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Apagão deixa Maputo quatro dias às escuras e baralha a vida dos munícipes

Os cidadãos, o trânsito, os hospitais, as instituições privadas, públicas, bancárias, o comércio, a hotelaria, os sectores de prestação de diversos serviços, as comunicações, dentre outros ramos de actividade ficaram deveras afectados e atordoados pelo apagão que deixou a capital moçambicana quatros dias (sexta a segunda-feira) às escuras devido a uma explosão nos painéis de controlo da Central Térmica de Maputo.

A explosão ocorreu na madrugada de sábado (09) e causou a morte de um trabalhador da empresa Electricidade de Moçambique (EDM), de nome Isac Vicente António. O apagão afectou o município da Matola também e ainda não são conhecidas as causas do sucedido.

Há informações segundo as quais três painéis de controlo da subestação ficaram danificados. O administrador da EDM para a área de Produção, Transporte e Operador do Mercado, Adriano Jonas, disse na manhã desta terça-feira (12) ao @Verdade que o problema estava temporariamente resolvido. Foram criadas linhas alternativas para alimentar Maputo, através da subestação do Infulene.

Entretanto, a solução definitiva passa pela reposição do equipamento danificado, cuja compra está estimada em 100 milhões de meticais. A EDM diz ser ainda prematuro avaliar os danos resultados desse acontecimento. Contudo, os seus clientes, dos quais comerciantes de produtos frescos e carnes, como os dos supermercados, queixam-se de prejuízos enormes.

Os proprietários de contentores e barracas, por exemplo, afirmam que muitos bens ficaram deteriorados. Esta segunda-feira (11), primeiro dia útil de trabalho, foi praticamente inútil em quase as todas áreas de actividade.

Com a cidade sem corrente eléctrica, pouca coisa podia ser feita uma vez que muitos trabalhos já não feitos são manualmente, mas executados com recurso a máquinas cujo funcionamento depende de energia.

Enquanto algumas estavam completamente às escuras, outras eram abastecidas com restrições e sucessivas oscilações, facto que causou danos nos electrodomésticos dos clientes da EDM.

Esta firma previa que o problema fosse ultrapassado até pelo menos a manhã de segunda-feira, mas, devido à gravidade do problema e da complexidade que reparação exigia, a situação manteve- se até por volta da meia-noite.

Ao longo do dia, uma vasta equipa esteve a trabalhar arduamente, tendo conseguido restabelecer o fornecimento da energia a muitos bairros que se ressentiam da escuridão. Entretanto, zonas como a Baixa, Alto-Maé, Avenida Ahmed Sekou Touré, continuaram às escuras.

Com a excepção das restantes áreas, a cidade de cimento está a consumir uma energia eléctrica 40% abaixo da qualidade normal, ou seja, não atinge os 400 megawatts que eram transformados na subestação de Maputo.

Adriano Jonas disse também que quando o consumo dessa corrente eléctrica atingir o pico em algumas horas, certas zonas poderão ressentir-se de oscilações constantes.

Bairros da cidade de Maputo ficaram sem água

Na capital moçambicana, vários bairros, dentre eles Polana Cimento, Polana Caniço A e B, Maxaquene A, B, C e D, Alto-Maé, Central B, Coop e Malhangalene sofreram restrições no fornecimento de água, desde sábado até a manhã desta terça-feira (12), em consequência do apagão.

Estas zonas residenciais foram afectadas porque o fornecimento de água depende do Centro Distribuidor da Maxaquene, localizado na avenida Eduardo Mondlane.

Segundo a empresa Águas da Região de Maputo, as restrições ocorriam quando não houvesse energia eléctrica porque as bombas eram desligadas para evitar avarias.

Esta quarta-feira (13), o presidente do Conselho de Administração da EDM, Augusto Fenando, convocou uma conferência de Imprensa para dizer que estava provisoriamente reestabelecida a normalidade no fornecimento da corrente eléctrica à cidade de Maputo e arredores.

Ele disse que reposição do material destruído pela explosão da Central Térmica só pode acontecer no mínimo em um ano e custa entre cinco e seis milhões de dólares, dinheiro que poderá vir dos parceiros da empresa (1 dólar custa cerca de 30 meticais).

Entretanto, o valor avançado pelo PCA é superior aos 100 milhões de meticais referidos pelo administrador da EDM para a área de Produção, Transporte e Operador do Mercado, Adriano Jonas, para a resolução do mesmo problema.

Ele garantiu que, doravante, os cortes que ocorrerem não irão atingir a dimensão registada entre sexta-feira passada e esta segunda-feira. Porém, ele tentou, sem sucesso, negar que a qualidade de energia fornecida neste momento aos seus clientes é de baixa qualidade.

As causas da avaria são desconhecidas

O PCA da EDM afirmou que até esta quarta-feira eram desconhecidas as causas que originaram a explosão a ponto de a cidade de Maputo focar às escuras durante quatro dias. Segundo as suas palavras, o equipamento foi adquirido em 2007 e previa- -se que durasse 40 anos.

O prazo de garantia já havia sido ultrapassado. Contudo, pensa-se em várias possibilidades, incluindo um possível erro do fabricante e um provável uso inadequado do equipamento por parte de empresa.

Para se apurar o que realmente teria causado a explosão, a EDM chamou a ABB, uma empresa alemã responsável pelo fornecimento do equipamento danificado.

Enquanto isso, os munícipes lamentam o facto de a EDM não possuir meios alternativos para responder de forma urgente a situações de cortes como os verificados nos dias já referidos.

Sobre este aspecto, o responsável daquela empresa justificou- se afirmando que não há dinheiro para suportar a compra de um equipamento destinado a esse fim, uma vez que aquele meio custa entre 30 e 40 milhões de dólares.

EDM não se responsabiliza pelos prejuízos resultantes do apagão

Fernando informou à Imprensa que as pessoas e empresas que sofreram perdas devidas ao apagão poderão ficar privadas de indemnização porque o problema resultou de um incidente totalmente inesperado.

“Vamos analisar caso a caso, mas há que ter em conta que essa foi uma situação imprevista.”

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