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Veja Aqui ficam algumas questões chaves para entender o conflito na Costa do Marfim

Porque é que Gbagbo e Ouattara disputam o poder?

Após as eleições presidenciais de Novembro de 2010, entre acusações mútuas de fraude, a comissão eleitoral anunciou a vitória do ex-primeiro-ministro, Alassane Ouattara , com 54,1% dos votos.

Ao invés disso, o Conselho Constitucional, partidário de Laurent Gbagbo (no poder desde o ano 2000), assegurou que o presidente foi eleito com 51,45%. A comunidade internacional reconheceu a vitória de Ouattara.

Gbagbo não abandonou a presidência e exigiu que as tropas da ONU e da França se retirassem do país. Paris recebeu uma petição das Nações Unidas para intervir no conflito e no dia 3 ordenou às suas forças militares no país para dispararem sobre as posições das forças do presidente cessante.

Quem é Gbagbo?

Laurent Gbagbo chegou ao poder no ano 2000 substituindo Robert Guei, que por sua vez havia chegado ao poder após umas eleições fraudulentas que provocaram fortes protestos populares. O mandado de Gbagbo expirou oficialmente em 2005, mas as eleições foram adiadas por seis vezes, até que finalmente tiveram lugar em Novembro de 2010.

Gbagbo rejeitou todos os apelos internacionais para que abandonasse o poder, não reconhecendo a sua derrota. Não fez caso nem da unânime condenação internacional, nem das ameaças de retirá-lo do poder pela força. Neste momento encontra-se em parte incerta. Suspeita-se que tenha abandonado o país após a intervenção militar da ONU e da França.

Condenação Internacional

A ONU, os Estados Unidos, a União Europeia e a França, o antigo colonizador, reconheceram a vitória de Alassane Ouattara e apelaram repetidas vezes para que o presidente cessante abandonasse o poder. O Conselho de Segurança e as NU aprovaram sanções contra o regime de Gbagbo e Washington congelou os seus bens e os da sua esposa, Simone Gbagbo.

Episódios de Violência

A disputa entre Gbagbo e Ouattara gerou uma onda de violência no país, com confrontos na principal cidade, Abidjan, e na antiga linha da frente da guerra civil de 2002, entre o norte e o sul da Costa do Marfim.

O chefe de Estado Maior do Exército, leal ao presidente Gbagbo, o general Phillipe Mangou, declarou na segunda-feira que as suas tropas “detiveram as forças de Ouattara, na manhã seguinte após a decisão da ONU e da França de disparar sobre as posições do presidente, segundo avançou a agência France Presse.

As forças leais a Gbagbo fizeram 10 vítimas mortais no dia 28 de Março, segundo a Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI) que também acusou as forças leais a Ouattara de disparar contra um helicóptero da ONU. No dia seguinte, 800 pessoas morreram nos confrontos entre ambos os lados em Duekué (oeste), anunciou uma fonte da Cruz Vermelha. A ONU atribuiu pelo menos 330 dessas mortes aos soldados de Ouattara, pedindo que seja iniciada uma investigação isenta.

As Nações Unidas têm destacados no terreno cerca de 10 mil capacetes azuis. A violência desencadeada pelas eleições já causou 462 mortos desde Novembro.

Demissões no Governo de Gbagbo

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Alcide Djádjé, já declarou que abandonou o Governo do presidente cessante, tendo-se refugiado na residência do embaixador francês em Abidjan.

Refugiados e Deslocados

Só em Abidjan (a maior cidade do país com mais de 6 milhões de habitantes), um milhão de marfinenses teve de abandonar as suas casas para fugir da violência, de acordo com o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 100 mil já se encontram na Libéria. A situação alarmou muito as organizações de ajuda, sobretudo a situação dos deslocados, que em duas semanas passaram de 40 mil para 100 mil.

Crises Internas

Existe uma fractura grande entre o norte, maioritariamente muçulmano, e o sul, fundamentalmente cristão, para além de tensões étnicas e económicas.

Situação Económica da Costa do Marfim

Com 21,6 milhões de habitantes, o país é o maior produtor mundial de cacau. Antes de 1999 – ano em que viveu o primeiro golpe de Estado desde a independência em relação à França, em 1960 – era considerado a jóia da África Ocidental.

Porém, entre 1999 e 2007, as guerras entre o norte e o sul deixaram o país com índices de desenvolvimento semelhantes aos seus vizinhos. Desde o fim da guerra civil, em 2003, a crise internacional fez-se sentir e o crescimento estagnou.

A partir de 2008 produziu-se um crescimento de 4%. Em 2006, os rendimentos do petróleo superaram os 300 milhões de dólares do cacau, até ao momento a sua matéria-prima mais importante.

Gbagbo anunciou este mês que o seu Governo se havia encarregado da compra e da exportação do cacau. O presidente cessante anunciou igualmente a nacionalização das sucursais dos bancos franceses.

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