período de veda da prática de pesca já terminou em Moçambique, mas os armadores que operam no banco de Sofala ainda não se fizeram ao mar por receio de ataques piratas no Oceano Índico.

As embarcações de pescas que deviam estar no alto mar desde Segunda-feira última, encontram-se em terra, outras ancoradas no Porto da Beira, na província central de Sofala, enquanto os tripulantes aguardam por novas ordens.

O jornal “Notícias” escreve, na sua edição de quinta-feira, que as empresas pesqueiras industriais e semi-industriais decidiram, em bloco, paralisar as suas actividades.

Este medo generalizado surge pelo facto de a costa moçambicana ter registado alguns ataques perpetrados por piratas somalis nos finais do ano passado. O caso mais trágico resultou no sequestro da embarcação de pesca “Veja 5”, ocorrido a 27 de Dezembro último.

Na altura do sequestro, o “Veja 5”, uma embarcação pertencente a empresa Pescamar, uma das mais importantes firmas pesqueiras do país, transportava a bordo 24 tripulantes, entre os quais 19 moçambicanos, três indonésios e dois espanhóis.

Na semana corrente, a Marinha de Guerra indiana neutralizou os piratas somalis quando usavam o “Vega 5” para as suas operações, tendo resgatado 13 membros da tripulação. Enquanto isso, nove tripulantes ainda são dados como desaparecidas.

A Pescamar é uma das empresas de pesca que aderiu ao boicote, por considerar a zona insegura para desenvolver as suas actividades piscatórias.

Falando, Quinta-feira, em conferência de imprensa, o director-geral da Pescamar, Felisberto Manuel, disse haver uma certa tensão no seio dos operadores pesqueiros devido aos últimos eventos perpetrados pelos piratas.

“Pensamos nós que não mandaremos as embarcações para a pesca sem que a segurança seja garantida”, disse Manuel. Outros armadores, que falaram na condição de anonimato, referiram ter apresentado esta preocupação ao ministro das Pescas, Victor Borges.

“Os somalis não perdoam, nós preferimos aguardar mais um tempo até que o Governo crie mecanismos para a nossa própria protecção”, disse uma das fontes. Um outro representante de uma empresa de pesca semi-industrial disse que os piratas podem querer aproveitar-se de Moçambique, por saberem que não há uma protecção similar a outros países.

Entretanto, os tripulantes resgatados encontram-se em Mumbai, na Índia, gozando de boa saúde, embora três estejam a merecer cuidados médicos em virtude de terem contraído ferimentos durante a troca de tiros.

Já é conhecida a identidade dos 12 moçambicanos que faziam parte dos 13 tripulantes da embarcação “Vega 5” resgatados última Segunda-feira, pela marinha de guerra indiana.

Os moçambicanos resgatados são Gito Doliz; Domingos Arvista Sangadza; Monteiro Lima Sango; António Félix Joaquim; Silva Jolinho Lima Bila; Olívio Alves Simões; Florêncio António Segredo; Pedro Simão Bene; Marques António Segredo; Lucas Martins Gemo Chiremba; Joãozinho João Rosário; e José João Chivode Mandava.

Igualmente, o Ministério das Pescas divulgou a identidade dos sete moçambicanos em falta nomeadamente Luís Menezes Soares; Amâncio Ventura Cipriano; Alberto Juma Massanguaja; Abibo Zobaida Assane; Alberto Manuel Muleva; Horácio Magaíssa Nicoadala; e António Vida Muhalo.

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