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Afrobasket 2013: Cumprimos com o nosso objectivo

Basquetebol: “Samurais” podem falhar o “Mundial” da Turquia

A selecção nacional de basquetebol sénior feminino fez história ao qualificar-se, pela primeira vez na história do país, para o Campeonato Mundial de Basquetebol do escalão. O triunfo foi alcançado na noite de glória de último sábado (28), no pavilhão do Maxaquene, durante a 23ª edição do Afrobasket, Maputo-2013.

Qualificadas para os quartos-de-final na primeira posição do grupo A, as “Samurais” tinham pela frente a Nigéria, a rival que se apurou para esta segunda fase como quarta classificada do grupo B. Apesar dessa diferença de posicionamento nos respectivos grupos, o dia de descanso, verificado na quinta-feira (26), serviu para que as duas equipas se pudessem preparar afincadamente para o embate.

No arranque as nigerianas fizeram com que Moçambique cometesse muitos erros, sobretudo os de entrosamento. As pupilas de Nazir Salé revelaram-se pouco certeiras na tabela, diante de um adversário que recorreu ao contacto físico para conseguir uma vantagem de cinco pontos terminados os primeiros dez minutos (18 a 13).

No segundo período, a equipa moçambicana, ainda ressentida de uma etapa inicial pouco conseguida, registou muitas falhas na tabela mas foi bastante inteligente no aproveitamento do contacto físico privilegiado pela equipa adversária. A seis minutos do fim desta etapa, Leia Dongue, na zona de lançamento livre, restaurou a igualdade em 22 pontos.

Não decorreu muito para que o espírito de combate “Samurai” deixasse a sua marca registada no pavilhão do Maxaquene, levando o nosso conjunto para a dianteira do marcador pela primeira vez na partida. Já nos minutos finais, as nigerianas sentiram-se pressionadas a partir do seu próprio campo e não conseguiram evitar a desvantagem de sete pontos no marcador.

A defesa como arma do ataque

Quando os processos defensivos são claros e a 25 metros da nossa própria tabela, ou seja, a três da do adversário, Deolinda consegue ser, realmente, uma verdadeira maestrina. Uma líder de uma orquestra que sabe, num estalar de dedos, permitir que Leia Dongue seja uma finalizadora com toques de perfeição.

À equipa que veio apenas para jogar ao erro do adversário, para aproveitar do porte físico de algumas das suas jogadoras como Ukato e Sadiq para perturbar Clarisse Machanguana, nada mais podia sobrar senão explorar a velocidade de Atosu e a ousadia de Ogoke para atacar. As “Samurais” continuaram em vantagem no marcador, que registava 52 a 46.

Uma recta final de sonho

O susto voltou a abalar o pavilhão do Maxaquene quando, a um minuto do fim do encontro, a nossa equipa perdia por cinco pontos. Incrivelmente, o desalento tomou conta do público, em que alguns moçambicanos já se conformavam com uma suposta derrota.

E à moda inglesa, diga-se de passagem, a nossa selecção acreditou e foi até ao fim. À entrada dos últimos 50 segundos reduziu a desvantagem para apenas dois pontos, por intermédio de Deolinda Ngulela. Veio a crença que se apoderou das mágicas mãos de Anabela Cossa que, a trinta segundos do fim, empatou a partida. Houve, nesse curto período, tempo para Leia Dongue marcar o triplo que colocou o país em euforia.

O pavilhão explodiu de emoção numa mescla entre o gáudio e as lágrimas. O público chegou a invadir o pavilhão e houve, ainda, quem desmaiou de tanto não se aguentar. Moçambique estava apurado para a verdadeira final, visto que precisava de mais uma vitória para cumprir com o seu principal objectivo: chegar ao “Mundial” da Turquia.

“Cometemos muitos erros”

Para o seleccionador nacional de Moçambique, Nazir Salé, a partida diante da Nigéria “foi bastante complicada. Sabíamos de antemão que teríamos um adversário muito difícil apesar de se ter qualificado na quarta posição do grupo B”. “A Nigéria é uma selecção de renome e não será esta derrota que vai retirar dela esse mérito” disse ainda o técnico, numa clara demonstração de respeito.

Questionado sobre as dificuldades tidas pelas “Samurais”, Salé não escondeu que elas não exibiram a clarividência ofensiva e “estiveram muito nervosas nos lançamentos livres. Não soubemos manter a vantagem que tínhamos. Pagámos muito caro por isso”.

Para o triunfo emotivo de Moçambique, na óptica daquele técnico, predominaram a dinâmica, a perseverança, a atitude e o espírito de grupo. “Acreditámos até ao fim e fomos felizes porque soubemos converter as oportunidades que tivemos” segredou.

Depois de apurada para as meias-finais, a selecção nacional cruzou o caminho dos Camarões, a considerada sensação deste Afrobasket, que decorreu na cidade de Maputo entre os dias 20 e 28 de Setembro últimos. Em jogo estava o apuramento para o “Mundial” da Turquia, aliás, o objectivo traçado por Moçambique nesta prova.

Por esse factor vencer os Camarões era mais do que uma obrigação, a realização de um sonho. Se calhar seja esse o detalhe que contribuiu para uma entrada muito nervosa e desconcentrada da nossa equipa e que deu a vantagem de oito pontos ao adversário, transcorridos apenas dois minutos e meio.

A sete do fim do primeiro período, Clarisse Machanguana marcou os primeiros pontos para Moçambique, surgindo Anabela Cossa a fazer um triplo que levantou o público moçambicano. Porém, a selecção camaronesa não se deixou levar e manteve a sua calma, a sua paciência nas jogadas ofensivas, depondo as aspirações da nossa selecção que saiu a perder por uma diferença de 14 pontos até ao fim do primeiro quarto.

No segundo a turma moçambicana entrou emotiva e tentou, a todo o custo, recuperar a desvantagem. Mas não acusou agressividade suficiente para contrariar o adversário, tendo perdido muitas bolas no ataque. A adversária cresceu ainda mais e potenciou o seu jogo ofensivo “cintilante”. Deolinda Ngulela, a quem Nazir Salé incumbiu a estruturação do ataque moçambicano, teve imensas dificuldades para encontrar a dupla perfeita, diga-se, para dar sequência aos seus lances. Por esse factor fomos ao intervalo a perder por 24 a 37.

Lutar até às últimas consequências

Os sinais de haver alguma vontade de discutir o resultado até ao fim sobressaíram no terceiro período, em que a equipa moçambicana soube introduzir melhorias na sua prestação. Conseguiu, à entrada do último quarto, reduzir a desvantagem para apenas oito pontos. Mas tudo acontecia de forma esporádica e sem nenhuma técnica, detalhes muito bem aproveitados pelos Camarões que a cada ataque silenciava o pavilhão do Maxaquene. Veio o quarto período. Motivada pelo público, a nossa selecção colocou todas as suas armas em jogo e, a dois minutos do fim da partida, chegou pela primeira vez à vantagem no marcador. Leia Dongue, a camisola 11, foi quem marcou os dois pontos da “esperança”.

Contaram-se os segundos e as “Samurais” tiveram de batalhar para segurar a vantagem de seis pontos quando faltavam apenas vinte segundos para o “Mundial”. No ataque, as camaronesas ainda tentaram silenciar o pavilhão do Maxaquene quando reduziram a desvantagem para quatro pontos. O apito final foi um autêntico balão de oxigénio, com os Camarões no ataque, em que mais uma vez o povo moçambicano festejou euforicamente não só pelo apuramento ao “Mundial”, como também pela final da prova diante da selecção angolana. As artérias da cidade de Maputo naquela noite, sobretudo a avenida 25 de Setembro, foram pequenas para tamanha moldura humana que não deixou a “história” terminar apenas no Maxaquene.

Moçambique havia-se qualificado pela primeira para um Campeonato Mundial de Basquetebol, prova em que só participam os países com as melhores escolas desta modalidade, diga-se em abono da verdade. 61 a 57 foi o resultado final. Leia Dongue: a salvadora da pátria A extremo da selecção nacional, Leia Dongue, ou simplesmente Tanucha, voltou a ser a figura de destaque. Desta vez, aquela jogadora tornou-se a melhor marcadora com 15 pontos e seis ressaltos, os maiores números nesta partida. Ademais, Tanucha carregou a selecção nacional nas costas, sobretudo no aspecto da finalização. Foi deveras ousada no jogo interior com recurso à “profundidade”, nalgumas vezes para ganhar faltas que lhe levassem aos lançamentos livres nos momentos cruciais do jogo.

“Nunca tive dois objectivos nesta prova”

Terminado o triunfo de Moçambique sobre os Camarões e que coloca as “Samurais” no “Mundial” da Turquia, Nazir Salé era verdadeiramente um homem muito feliz. Para o técnico, vencer a partida das meias-finais foi um sonho realizado.

“Nunca tive dois objectivos. Repito: a selecção treinada por mim nunca teve dois objectivos para esta prova, que fique bem claro”. Foi assim que respondeu quando foi confrontado pelos jornalistas sobre o significado de chegar à final da prova e garantir o apuramento para o “Mundial”. Para o treinador, mais do que pensar na final, o mais importante era apenas a qualificação para o Campeonato Mundial da Turquia, prova que terá lugar em Setembro do próximo ano. E disse mais: “estas são umas verdadeiras ‘Samurais’. Esta equipa vai marcar uma geração de basquetebol deste país. Soube lutar até ao fim, acreditou na vitória e fomos felizes. Estamos todos de parabéns”.

“Obrigado povo moçambicano. Estamos naTurquia”

Deolinda Ngulela não escondeu a sua satisfação pelo apuramento ao Campeonato Mundial de Basquetebol, ainda que Moçambique não se tenha sagrado campeão africano. “Temos de agradecer a todos aqueles que estiveram do nosso lado desde o primeiro dia até ao fim deste campeonato. Cumprimos com o que prometemos ao povo moçambicano. Estamos na Turquia e estamos muito felizes por isso. Mas isto teria mais graça se tivéssemos vencido o troféu na final” afirmou a capitã da selecção nacional, Deolinda Ngulela. A selecção ganhou também fora do campo O triunfo das “Samurais” diante dos Camarões, por 61 a 57, e que coloca Moçambique no “Mundial” do próximo ano na Turquia, estimulou o empresariado moçambicano a prestar o seu apoio.

Ainda na noite daquele sábado (28), minutos após a vitória, a empresa de produção e de fornecimento de material desportivo, a Sidat Sport, que aliás vestiu a selecção nesta competição, procedeu à entrega de um cheque no valor de 50 mil meticais para as jogadoras. Ahmad Shafee Sidat, director-geral daquela firma, revelou também que, caso as “Samurais” vencessem a prova teriam direito a mais 100 meticais como prémio.

“Aquele gesto não só serviu de incentivo para a nossa selecção por tudo o que fez nesta prova, como também foi um gesto patriótico de quem quer ver o empresariado nacional a apoiar a quem realmente trabalha neste país. A Sidat Sport não espera nada em troca. Pelo contrário. Quer apenas ajudar a elevar o nome de Moçambique” disse Shafee Sidat ao @Verdade.

A selecção angolana de basquetebol sénior feminino sagrou-se vencedora da edição 2013 do Afrobasket. No último domingo (29), as “Palancas Negras” tiveram que suportar o prolongamento para derrotarem as guerreiras de Moçambique, por uma diferença de três pontos. As “Samurais” entraram neste jogo dispostas a vencer e a conquistar o continente africano. Revelaram, logo no princípio, uma boa organização ofensiva e tiraram muito proveito da ansiedade do adversário.

A um dado instante, o técnico angolano pediu um desconto tempo para acordar a sua equipa, o que acabou por abrandar o ritmo ofensivo da selecção nacional. As angolanas voltaram diferentes e estiveram na mó de cima, pressionando fortemente até ao fim do primeiro tempo. Com o marcador a registar 15 pontos a favor de Moçambique e 14 para Angola, veio o último período da primeira parte em que, para além da pressão alta que exerceram, as angolanas souberam tirar proveito da distracção e dos erros cometidos pelas moçambicanas, sobretudo nas investidas ofensivas. Apesar de ser uma etapa pouco conseguida por parte do nosso conjunto, o empate a 29 pontos vingou.

A crença desta vez não foi amiga de Moçambique

O triplo de Anabela Cossa no arranque do terceiro período anteviu uma etapa sombria para as “Palancas Negras”. Pareceu, a muitos, que a falta de acerto do lado moçambicano estava resolvido. Debalde. As “Samurais” perdiam muitas bolas e as angolanas não perdoavam debaixo da tabela. As nossas meninas entraram no terceiro período a perder por uma diferença pontual de quatro, ou seja, 40 a 44. Nesta etapa souberam contrariar o poderio das angolanas mas não o suficiente a ponto de evitarem a ida ao prolongamento em virtude do empate a 54 pontos. Nos cinco minutos de desempate, a sorte abraçou as angolanas que ruíram o desejo das jogadoras moçambicanas de conquistar o título da prova. 61 a 64 foi o resultado com que Angola se sagrou bicampeã africana de basquetebol. Para Moçambique ficou o sentimento de “missão cumprida” em virtude de ter garantido uma vaga no próximo Campeonato Mundial de Basquetebol, Turquia- 2014.

Deolinda Ngulela e Leia Dongue no “cinco ideal” A capitã da selecção nacional, Deolinda Ngulela, e a extremo Leia Dongue foram nomeadas para a equipa ideal deste Afrobasket que decorreu na cidade de Maputo de 20 a 28 de Setembro. A par destas duas “Samurais”, Nacissela Maurício, de Angola, Astou Touré, do Senegal, e Ramses Lonack, dos Camarões, figuram também na lista das cinco jogadoras que mais se destacaram nas respectivas posições. A poste angolana Nacissela Maurício foi eleita, igualmente, a Basquetebolista Mais Valiosa desta competição.

Nota negativa para a organização

Se dentro do campo a prestação de Moçambique foi cinco estrelas, como se diz na gíria popular, o mesmo não se pode afirmar da organização deste Afrobasket. Aliás, a apresentação do Comité Local de Organização, liderado pelo presidente da Federação Moçambicana de Basquetebol, Francisco Mabjaia, a uma semana desta prova, anteviu muitos problemas neste aspecto.

No primeiro dia da prova, a 20 de Setembro, enquanto se disputavam os jogos de arranque deste Afrobasket, antes da cerimónia oficial de abertura, decorriam obras de acabamento no pavilhão, como são os casos da pintura do seu interior. Para além da imundice nas bancadas e da pintura do rectângulo de jogo feita à última hora, a questão de segurança foi um autêntico fiasco, ou seja, uma vergonha para quem acolheu a maior prova africana de basquetebol a nível de países.

Por dia eram vendidos 4.000 bilhetes para um pavilhão com capacidade para cerca de 3.000, o que fez com que boa parte do público ficasse de fora mesmo com os bilhetes de ingresso na mão. Aliás, o Comité Local de Organização não teve em conta que para esta prova estavam credenciadas cerca de 500 pessoas entre elas jornalistas, pessoal de apoio, de segurança, delegações de outros países, etc.

Ainda neste capítulo, o mais grave foi o que sucedeu na manhã de domingo (29) em que, depois de se venderem cerca de 2.500 bilhetes no pavilhão do Desportivo, 500 foram oferecidos a instituições e algumas personalidades influentes, cerca de 1.000 reservados ao público angolano que se encontrava numa estância hoteleira do país, tendo sido negociados a um preço especulativo de 1.000 meticais.

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